
Por Laura Jordão
O pastor e cantor gospel Kleber Lucas reagiu nesta quarta-feira (26) às ofensas que afirma estar recebendo por causa de seu posicionamento político. Em vídeo publicado no Instagram, ele contou que foi procurado por uma jornalista da Folha de S.Paulo após críticas de evangélicos que diziam que ele não representava o Evangelho e estaria “vendido”. Kleber afirmou que não pretende responder individualmente aos ataques e disse que não dará atenção a quem tem o “ódio como mote” de suas convicções.
Ao explicar sua posição, o pastor associou sua atuação política à interpretação que faz da mensagem cristã. “Eu realmente aprendi com Jesus e aprendo com ele que o evangelho é partilha, o evangelho é social”, afirmou. Segundo Kleber, ideias desse tipo têm sido classificadas por críticos como comunistas ou esquerdistas, embora essas categorias políticas sejam muito posteriores ao cristianismo.
Kleber então afirmou que o próprio Jesus poderia ser alvo do mesmo tipo de acusação. “Essas categorias são muito recentes diante da mensagem de Jesus de Nazaré, que possivelmente seria também taxado pelas mesmas infâmias com que eu tenho sido tratado”, disse. Na terça-feira (25), a Folha publicou uma reportagem sobre ataques à identidade religiosa de evangélicos ligados à esquerda e citou Kleber entre os alvos desse movimento.
O pastor também se declarou favorável ao “controle da mídia”, expressão que relacionou ao nível de agressividade do debate público, mas sem detalhar qual modelo de regulação defende. “As pessoas têm se tornado muito ofensivas”, afirmou. Na mesma gravação, disse esperar que “algumas falas sejam criminalizadas” diante do que classificou como um ambiente de ódio nas redes, sem especificar quais manifestações deveriam ser enquadradas dessa forma.
Kleber ressaltou, por outro lado, que não cobra alinhamento político dos integrantes da Soul Igreja Batista, que lidera. “Você vota em quem você quiser, o voto é livre”, disse. Ele contou que um amigo chegou a lhe dizer: “Eu te amo, mas não voto no seu candidato”. Para o pastor, esse tipo de divergência faz parte da convivência democrática; o problema começa quando a discordância passa para a “ofensa” e a “agressão”.
O cantor tornou explícita sua aproximação com o PT nos últimos anos e, nesta eleição, integra como segundo suplente a chapa de Benedita da Silva ao Senado pelo Rio de Janeiro. O registro da chapa ainda aparece como aguardando julgamento. Kleber também participou de atos da campanha de Lula e cantou ao lado da primeira-dama Janja o jingle eleitoral do presidente.
Os ataques relatados agora são um novo capítulo de um processo que Kleber já vinha descrevendo. Em agosto, o DCM mostrou que o pastor passou a enfrentar hostilidade e perdeu espaço em igrejas depois de recusar púlpitos identificados com Jair Bolsonaro. Na nova manifestação, ele afirmou que continuará defendendo suas convicções e encerrou dizendo que considera uma “grande incoerência” a prática de agressões por pessoas que dizem falar em nome de Jesus.
Redação C/ DCM

















