O deputado federal Arthur Lira, do Progressistas, sai consagrado das urnas com a vitória para senador. Eleito em primeiro lugar, ele já é tratado pelos aliados mais festivos como virtual presidente do Senado a partir de 2027. Assim, repetiria o roteiro que o levou a presidir a Câmara Federal, sendo eleito e reeleito nos mandatos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Do jeito que falam por aí, a parada já está decidida.
Menos. Embora tenha sim as condições para tentar esse voo ainda mais alto do que na Câmara, não é tão simples assim. A verdade é que quem desponta como forte favorito para presidir o Senado é Rogério Marinho, da tropa de choque na campanha de Flávio Bolsonaro. A vantagem do senador sobre o alagoano tem a ver com a força do PL.
O partido dos Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto elegeu nada menos que 19 senadores neste domingo. Somados aos que já estavam lá, passa a ter a maior bancada, com 28 membros. O número representa um terço da chamada Casa Alta. Montado nessa avalanche de votos, é o PL que tem tudo para decidir quem vai presidir a bagaça.
É verdade que Lira teve o apoio declarado dos Bolsonaro na eleição alagoana. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é a hora do vamos ver. Valdemar não esperou nem o sol raiar nesta segunda-feira, dia seguinte ao resultado das urnas, e anunciou que todas as fichas do partido vão para seu quadro próprio – o potiguar Marinho.
Faz todo o sentido. O PL quer ter controle absoluto sobre a agenda e a pauta dos senadores. Obsessão primeira e inegociável: o impeachment de ministros do STF, especialmente de Alexandre de Moraes. Afora isso, a prerrogativa de abertura de CPI e a aprovação de emendas à Constituição estão entre as prioridades da legenda.
Com esse poder de artilharia inédito, pensa o PL sobre chefiar o Senado: se não agora, quando? É claro que tem de ser para ontem. O panorama desenhado, portanto, não é nada favorável ao alagoano – mesmo que Arthur Lira seja bastante jeitoso com o campo da ultradireita. Mais do que isso, ele é uma legítima espécie dessa tribo.
Mas nada como ter um dos seus numa candidatura puro sangue, a garantia de fidelidade plena às tramas do bolsonarismo. Sim, Lira terá peso nas negociações, mas não é favorito ao posto – longe disso – pelos fatores expostos acima. De novo: se podemos ter um dos nossos, por que arriscar com um intermediário? O cara é Rogério Marinho.
Quanto ao atual presidente, Davi Alcolumbre, já respira por aparelhos. Sua reeleição ao posto está praticamente descartada. Salvo um milagre que não tem como acontecer.
*Cada Minuto

















