O Ministério Público de Alagoas (MPAL) acompanha o acidente que matou 16 romeiros de Coité do Nóia na manhã da terça-feira (3), no povoado Caboclo, em São José da Tapera, quando um ônibus que retornava de Juazeiro do Norte (CE) tombou às margens da rodovia AL-220. O acidente vitimou sete mulheres, cinco homens, um adolescente e três crianças, com idades entre 4 e 77 anos.
A Promotoria de Justiça de Taquarana informou que está reunindo informações oficiais sobre o caso e convocou uma reunião de emergência com a gestão municipal para esclarecer as circunstâncias da tragédia. O encontro foi marcado pelo promotor de Justiça Lucas Mascarenhas para esta quarta-feira (4), às 12h. Após a reunião, o MPAL deve se posicionar sobre os encaminhamentos e eventuais providências institucionais.
Velórios e comoção
Os corpos das vítimas começaram a ser velados na manhã desta quarta-feira (4). Parte das cerimônias ocorre no ginásio poliesportivo de Coité do Nóia, cedido pela prefeitura, onde famílias realizam velórios coletivos. Outras optaram por despedidas reservadas, em residências ou igrejas da cidade. A comoção tomou conta do município, que acompanha os sepultamentos em clima de profunda dor e solidariedade.
Vítimas identificadas
O Instituto Médico Legal (IML) identificou oficialmente as 16 vítimas fatais:
Adelmo José de Oliveira, 52 anos
Claudiana Maria da Silva Bastos, 45 anos
Cleusa Simão Lima, 63 anos
Cícero Barbosa de Lima, 71 anos
Edivania da Silva Lima, 39 anos
Francisco Izidoro da Silva, 71 anos
Jamilly da Silva Bastos, 5 anos
José Caio de Oliveira Souza, 15 anos
José Welliton Barbosa Louriano, 39 anos
Josefa Madalena de Alcantara, 67 anos
Luiz Miguel Alcântara, 4 anos
Maria do Socorro Santos, 73 anos
Maria Gorete Rodrigues Izidoro da Silva, 38 anos
Maria Manuella de Souza Oliveira, 5 anos
Vandete Maria da Silva, 60 anos
Sebastião Vieira de Morais Neto, 55 anos

Feridos seguem internados
Além das vítimas fatais, 20 pessoas ficaram feridas e foram atendidas pela rede pública de saúde. Até a noite de terça-feira (3), 18 permaneciam internadas em unidades hospitalares de Alagoas.
O Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia, recebeu 15 pacientes; um já teve alta. Uma criança com múltiplas fraturas foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, onde permanece em estado grave. No Hospital de Emergência do Agreste (HEA), quatro pessoas seguem internadas, também em estado grave.
Perícia aponta ausência de frenagem
Informações preliminares da Polícia Científica de Alagoas indicam que não foram encontrados sinais de frenagem no trecho da AL-220 onde ocorreu o tombamento. A perícia seguiu os protocolos técnicos de investigação e analisou marcas na pista e na ribanceira onde o ônibus caiu.
A ausência desses vestígios sugere que o motorista pode não ter tentado frear antes do acidente, hipótese que ainda será aprofundada.
ANTT diz que ônibus estava irregular
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ?ônibus envolvido no acidente operava de forma irregular. Segundo o órgão, o veículo realizava transporte clandestino de passageiros e levava cerca de 60 romeiros.
De acordo com a ANTT, o ônibus, de placa JJB3D75, não possuía autorização para o transporte interestadual ou intermunicipal de passageiros e não estava cadastrado para esse tipo de serviço junto à agência reguladora.
O órgão também informou que o veículo não tinha Certificado de Segurança Veicular (CSV), nem seguro de responsabilidade civil válido, além de não possuir Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado no momento do acidente.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas do acidente. O delegado Diego Nunes, titular do 38º Distrito Policial de São José da Tapera, informou que equipes realizaram diligências desde as primeiras horas, com coleta de depoimentos, levantamento técnico e apoio às famílias.
A Polícia Científica mobilizou peritos, auxiliares de perícia e veículos do IML para remoção dos corpos, que foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Arapiraca para os procedimentos legais.
Prefeito diz que não é momento de buscar culpados
Em pronunciamento nas redes sociais, o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino (PP), afirmou que o momento é de prestar assistência às famílias e evitou tratar de responsabilizações.
“Agora não é hora de ir atrás de culpados. É hora de cuidar das famílias”, declarou. O gestor também afirmou que a viagem, realizada há mais de 25 anos, contava com equipe médica, medicação e ônibus em boas condições, mas reconheceu que “infelizmente ninguém está livre de um acidente fatal”.
Luto oficial em Alagoas
Diante da tragédia, o governador Paulo Dantas decretou luto oficial de três dias em Alagoas. Em publicação nas redes sociais ontem, o governador afirmou ter determinado atuação integrada dos órgãos de segurança e saúde desde os primeiros momentos do acidente e se solidarizou com os familiares das vítimas.
“Recebi com profundo pesar a notícia de que 15 pessoas perderam a vida em um grave acidente na AL-220, em São José da Tapera. Desde o 1º momento, determinei uma atuação integrada entre as equipes do Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e apoio aéreo no resgate e atendimento às vítimas. Diante dessa tragédia que entristece todo o nosso estado, decretei luto oficial de 3 dias em Alagoas. Me solidarizo com os familiares e amigos neste momento de dor tão grande”, escreveu.
ABN C/ Cada Minuto

















