O “caso David” ganhou novos desdobramentos após a Polícia Civil do Espírito Santo detalhar como o atacante do Vasco entrou no radar da investigação. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pelo “g1”, conversas encontradas no celular de Édson Vander da Silva Júnior, ex-agente do jogador, levaram os investigadores a apurar uma possível participação financeira do atleta nas atividades do grupo.
O novo desdobramento da operação “A Tropa” revelou que Édson administrava a carreira e controlava a vida financeira de David enquanto, segundo a Polícia Civil, também exercia posição de liderança no tráfico de drogas em Serra Dourada III, na Serra, na Grande Vitória.
A investigação teve origem em uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024. Após a prisão de Édson, em agosto daquele ano, a análise judicialmente autorizada de seu celular identificou três conversas com David consideradas relevantes pela Polícia Civil. Os diálogos envolvem comentários sobre a vítima do crime, uma fotografia de arma de fogo e um pedido de dinheiro para substituir o veículo utilizado na ação.
Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, o conteúdo das conversas levou os investigadores a examinar uma possível participação financeira do jogador na estrutura criminosa. Até o momento, porém, a Polícia Civil não apresentou uma conclusão pública que atribua a DVD participação direta nos crimes investigados, e parte do material permanece sob sigilo.
– O investigado tinha como agente um traficante. Ele controlava a vida financeira, a carreira do investigado, e era um traficante também. Posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos – afirmou Mori.
As mensagens que colocaram David no radar
A ligação entre David e a investigação surgiu a partir da prisão de Édson Vander, em 20 de agosto de 2024, em Vila Velha. Na mesma operação, Ruan de Freitas Camargo Cruz também foi preso. Segundo a Polícia Civil, os dois haviam assumido o controle do tráfico em Serra Dourada III após a morte do antigo chefe da região.
A investigação aponta que os suspeitos atuavam na compra de drogas, armas e munições, além da organização de tarefas e de movimentações financeiras. Com a apreensão do celular de Édson, a Polícia Civil obteve autorização judicial para analisar o conteúdo do aparelho e encontrou conversas diretas entre o ex-agente e o atacante do Vasco.

David comemora gol da virada do Vasco contra o Olimpia. (Foto: DANIEL DUARTE / AFP)
Três diálogos chamaram especialmente a atenção dos investigadores. O primeiro ocorreu após uma tentativa de homicídio registrada em 15 de março de 2024, no bairro Novo Porto Canoa, na Serra.
Segundo a investigação, a vítima havia sido sequestrada em Serra Dourada III sob a suspeita de repassar informações sobre as atividades do tráfico para um grupo rival. O homem foi levado em um veículo e atingido por disparos, mas sobreviveu.
Após receber informações de Édson sobre o ataque e o estado de saúde da vítima, David teria respondido que ela “mereceu tomar uns tiros mesmo”, segundo o material apresentado pela Polícia Civil e divulgado pelo g1.
Em outro diálogo, Édson enviou ao jogador uma fotografia de uma pistola. De acordo com os investigadores, a resposta atribuída ao atacante foi: “Tem que matar um para ver de qual é”.
A terceira conversa envolve o veículo utilizado na tentativa de homicídio. Três dias depois do crime, um dos investigados enviou um áudio a Édson pedindo que ele intermediasse com David um pedido de dinheiro emprestado para substituir o carro, que estaria, nas palavras dos envolvidos, “queimado” por ter sido usado na ação.
Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, foi o conjunto desses três diálogos que levou a Polícia Civil a investigar uma possível participação financeira de David na estrutura criminosa.
— Esses diálogos chamaram nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas no bairro pelo investigado — explicou o delegado.
Ex-agente controlava carreira e finanças, diz polícia
O conteúdo encontrado no celular também colocou a relação entre David e Édson no centro da investigação. Segundo a Polícia Civil, o então agente administrava a carreira e a vida financeira do jogador no período em que, paralelamente, era apontado como uma das lideranças do tráfico em Serra Dourada III.
A Polícia Civil afirma que Édson e outro investigado passaram a controlar as atividades criminosas na região após a morte do antigo chefe do grupo. A análise de seu celular, segundo as autoridades, encontrou conversas relacionadas à aquisição de drogas, armas, munições, valores e à divisão de funções.
Foi a partir do material extraído do aparelho que a investigação avançou para uma análise mais ampla. Os dados foram compartilhados com o Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT), responsável pelo aprofundamento das investigações que resultaram na Operação A Tropa.
A ação, deflagrada na última segunda-feira, cumpriu mandados de busca e apreensão e prisões temporárias em quatro estados. David foi um dos alvos das buscas no Rio de Janeiro, em um desdobramento já noticiado pelo Lance!.

David no CT do Vasco durante operação da Polícia Civil. (Foto: Reprodução)
Operação teve buscas na casa de David e no CT do Vasco
A residência do atacante, na Barra da Tijuca, foi alvo de busca durante a operação. Dois celulares de David foram apreendidos pelos policiais, e os aparelhos deverão ser analisados no andamento da investigação.
Depois da ação em sua casa, o jogador seguiu para o centro de treinamento do Vasco, em Jacarepaguá, onde policiais também cumpriram buscas. Nenhum material foi apreendido no local. A Polícia Civil ressaltou que o Vasco não é alvo da investigação e que o clube colaborou com as autoridades durante o cumprimento dos mandados.
Os investigadores agora buscam confrontar os dados já encontrados no celular de Édson com eventuais informações presentes nos aparelhos apreendidos com David. A Polícia Civil também apura o alcance das relações financeiras e pessoais mantidas pelo jogador com os investigados.
Segundo o g1, a investigação procura esclarecer se eventuais transferências de dinheiro e contatos mantidos por David tinham natureza exclusivamente pessoal ou alguma ligação com as atividades da organização investigada.
As investigações seguem sob sigilo. Até o momento, a Polícia Civil não apresentou publicamente uma conclusão que atribua ao atacante participação direta nos crimes apurados. O Vasco informou anteriormente ao Lance! que colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações.
Fonte: Gazeta Web

















