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As unidades policiais especializadas no atendimento às mulheres realizaram mais de 783 mil atendimentos em 2025 no Brasil, em uma ampla estrutura de enfrentamento à violência de gênero e de aplicação dos mecanismos de proteção associados à Lei Maria da Penha. Os números revelam tanto a dimensão da violência enfrentada pelas brasileiras quanto a importância de manter e ampliar uma rede pública capaz de acolher vítimas, investigar agressores e solicitar medidas protetivas de urgência.
Os dados fazem parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades Especializadas de Atendimento às Mulheres, divulgado pelo Ministério das Mulheres, com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento oferece um retrato nacional da estrutura policial voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher e fornece indicadores para o aperfeiçoamento das políticas públicas.
● Mais de 608 mil boletins de ocorrência
O volume de procedimentos realizados ao longo de 2025 mostra a dimensão da demanda enfrentada pelas unidades especializadas.
Foram registrados mais de 608 mil boletins de ocorrência, enquanto aproximadamente 329 mil vítimas foram atendidas. As unidades também instauraram cerca de 323 mil inquéritos policiais.
Outro dado relevante está diretamente relacionado à proteção das mulheres diante de situações de risco: foram solicitadas mais de 302 mil medidas protetivas de urgência.
Previstas na Lei Maria da Penha, essas medidas constituem um dos principais instrumentos legais disponíveis para proteger mulheres submetidas a situações de violência.
● Mais de 53 mil prisões em flagrante
A atuação das unidades especializadas também resultou em 53.517 prisões em flagrante durante 2025.
Além disso, foram apreendidas aproximadamente 2,5 mil armas de fogo legalmente registradas que estavam em posse de agressores.
O conjunto dos dados permite dimensionar não apenas o número de mulheres que procuram o Estado, mas também a quantidade de procedimentos policiais e medidas de proteção desencadeados a partir dessas ocorrências.
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● Brasil possui 585 unidades especializadas
Atualmente, existem 585 unidades especializadas em funcionamento no país, entre delegacias exclusivas e estruturas de atendimento misto.
Desse total, 530 participaram do levantamento, correspondendo a uma taxa de resposta de 90,6%.
A abrangência do diagnóstico permite acompanhar a evolução histórica dessas unidades, a distribuição do efetivo policial, as condições das Salas Lilás e o perfil das ocorrências relacionadas à violência contra as mulheres.
Essas informações são fundamentais para identificar tanto os avanços quanto as lacunas existentes na rede de proteção.
● Efetivo cresce quase 20% em dois anos
Outro indicador positivo identificado pelo diagnóstico é a ampliação do número de profissionais dedicados ao atendimento especializado.
As unidades contam atualmente com aproximadamente 6,2 mil profissionais, representando crescimento de 19,8% em dois anos.
O reforço do efetivo amplia a capacidade operacional das delegacias e unidades especializadas diante de uma demanda que permanece elevada em praticamente todas as regiões brasileiras.
Os mais de 783 mil atendimentos realizados em apenas um ano ajudam a demonstrar a escala do desafio enfrentado pelas equipes policiais.
● O desafio do atendimento 24 horas
Apesar da expansão da estrutura e do efetivo, o diagnóstico revela uma deficiência importante: 80% das unidades especializadas ainda não funcionam durante 24 horas.
A limitação representa um desafio para a universalização do atendimento, uma vez que episódios de violência contra a mulher não estão restritos ao horário comercial.
Ampliar o funcionamento das unidades, portanto, permanece entre os pontos centrais para fortalecer a capacidade de resposta do poder público e facilitar o acesso das vítimas aos mecanismos de proteção.
● Diagnóstico orienta políticas públicas
O levantamento também reúne informações sobre infraestrutura, distribuição territorial das unidades, composição do efetivo, adequação das Salas Lilás e características das ocorrências atendidas.
Esse conjunto de indicadores permite ao poder público identificar onde estão as principais deficiências e quais áreas necessitam de investimentos adicionais.
Os números mostram uma rede especializada que movimenta centenas de milhares de procedimentos todos os anos: mais de 783 mil atendimentos, 608 mil boletins de ocorrência, 323 mil inquéritos, 302 mil solicitações de medidas protetivas e 53.517 prisões em flagrante somente em 2025.
Ao mesmo tempo, o fato de oito em cada dez unidades ainda não oferecerem atendimento permanente evidencia o caminho que resta percorrer para garantir acesso amplo e contínuo às mulheres que procuram proteção do Estado.
* Brasil 247
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