Até tentamos preparar um material comemorativo neste dia 8 de março, exaltando coisas positivas sobre as mulheres, e conteúdo não falta. Mas infelizmente não há o que comemorar.
A violência contra a mulher está crescendo no Brasil, e muitas vezes tem atingido diretamente seus próprios filhos. É um momento que exige atenção e compromisso real com a proteção das mulheres.
Enquanto mulheres forem atacadas e assassinadas dentro e fora de casa, perseguidas e silenciadas em espaços de poder, não há celebração possível. O 8 de março é um chamado à responsabilidade coletiva. E o posicionamento dos homens é urgente.
Os dados ajudam a dimensionar essa realidade. O Brasil atingiu número recorde de 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, ano em que a sanção da Lei do Feminicídio completou dez anos. Isso representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.
A violência também aparece em outras formas. O país registrou 83 mil vítimas de estupro em 2025. Há ainda agressões físicas, violência psicológica, perseguição, ameaça e controle financeiro. A violência contra a mulher não é exceção, mas sim recorrente.
O Brasil possui marcos legais importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, que preveem medidas protetivas, agravamento de pena e instrumentos específicos de enfrentamento à violência de gênero. Mas a aplicação é desigual e a rede de proteção ainda é insuficiente em grande parte do território nacional.
As mulheres estão cansadas de ter que mudar rotas, silenciar desconfortos e criar estratégias para sobreviver. A violência que as atinge é praticada por homens. Romper com a cultura machista e misógina que naturaliza o controle, o ciúme, a humilhação e a agressividade como expressão de masculinidade é uma responsabilidade urgente.
Portanto, neste dia, não cabem homenagens. Mulheres precisam de direitos efetivos, políticas públicas estruturadas e aplicação rigorosa da lei. Enquanto a violência persistir, a prioridade não é celebrar. É garantir que mulheres permaneçam vivas.
*Iree.org

















