Anadia/AL

13 de julho de 2026

Anadia/AL, 13 de julho de 2026

PF aponta atuação de Eduardo Cunha em esquema de emendas e vê aval da cúpula da Câmara

Relatório enviado ao STF afirma que assessora da Presidência da Casa operacionalizava indicações de recursos e atribui ao ex-deputado influência equivalente ou superior à de parlamentares em exercício.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 13 de julho de 2026

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Eduardo Cunha - Crédito: Divulgação

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento e dava respaldo a indicações de emendas parlamentares atribuídas ao ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), mesmo sem que ele ocupasse cargo eletivo.

As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles, que teve acesso ao relatório encaminhado pela PF ao Supremo. Cunha é investigado por supostamente ter interferido na indicação de pelo menos 29 emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de mais de R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara.

PF aponta atuação de servidores da Câmara

Segundo os investigadores, Eduardo Cunha utilizava servidores da Câmara para direcionar recursos federais de acordo com seus interesses políticos em Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026.

A investigação atribui papel central à assessora da Presidência da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. De acordo com a PF, ela seria responsável por operacionalizar o encaminhamento das emendas e organizar a destinação dos recursos.

Tuca passou a exercer essa função durante a presidência de Arthur Lira (PP-AL) e permaneceu no cargo após a posse do atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A assessora foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro de 2025.

Em um dos trechos mais contundentes do relatório, os investigadores afirmam que “tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas” em favor de Eduardo Cunha.

Investigação cita “altíssimo grau de promiscuidade”

Para a Polícia Federal, a atuação identificada durante a investigação revela um “altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”.

O relatório sustenta que as provas reunidas permitem “concluir que Eduardo Cunha opera como agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional”.

“Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, diz o relatório.

A Câmara dos Deputados foi procurada pelo Metrópoles para comentar as conclusões da investigação, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem original.

Relação política com Hugo Motta

Eduardo Cunha é apontado nos bastidores da Câmara como um dos aliados políticos de Hugo Motta e também de Arthur Lira.

Foi durante a gestão de Cunha na Presidência da Câmara que Motta ganhou maior projeção nacional. Por indicação de Leonardo Picciani, então filiado ao MDB, o parlamentar paraibano assumiu o comando da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras.

A CPI contribuiu para o desgaste do governo da então presidente Dilma Rousseff e antecedeu o processo de impeachment, cuja abertura foi admitida pela Câmara em abril de 2016. Hugo Motta votou a favor da instauração do processo.

Parlamentares também recordam que Motta contratou Dani Cunha (PL-RJ), filha de Eduardo Cunha e atualmente deputada federal, para prestar serviços de marketing político. Na ocasião, Motta declarou que os pagamentos haviam sido realizados com recursos próprios.

Conversas citam “Arthur” e “Hugo”

O relatório da Polícia Federal informa ainda que a primeira conversa encontrada entre Eduardo Cunha e Mariângela Fialek em um aplicativo de mensagens ocorreu em setembro de 2025.

“Tive ontem com Arthur. Hugo me ligou a noite. Enfim, tentando ajudar. Mas Arthur tem razão”, escreveu Eduardo Cunha, segundo o relatório.

A Polícia Federal não afirmou, no trecho divulgado, que as pessoas citadas na mensagem eram necessariamente Arthur Lira e Hugo Motta. O documento registra apenas que não foi possível esclarecer o contexto devido à exclusão de partes da conversa.

Defesa nega irregularidades

Eduardo Cunha negou ter indicado irregularmente as emendas investigadas. Em nota, afirmou que os recursos foram “oficialmente apresentados e indicados por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados”.

A defesa sustenta que o ex-deputado apenas participou de articulações políticas legítimas e informou que recorrerá da decisão que determinou o bloqueio de seus bens.

“Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”, afirmaram os advogados.

Cunha também nega ser o responsável formal pelas indicações. A investigação prossegue no Supremo sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

* Brasil 247

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