
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o apoio de dezenas de artistas em um grande ato realizado na noite desta quarta-feira (23), na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, e apresentou como uma das prioridades de um eventual quarto mandato uma ampla transformação cultural das periferias brasileiras. O encontro, batizado de “Cultura com Lula”, reuniu cerca de cem representantes do setor cultural e ocorreu a 11 dias do primeiro turno das eleições presidenciais.
Cultura como política de Estado
Um dos principais compromissos apresentados por Lula foi a defesa de uma emenda constitucional para consolidar a cultura como política de Estado. A proposta busca assegurar a continuidade dos investimentos e programas culturais independentemente das mudanças de governo, reduzindo a vulnerabilidade do setor às oscilações políticas.
A ideia está associada à avaliação de Lula sobre o que ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que o Ministério da Cultura foi extinto e incorporado inicialmente ao Ministério da Cidadania. Para o presidente, a experiência demonstrou a necessidade de criar mecanismos permanentes de proteção às políticas culturais.
Lula também defendeu a descentralização dos investimentos. Em sua visão, teatros, cinemas, bibliotecas, centros culturais e oportunidades para criação artística não podem permanecer concentrados nas áreas mais ricas e centrais das grandes cidades.
A proposta é fazer da cultura um instrumento de transformação das periferias, permitindo que crianças e jovens tenham contato com diferentes formas de expressão artística e, ao mesmo tempo, criando condições para que talentos surgidos nas próprias comunidades possam produzir e circular.
Uma revolução cultural nas periferias
A concepção apresentada pelo presidente parte da ideia de que cultura não deve ser tratada como privilégio, mas como direito. Nesse sentido, ampliar o acesso à produção cultural significaria também fortalecer cidadania, pertencimento e reconhecimento social.
O projeto defendido no encontro busca inverter a lógica tradicional de concentração dos equipamentos culturais. Em vez de esperar que moradores das periferias se desloquem até os grandes centros para consumir cultura, o objetivo seria aproximar os investimentos públicos das comunidades e estimular a produção artística local.
A estratégia também procura ampliar a diversidade das manifestações culturais contempladas pelas políticas públicas, incorporando expressões produzidas nas periferias, no interior e em diferentes regiões do país.
Artistas entram na reta final da campanha
O encontro no Rio acontece em um momento de mobilização crescente do setor cultural em favor da reeleição de Lula. Nos últimos dias, artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Malu Mader, Sophie Charlotte, Xamã e Zélia Duncan participaram de manifestações públicas de apoio à candidatura do presidente.
Durante o ato na Fundição Progresso, Lula também relacionou cultura e democracia e convocou os artistas a participarem do debate público nesta reta final da eleição.
O presidente afirmou que o setor cultural desempenha papel relevante na defesa das liberdades democráticas e na resistência a projetos autoritários. Para Lula, artistas têm capacidade de dialogar com parcelas amplas da sociedade e contribuir para debates que ultrapassam a própria produção cultural.
Além das propostas estruturais para o setor, o encontro abordou outros temas da agenda nacional. Daniela Mercury, por exemplo, defendeu o fim das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, proposta que também foi reiterada por Lula durante o evento.
Ao colocar a cultura no centro de sua agenda para um eventual novo mandato, Lula procura associar a reconstrução das políticas públicas do setor a uma ambição mais ampla: fazer da presença do Estado nas periferias não apenas uma resposta às carências sociais, mas também um caminho para ampliar oportunidades, criatividade, identidade e participação na vida cultural brasileira.
* Brasil 247


















