Anadia/AL

23 de julho de 2026

Anadia/AL, 23 de julho de 2026

Estadão: Flávio herdou o golpismo de Bolsonaro

‘Diante de diplomatas, Flávio Bolsonaro reencenou uma das práticas que consagraram seu pai como a maior ameaça à democracia brasileira na Nova República’, afirma editorial.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 23 de julho de 2026

Politica

Flávio Bolsonaro – Jair Bolsonaro Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado / Reuters


Por Guilherme Levorato

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reencenou a farsa da suposta insegurança do sistema eleitoral brasileiro diante de diplomatas estrangeiros em Brasília, provando que o golpismo une uma família que não admite perder eleições limpas, aponta um contundente editorial publicado pelo jornal O Estado de São Paulo nesta quinta-feira (23).

O editorial do veículo paulista destaca que as declarações do senador são totalmente falsas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já atestou por escrito e de forma categórica que equipamentos ou softwares da Smartmatic, ou de qualquer outra empresa estrangeira, jamais foram utilizados no processo eleitoral do País. Todo o sistema é concebido, produzido e gerido inteiramente pelo próprio TSE, utilizando tecnologia nacional auditável por partidos políticos, especialistas e órgãos de fiscalização do Brasil e do exterior. Desde a introdução do sistema eletrônico, em 1996, nenhuma evidência de fraude foi encontrada, consolidando o Brasil como uma referência internacional em rapidez e segurança eleitoral.

O “manual do golpista moderno” e a tentativa de golpe

A publicação ressalta que as atitudes de Flávio Bolsonaro não ocorrem por acaso, apontando que o parlamentar domina o “manual do golpista moderno”. A estratégia consiste em lançar suspeitas e insinuar a atuação de forças ocultas para contestar o pleito, para logo em seguida negar qualquer acusação direta. “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro”, alegou o senador no evento, justificando que apenas citava o relatório da CIA. O texto classifica o movimento como maldoso e compara a conduta à de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), assim como à do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a alegar sem provas, em rede nacional, que a eleição americana de 2020 foi fraudada.

O editorial também aponta como lamentável a postura de Flávio de mentir com “tanto desassombro” ao tentar reescrever os motivos da prisão de seu pai perante a comunidade internacional. O senador declarou aos embaixadores que Jair Bolsonaro estaria preso por ter se reunido com diplomatas em 2022 para demonstrar “preocupação” com a segurança eleitoral. O jornal lembra que o filho omitiu convenientemente que a condenação do pai a mais de 27 anos de prisão, em caráter definitivo, decorreu de uma tentativa de golpe de Estado, e não da referida reunião — encontro do qual adveio sua inelegibilidade por abuso de poder político.

Ameaça explícita de uso da força

O ataque do parlamentar às urnas não é tratado pelo jornal como um deslize isolado, mas como mais um ato de irresignação contra o Estado Democrático de Direito. O texto relembra que, em entrevista concedida à Folha de São Paulo em junho do ano passado, Flávio já havia admitido abertamente que um candidato apoiado por Jair Bolsonaro teria a obrigação de garantir o cumprimento de um eventual indulto ao ex-presidente, mesmo que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarasse a medida inconstitucional. Indagado sobre a hipótese de tal impasse ocorrer, o senador admitiu sem rodeios o “uso da força”.

O Estadão conclui a análise classificando como exasperante o fato de que, em 2026, o País ainda precise gastar energia desmentindo falácias sobre o sistema eletrônico de votação. Segundo o veículo, postulantes à chefia de Estado e de governo deveriam estar focados nos problemas reais que o Brasil precisa enfrentar, ressaltando que a lisura das eleições nunca esteve entre eles.

Redação com Brasil 247


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