
Blog de Edivaldo Junior
Alagoas vive hoje uma mudança profunda na segurança pública. Em 2013, no ano mais violento da série histórica, foram mais de 2 mil homicídios. O Estado era o mais violento do Brasil e a falta de segurança afetava os investimentos, especialmente no setor do turismo. Hoje, os números são outros. Enquanto os crimes letais despencam, o número de presos cresce de forma acelerada.
Será que existe relação direta entre os dois indicadores? O secretário de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), Diogo Teixeira, acredita que sim.
“Quem fizer coisa errada vai ser preso. Não sei se hoje, amanhã ou depois, mas pense duas vezes”, afirmou o secretário em entrevista ao Blog do Edivaldo Júnior.
Os números ajudam a entender o cenário. Em 2013, auge da violência em Alagoas, o Estado registrou 2.273 mortes violentas intencionais e tinha cerca de 4,3 mil pessoas presas.
Em 2025, os homicídios caíram para 949 — redução de 58,2% — enquanto a população carcerária ultrapassou 15 mil pessoas entre regimes fechado, semiaberto e aberto, segundo a Seris.
A média diária de mortes caiu de 6,2 por dia, em 2013, para cerca de 2,4 em 2026.
Enquanto isso, o encarceramento seguiu na direção oposta.
Em 2005, Alagoas tinha cerca de 2,1 mil presos. Em 2013, eram 4.333. Em 2015, o total subiu para 5.785. Em 2021, chegou a 10.553. Em 2024, alcançou 14.077 presos.
O crescimento supera 570% em menos de 20 anos. E para dar conta, foi preciso criar novas vagas no sistema prisional. “Esse trabalho começou no governo de Renan Filho e avançou no governo de Paulo Dantas, tanto no combate a criminalidade quanto na ampliação do número de presos”, aponta Teixeira.
Mais condenados
Além do aumento do número de presos, mudou também o perfil da população carcerária.
Em 2021, 71,1% dos presos em Alagoas eram condenados e 28,9% provisórios. Em 2024, os condenados passaram para 79,6%, enquanto os provisórios caíram para 20,4%.
Na prática, isso significa mais pessoas efetivamente cumprindo pena e menos presos aguardando julgamento. Segundo Diogo Teixeira, o fortalecimento do sistema de justiça também ajudou a acelerar esse processo.
“O fortalecimento do sistema de justiça, os processos virtuais, a celeridade processual… tudo isso contribuiu. Muita gente pensa que no Brasil não se prende. Prende”, afirmou.
Nova estrutura
O crescimento da população carcerária obrigou o Estado a ampliar o sistema prisional. Segundo o secretário, Alagoas criou 1,5 mil novas vagas apenas durante o governo Paulo Dantas.
Em abril deste ano, o governo inaugurou a nova Cadeia Pública Policial Penal Manoel Messias de Souza Júnior, no Complexo Penitenciário de Maceió.
A unidade tem capacidade para 420 presos provisórios masculinos e recebeu investimentos de cerca de R$ 39,5 milhões com recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e contrapartida estadual.
O sistema também recebeu reforço em armamentos, equipamentos e estrutura operacional.
“Há mais de dez anos, o policial penal entrava no sistema com um revólver calibre 38. Hoje temos armamento de ponta, treinamento e integração”, disse o secretário.
Como funciona o sistema
O sistema prisional de Alagoas reúne presos em diferentes regimes:
• Fechado: para condenados de maior periculosidade ou penas mais altas;
• Semiaberto: presos que podem trabalhar ou estudar fora durante o dia;
• Aberto: cumprimento com menos restrições e acompanhamento judicial;
• Provisórios: presos ainda sem condenação definitiva.
Segundo a Seris, o Estado mantém hoje controle e monitoramento dessa população prisional, o que reduz a atuação de organizações criminosas dentro e fora das unidades.
Diogo Teixeira defende que esse controle impacta diretamente os indicadores de violência.
“Você controlando o sistema prisional, você impacta diretamente a criminalidade”, afirmou.
Mais presos, menos mortes
Os dados mostram duas curvas opostas. Os homicídios caíram 58% desde 2013. A população carcerária cresceu mais de 570% desde 2005.
A relação entre os dois fenômenos não é automática nem exclusiva. Especialistas apontam que a redução da violência também envolve policiamento, inteligência, integração das forças de segurança e mudanças demográficas e sociais
Mas o caso de Alagoas mostra um movimento claro: o Estado ampliou sua capacidade de prender, julgar, condenar e manter criminosos no sistema.
O resultado aparece nos indicadores.
E ajuda a explicar por que Alagoas saiu do topo da violência no Brasil para um novo patamar de segurança pública.
Nova sede recebeu investimento de R$ 40 milhões. Pei Fon/ Agência Alagoas
Policiais Penais receberam novos armamentos. Pei Fon/ Agência Alagoas
Redação com Jornal de Alagoas


















