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Por Coluna do Matheus Leitão
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu, nesta terça-feira (22/9), uma investigação contra Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e Mario Frias para apurar suspeitas de uso indevido dos meios de comunicação e abuso dos poderes econômico e político em uma rede de collabs no Instagram. A coluna antecipou que o PT havia entrado com a ação.
Ao admitir a ação da coligação de Lula, o corregedor em exercício, Ricardo Villas Bôas Cueva, apontou indícios de articulação entre os perfis e destacou o risco decorrente da expansão da rede às vésperas da eleição.
Apresentada no domingo (20/9), a ação trata de publicações compartilhadas entre contas de candidatos e páginas de apoio. Nas collabs, uma mesma postagem circula nos perfis dos coautores após o aceite de um convite.
A acusação sustenta que esse recurso está sendo usado de forma coordenada para ampliar a propaganda eleitoral por meio de páginas não declaradas à Justiça Eleitoral.
Os links de venda acrescentaram uma dimensão comercial à investigação. Segundo a decisão, os perfis que divulgam esses endereços também veiculam propaganda dos investigados e integram o agrupamento de maior audiência da rede.
Para Cueva, a coincidência dos links entre contas apresentadas como independentes indica, nesta análise preliminar, divulgação articulada com destinação comercial comum.
O ministro apontou a possibilidade de os responsáveis obterem benefício econômico com vendas realizadas a partir do conteúdo eleitoral.
A documentação também mostra como a rede cresceu. O primeiro levantamento, que fundamentou a ação, identificou 492 collabs e 324 perfis em publicações feitas até 7 de setembro. Entre os participantes estava Mario Frias, presente em 10 collabs, nove delas com a página @flaviobolsonaroapoio.
Uma nova coleta, entre 8 e 17 de setembro, acrescentou 1.334 publicações compartilhadas e 168 perfis, elevando o total a 1.826 collabs e 492 contas.
Esse avanço em apenas 10 dias pesou na decisão de conceder medidas urgentes antes da votação: “O perigo de dano é igualmente evidente. A eleição se realizará em 4 de outubro de 2026, e, em juízo de cognição sumária, próprio das medidas cautelares, é possível aferir que a atividade impugnada está em expansão acelerada, tendo a própria investigante demonstrado o relevante crescimento do volume de publicações em coautoria no intervalo de 10 dias”.
Cueva determinou que a empresa responsável pelo Instagram suspenda, em 48 horas, os links de venda indicados e preserve os registros da rede, inclusive de contas que já ficaram indisponíveis.
A empresa deverá fornecer dados para identificar os operadores dos perfis especificados na decisão e os vínculos entre essas contas. A Shopee terá de identificar os responsáveis pela loja Bella Chic Store e pelos links comerciais. O descumprimento de cada determinação poderá gerar multa diária de R$ 50 mil.
Flávio, Gaspar e Frias terão cinco dias para apresentar defesa. Depois, o processo seguirá para a Procuradoria-Geral Eleitoral. A coligação pede a cassação dos registros de candidatura e a inelegibilidade dos investigados por oito anos, medidas que ainda dependem do julgamento da ação.
Fonte: Metrópoles
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