Anadia/AL

26 de agosto de 2026

Anadia/AL, 26 de agosto de 2026

Suposto membro do PCC ligado ao filme de Bolsonaro é solto pela Justiça de SP

Alex Leandro Bispo dos Santos, réu por feminicídio e apontado pelo MP como integrante do PCC, deixou a prisão; caso conecta assassinato, crime organizado e esquema de verbas públicas que teria financiado o filme Dark Horse.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 26 de agosto de 2026

B.0

Foto: Divulgação/Polícia Civil

Ivan Longo

A Justiça de São Paulo revogou a prisão de Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, réu por feminicídio e apontado pelo Ministério Público estadual como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Preso desde dezembro do ano passado após ser flagrado agredindo a esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, encontrada morta após cair do 10º andar do prédio do casal em 29 de novembro, Bispo dos Santos deixou a cadeia no dia 10 de agosto, após decisão proferida em 6 de agosto.

O empresário é figura central em investigações que ligam um contrato milionário da prefeitura de São Paulo ao financiamento do longa-metragem Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

Réu por feminicídio e suposto PCC é solto

A decisão de revogar a prisão de Alex Bispo foi assinada pelo juiz Antonio Carlos Pontes de Souza, da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda. O empresário havia sido preso em dezembro do ano passado depois que câmeras de segurança do condomínio registraram a agressão à esposa horas antes de ela ser encontrada morta. Inicialmente tratado como homicídio, o caso evoluiu para feminicídio no curso das investigações, e Bispo dos Santos se tornou réu em fevereiro deste ano.

Ao liberá-lo, o juiz impôs uma série de condições: Alex Bispo não pode se ausentar da cidade por mais de oito dias, não pode mudar de endereço, deve comparecer em juízo bimestralmente e manter o telefone atualizado. Está também proibido de se aproximar das testemunhas do crime, com distância mínima de 500 metros, e de manter contato por telefone ou aplicativos de mensagem com elas. O alvará de soltura foi cumprido no dia 10 de agosto.

O Ministério Público de São Paulo aponta Bispo dos Santos como integrante do PCC, com os apelidos de “Escorpião do PCC” e “Baianão”.

As conexões com o filme de Bolsonaro e desvio de verbas

Antes de ser preso, Alex Bispo era dono da Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda., empresa subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para gerenciar pontos de internet em comunidades da capital paulista. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) repassou ao ICB um contrato de R$ 108 milhões ao ano para o programa de wi-fi em periferias; o ICB, por sua vez, subcontratou a empresa de Bispo por R$ 12 milhões para a instalação dos pontos.

O ICB é presidido pela empresária Karina da Gama, que também é proprietária da produtora Go UP, responsável oficial pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ligação entre a estrutura de conectividade periférica e o projeto audiovisual é o foco central das investigações policiais.

Há fortes indícios de que os valores do contrato público com a prefeitura e emendas parlamentares do grupo bolsonarista tenham sido desviados para custear o longa-metragem, cujos gastos são estimados em R$ 75 milhões, sem apresentação de notas fiscais ou comprovantes de origem do montante.

Repercussão e investigações em andamento

A soltura de Bispo dos Santos não interrompeu as investigações sobre o fluxo de recursos entre o ICB e a produtora do filme. Mesmo após a prisão do empresário pelo assassinato da esposa, a relação contratual entre a ONG e a produtora seguiu ativa: a Favela Conectada mudou de nome para Urban Connect e teve seu controle transferido na Junta Comercial para uma moradora do mesmo endereço de Alex.

Outros prestadores de serviço acionaram o Judiciário denunciando que a empresa operava como estrutura de fachada para sustentar a maquiagem contábil no repasse de verbas.

Diante do avanço das apurações, o ministro do STF Flávio Dino determinou que a Polícia Civil paulista compartilhe em até cinco dias todos os documentos e mídias apreendidos na Operação Wi-fi com a Polícia Federal, que investiga o destino das emendas parlamentares destinadas às empresas de Karina da Gama.

Questionado sobre a soltura, o Tribunal de Justiça de São Paulo recorreu à independência funcional como resposta institucional.

Redação com Revista Fórum


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