Por Luciana Lima
Membros da Articulação de Esquerda, corrente minoritária petista coordenada por Valter Pomar, de São Paulo, se reunirão nesta segunda-feira, 6, para definir os próximos passos e tentar barrar a chegada da ex-senadora Kátia Abreu (TO) ao partido. Kátia deixou o PP e entrou para o PT no sábado, 4, último dia de filiação para quem quer disputar algum cargo eletivo nas eleições deste ano. A recepção foi feita pelo presidente estadual da sigla, Nile William, e pela dirigente do partido em Palmas, Rosimar Mendes, que divulgaram um vídeo pelas redes sociais.
Para o PT de Tocantins, a chegada de Kátia tem o objetivo de fortalecer a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições deste ano. Ela é cotada para disputar um cargo relevante, possivelmente o governo do estado ou uma vaga ao Senado.
Na corrente petista, porém, Kátia Abreu não é bem-vinda. Integrantes da corrente reconhecem a fidelidade que ela demonstrou à então presidente Dilma Rousseff na ocasião do impeachment, quando ela era ministra da Agricultura do governo da petista. No entanto, eles avaliam que Kátia representa um modelo de agronegócio que defende interesses da elite agrária e isso, segundo membros da AE, descaracteriza o partido que tem no seu estatuto a defesa da reforma agrária e o alinhamento aos movimentos sociais, entre eles o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), por exemplo.
Os integrantes da corrente já decidiram pela manifestação pública contrária à filiação e devem discutir possível questionamento a ser apresentado ao diretório nacional do PT. “Uma coisa é ela ser ministra, outra coisa é ela se filiar. Isso vai descaracterizar o partido”, disse um membro da AE, em conversa com o PlatôBR. “Onde já se viu colocar uma senhora de engenho no partido dos escravos”, argumentou, sob reserva.
Inimiga do MST
No passado, Kátia Abreu foi declaradamente inimiga do MST e já defendeu a criminalização do movimento alegando, em 2008, que o MST “não respeita o direito de propriedade e pretende implantar no Brasil um socialismo autoritário”. Ao ser indicada como ministra de Dilma Rousseff, o MST se colocou contrário. Na época, Kátia era filiada ao MDB e quando o partido embarcou no impeachment da então presidente, foi uma dissidência da cúpula do MDB, liderada por Michel Temer, e se firmou como um dos apoios mais importantes de Dilma.
Na transição de Lula para Bolsonaro, o nome de Kátia Abreu voltou como cotada para a pasta da Agricultura, o que contou, novamente, com a resistência do MST.
Em 2013, a então senadora teve sua fazenda localizada em Aliança, no Tocantins, ocupada por mulheres da Via Campesina, que se colocaram em um canteiro de mudas de eucalipto e chegaram a interditar a rodovia Belém-Brasília, em um protesto referente à jornada de luta do Dia Internacional da Mulher. Na época, a senadora foi retratada em faixas como “mulher capacho do agronegócio”
Fonte: PLATÔBR

















