
Por Vitor Hugo Girotto
As negociações entre os Estados Unidos e Irã foram interrompidas neste domingo (21) na cidade de Bürgenstock, na Suíça, depois de novas ameaças de Donald Trump ao país.
O presidente norte-americano disse que o Irã deveria “impedir imediatamente” que seus aliados do grupo Hezbollah no Líbano“causem problemas”.
A declaração foi feita enquanto autoridades dos dois países participavam das negociações, que são mediadas pelo Catar e pelo Paquistão.
A delegação dos Estados Unidos é formada pelo vice-presidente, JD Vance, com participação ainda do enviado especial Steve Witkoff e do assessor Jared Kushner. Já do lado iraniano, fazem parte das conversas o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Suspensão nas negociações
Antes de deixar a negociação, Ghalibaf disse que os Estados Unidos precisariam controlar o tom das declarações, segundo a agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana. O presidente do parlamento iraniano ainda disse que o Irã poderia suspender o diálogo se não fossem respeitadas as regras do chamado Memorando de Entendimento de Islamabad.
O documento, assinado na última quarta-feira (17), define a suspensão das operações militares por 60 dias, enquanto os países discutem formas de reduzir os conflitos na região do Oriente Médio, incluindo o programa nuclear do Irã e o conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
O cumprimento dessas regras foi questionado pelo Teerã, após Israel descumprir os termos do cessar-fogo firmado anteriormente.
Segundo a agência Tasnim, o Irã ainda pede o cumprimento de outra parte do acordo, que condiciona o avanço das negociações à aplicação de todas as regras que foram combinadas.
Versões contrárias sobre as conversas
Poucas horas antes da saída dos iranianos, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse que as discussões haviam tido progresso. Mas a afirmação entrou em conflito com a declaração do Irã de que teria abandonado as conversas.
Até o momento, não há informação sobre uma possível retomada ou de um cancelamento total das negociações.
Tensão no Oriente Médio
O Irã voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz poderia ser fechado, depois de ataques de Israel ao Líbano que deixaram dezenas de mortos no sábado (20).
Apesar disso, autoridades dos Estados Unidos responderam dizendo que a passagem marítima segue aberta. Segundo os estadunidenses, dezenas de navios comerciais continuaram atravessando a região, transportando milhões de barris de petróleo para o mercado internacional.
Redação com IG

















