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A investigação sobre a intoxicação que deixou um morto e seis pessoas hospitalizadas em Pariconha, no Sertão de Alagoas, ganhou uma resposta decisiva nesta quarta-feira (12). A Polícia Científica confirmou a presença de metomil, um inseticida de uso agrícola, em amostras de uma bebida consumida pelas vítimas durante uma feira livre no município.
As análises foram realizadas pelo Laboratório de Química e Toxicologia Forense e identificaram a substância em três amostras examinadas. O material analisado incluía duas garrafas de cachaça da mesma marca e uma garrafa PET contendo uma mistura artesanal conhecida como “garrafada”.
Segundo o perito criminal e chefe do laboratório, Thalmanny Goulart, o metomil foi encontrado exclusivamente na bebida armazenada na garrafa PET. Nas duas garrafas originais de cachaça, não houve identificação do inseticida.
De acordo com as investigações, o conteúdo das garrafas de cachaça teria sido utilizado no preparo da bebida artesanal.
“Os exames identificaram a presença do metomil exclusivamente na bebida da garrafa pet. Nas duas garrafas de cachaça originais não foi detectada a presença do agrotóxico”, explicou Goulart.
● Substância também foi encontrada em vítimas
A confirmação laboratorial reforça os resultados obtidos anteriormente pela Polícia Científica. No dia 29, exames realizados em amostras biológicas retiradas do corpo de Gilberto Alves Vicente, de 36 anos, já haviam apontado a presença de inseticida agrícola.
Gilberto morreu após apresentar um quadro de intoxicação. Agora, análises realizadas em amostras biológicas de dois dos sobreviventes também confirmaram a ingestão de metomil, a mesma substância encontrada na “garrafada”.
O resultado estabelece uma ligação entre o produto consumido e a substância identificada nos exames das vítimas.
● Seis pessoas passaram mal
O caso aconteceu na manhã de 26 de julho, durante uma feira livre em Pariconha. Ao todo, sete pessoas passaram mal após consumir uma bebida alcoólica conhecida como “raizada”.
Na ocasião, ainda não havia confirmação sobre o que teria provocado a intoxicação.
Gilberto não resistiu e morreu. As outras seis vítimas foram socorridas e encaminhadas para o Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia.
Após receberem atendimento médico, os seis pacientes se recuperaram e receberam alta ainda no mês de julho.
As bebidas consumidas pelo grupo foram recolhidas e encaminhadas para análise da Polícia Científica.
● Metomil pode provocar intoxicação grave
O metomil é um inseticida utilizado na agricultura e pode provocar intoxicações graves ao afetar o sistema nervoso.
Entre os sintomas estão náuseas, vômitos, diarreia e dificuldade para respirar. Em quadros mais graves, a intoxicação pode provocar alterações cardíacas, tremores, fraqueza muscular e paralisia da musculatura respiratória, podendo levar à morte.
● Laudos já foram encaminhados
Com a conclusão dos exames, os laudos periciais foram encaminhados à Polícia Civil e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Os documentos devem subsidiar o avanço da investigação e também as medidas de vigilância em saúde relacionadas ao caso.
A Polícia Científica informou que todas as análises seguiram critérios técnico-científicos rigorosos para garantir a confiabilidade dos resultados.
Agora, com a identificação do metomil na bebida artesanal e nos exames de vítimas, a investigação deverá avançar para esclarecer como o inseticida foi parar na “garrafada” consumida durante a feira e em que circunstâncias ocorreu a contaminação.
Redação C/ Todo Segundo
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