Por Guilherme Levorato
O governo Lula (PT) lança nesta sexta-feira (12) uma linha de crédito com juros de 12,5% ao ano para financiar motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas usadas por entregadores de aplicativos, com previsão de cerca de R$ 4 bilhões em recursos e acesso restrito a trabalhadores cadastrados em plataformas há pelo menos seis meses e com, no mínimo, 100 corridas realizadas.
Os detalhes do programa foram apresentados nesta sexta pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), a um grupo de entregadores na entrada do Palácio do Planalto, antes da cerimônia oficial de lançamento.
A inscrição dos interessados deve começar ainda nesta sexta-feira. Segundo as regras informadas, a linha será voltada a entregadores que já atuam em plataformas digitais e comprovem vínculo mínimo com esse tipo de atividade, por meio do tempo de cadastro e da quantidade de corridas realizadas.
A nova iniciativa integra o Move Brasil, programa do governo federal voltado à renovação e ao financiamento de veículos. Embora contemple diferentes modalidades de transporte usadas por entregadores, a formulação da política teve como foco principal as motocicletas de 160 cilindradas, segmento que concentra grande parte do mercado brasileiro de motos.
Além de motos, o financiamento poderá ser utilizado para a aquisição de motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas. A inclusão das bikes elétricas amplia o alcance da medida para entregadores que atuam especialmente em centros urbanos, onde esse tipo de veículo tem ganhado espaço nas entregas por aplicativo.
O lançamento da linha de crédito foi antecipado pela ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, durante reunião ministerial realizada no último dia 3. “Temos uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos”, afirmou Miriam Belchior.
A medida faz parte de um conjunto de ações de crédito anunciadas pelo governo federal. O pacote inclui iniciativas voltadas a taxistas, motoristas de aplicativo, caminhoneiros, agronegócio, indústria e empresas exportadoras.
O público potencial do programa é expressivo. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024.
Desse total, 58,3%, o equivalente a 964 mil trabalhadores, exerciam a atividade principal em aplicativos de transporte, incluindo os de táxi. Outros 29,3%, ou 485 mil pessoas, atuavam em aplicativos de entrega.
Com a nova linha de crédito, o governo busca facilitar o acesso de entregadores a veículos usados diretamente no trabalho, em uma política direcionada a uma categoria que se tornou uma das principais faces da economia de plataformas no país.
Redação com Brasil 247


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