Anadia/AL

15 de abril de 2026

Anadia/AL, 15 de abril de 2026

Cápsula Orion enfrentou ondas de calor mais intensas que lava

A reentrada gerou uma onda de calor intenso e deixou marcas visíveis no escudo térmico após missão histórica que sobrevoou a Lua.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 15 de abril de 2026

M.1

Cápsula Orion enfrentou ondas de calor mais intensas que lava - James M. Blair/NASA

Por Arthur Felipe Farias

A cápsula Orion, usada no programa Artemis II da NASA, enfrentou um dos momentos mais críticos da missão ao retornar à Terra. Durante a reentrada na atmosfera, o veículo foi exposto a temperaturas extremas que explicam as marcas de queimadura vistas em imagens recentes. As informações são da NASA.

De acordo com dados oficiais da NASA, o escudo térmico da Orion suportou cerca de 5.000 graus Fahrenheit (aproximadamente 2.760 °C), um nível de calor impressionante, comparável a quase metade da temperatura da superfície do Sol.

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Por que a cápsula esquenta tanto?

A temperatura não vem do “ar quente”, mas da velocidade. Ao retornar de uma missão lunar, a Orion entra na atmosfera a cerca de 40 mil km/h.

Esse movimento extremamente rápido comprime o ar ao redor da cápsula, formando um plasma superquente. É esse fenômeno que eleva a temperatura para níveis extremos e coloca o escudo térmico à prova.

Os astronautas da NASA Reid Wiseman, comandante do Artemis II, à esquerda, Victor Glover, piloto do Artemis II, Christina Koch, especialista da missão Artemis II, e o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) Jeremy Hansen, especialista da missão Artemis II, à direita, param para uma fotografia de grupo enquanto visitam o foguete Artemis II SLS (Sistema de Lançamento Espacial) da NASA e a espaçonave Orion, segunda-feira, 30 de março de 2026, no Complexo de Lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida
Divulgação/Nasa/Bill Ingalls

Os astronautas da NASA Reid Wiseman, comandante do Artemis II, à esquerda, Victor Glover, piloto do Artemis II, Christina Koch, especialista da missão Artemis II, e o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadense) Jeremy Hansen, especialista da missão Artemis II, à direita, param para uma fotografia de grupo enquanto visitam o foguete Artemis II SLS (Sistema de Lançamento Espacial) da NASA e a espaçonave Orion, segunda-feira, 30 de março de 2026, no Complexo de Lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida

Calor maior que lava de vulcão

Para entender melhor esse cenário, dá para comparar com um dos fenômenos mais quentes da natureza: a lava de vulcões.

A lava normalmente atinge temperaturas entre 700 °C e 1.200 °C, podendo chegar a cerca de 1.300 °C nos casos mais intensos. Já a Orion enfrentou cerca de 2.760 °C na reentrada.

Detalhes da cápsula Orion queimados
Reprodução – Detalhes da cápsula Orion queimados

Isso significa que o calor suportado pela cápsula foi mais que o dobro da temperatura da lava. Em outras palavras, o escudo térmico precisou resistir a condições muito mais extremas do que aquelas vistas em erupções vulcânicas.

O que são as marcas de queimadura?

As imagens que circulam na internet mostram o escudo térmico escurecido, com partes aparentemente desgastadas. Isso não é um defeito, é esperado.

O material usado, chamado Avcoat, funciona por um processo conhecido como ablação. Em vez de resistir ao calor intacto, ele se desgasta de forma controlada, levando o calor embora e protegendo o interior da cápsula.

A bordo da cápsula Orion, o astronauta e comandante da Artemis II, Reid Wiseman, observa a Terra pela janela da cabine principal durante o trajeto rumo à Lua
Divulgação/Nasa

A bordo da cápsula Orion, o astronauta e comandante da Artemis II, Reid Wiseman, observa a Terra pela janela da cabine principal durante o trajeto rumo à Lua.
Esse mecanismo cria justamente o aspecto chamuscado que aparece nas fotos e vídeos após o pouso.

Interior protegido mesmo com calor extremo

Apesar das temperaturas externas extremas, o sistema é projetado para manter o interior seguro. Enquanto a parte externa enfrenta milhares de graus, o lado interno do escudo permanece em torno de 93 °C.

Isso garante condições seguras para astronautas e equipamentos.

Por que esse momento é tão importante

A reentrada é considerada a fase mais perigosa de qualquer missão espacial. Pequhas falhas no escudo térmico podem ter consequências graves, por isso, o desempenho da Orion é acompanhado de perto por engenheiros e especialistas.

As marcas de queimadura vistas após a missão, portanto, não indicam necessariamente um problema. Pelo contrário: são sinais de que o escudo térmico fez exatamente o que deveria, absorver e dissipar uma quantidade extrema de calor.

Redação com iG


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