Anadia/AL

7 de outubro de 2026

Anadia/AL, 7 de outubro de 2026

Gaza soma mais de 74 mil mortos e serviços devastados após três anos de guerra genocida

Guerra israelenses em Gaza destruíu moradias, escolas e hospitais; mortes continuam mesmo após o cessar-fogo anunciado em outubro de 2025.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 7 de outubro de 2026

Mundo

Bombardeio das Forças de Defesa de Israel em Gaza - Crédito: Reprodução Vídeo

A guerra genocida de Israel na Faixa de Gaza deixou mais de 74.245 palestinos mortos e devastou moradias, escolas, hospitais e estruturas essenciais à sobrevivência da população ao completar três anos nesta quarta-feira (7). Segundo reportagem da Al Jazeera, que reúne dados de autoridades palestinas e organismos internacionais, os ataques continuaram após o cessar-fogo anunciado em outubro de 2025, período em que o Ministério da Saúde de Gaza contabilizou outras 1.462 mortes, incluídas no balanço do conflito.

A ofensiva israelense começou após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Desde então, bombardeios e operações terrestres destruíram bairros e comprometeram redes de abastecimento, transporte e comunicação. O cessar-fogo anunciado dois anos depois não interrompeu os ataques nem permitiu a recuperação dos serviços básicos.

Famílias vivem em tendas e enfrentam escassez de água

Em setembro, 94% da população de Gaza ainda necessitava urgentemente de abrigo e assistência doméstica básica, segundo as Nações Unidas. Cerca de 65% das famílias estavam em tendas ou estruturas improvisadas, com pouca proteção contra as condições climáticas.

Além da perda das moradias, muitas famílias não tinham camas adequadas, iluminação, utensílios para preparar alimentos ou instalações sanitárias. Ataques israelenses e ordens de evacuação obrigaram moradores a abandonar suas casas repetidamente.

O abastecimento de água também se deteriorou. No início de agosto, 91% dos domicílios avaliados pela ONU enfrentavam insegurança hídrica de moderada a elevada intensidade. Em junho, a proporção era de 84%.

Sem uma rede elétrica em funcionamento, residências e serviços essenciais passaram a depender de geradores. A escassez de combustível, óleo para motores e peças de reposição limita essa alternativa.

Estradas e redes de comunicação danificadas dificultam deslocamentos, acesso à internet e chamadas telefônicas. Buscar água, carregar um celular, cozinhar ou chegar a um serviço de atendimento exige recursos e planejamento em meio à destruição.

Hospitais operam parcialmente e tratamentos são interrompidos

Dos 36 hospitais de Gaza, apenas 19 permanecem em funcionamento, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nenhum opera com capacidade plena.

As unidades que continuam atendendo enfrentam falta de medicamentos essenciais, equipamentos, materiais para diagnóstico e combustível. Essas carências prejudicam tratamentos contra o câncer, sessões de diálise e o acompanhamento de pessoas com doenças crônicas.

Desde outubro de 2023, aproximadamente 12,4 mil pacientes foram retirados de Gaza para receber atendimento médico. A OMS afirma, entretanto, que dezenas de milhares ainda precisam de cuidados especializados indisponíveis no território.

Em setembro, a organização alertou que a concentração de pessoas em abrigos precários, associada à insuficiência de água e saneamento, aumenta o risco de surtos de doenças. O sistema de saúde não dispõe de condições para responder adequadamente a essas ameaças.

A OMS defendeu acesso humanitário contínuo, fornecimento de medicamentos e equipamentos, recuperação das unidades de saúde e ampliação das retiradas de pacientes para tratamento fora de Gaza.

Quase três anos sem aulas presenciais regulares

A destruição das escolas comprometeu a educação de centenas de milhares de crianças. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), quase 98% das unidades escolares foram danificadas ou destruídas. Parte dos prédios que permaneceram de pé passou a abrigar famílias deslocadas.

Até abril de 2026, cerca de 700 mil crianças e adolescentes de quatro a 17 anos haviam perdido quase três anos consecutivos de ensino presencial. Para muitos estudantes, tendas e espaços temporários se tornaram a única possibilidade de acompanhar atividades educativas.

Aproximadamente 200 mil crianças não têm acesso à educação. O Ministério da Educação palestino advertiu sobre a perda de habilidades básicas e o crescimento da defasagem escolar, com consequências para a formação de toda uma geração.

Desemprego chega a 78% e preços permanecem elevados

A destruição de empresas e atividades produtivas eliminou empregos e reduziu a renda das famílias. Em estimativa divulgada em setembro, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento apontou que 92% dos estabelecimentos econômicos de Gaza haviam sido danificados ou destruídos desde outubro de 2023.

O desemprego atingiu 78%. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante correspondia a aproximadamente 17% do nível registrado em 2022.

Agricultura e indústria operavam, cada uma, com apenas 6% da produção de 2022. Na construção, a atividade havia recuado para 1% daquele patamar.

As restrições à circulação de mercadorias agravaram a crise. Historicamente, a maior parte do comércio de Gaza com o exterior passa por pontos de travessia controlados por Israel. Em setembro, os preços continuavam cerca de 200% acima dos níveis anteriores a outubro de 2023, segundo a ONU.

Sem emprego ou renda suficiente, famílias passaram a depender de ajuda financeira humanitária, dívidas e pequenos trabalhos informais. À Al Jazeera, o pesquisador de economia Rami al-Zaygh afirmou que a guerra havia “feito a sociedade retroceder décadas”, com o retorno de antigas profissões e o surgimento de atividades realizadas com ferramentas básicas e os recursos disponíveis.

A falta de dinheiro em espécie também alterou as transações. Pagamentos digitais e carteiras eletrônicas passaram a ser utilizados como alternativa às cédulas.

Controle militar restringe o espaço para a população

Em setembro, o Observatório Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos informou que o controle militar israelense e as restrições de acesso abrangiam aproximadamente 70% de Gaza. Mais de dois milhões de palestinos estavam concentrados em menos de 30% da Faixa.

A chamada Linha Amarela, estabelecida no âmbito do cessar-fogo de outubro de 2025, delimita áreas de presença militar israelense e acesso restrito. Segundo a reportagem, Israel avançou essa demarcação para dentro de áreas povoadas, provocando novos deslocamentos.

Rafah, no sul de Gaza, junto à fronteira com o Egito, exemplifica essa transformação. A cidade chegou a receber mais de um milhão de palestinos que fugiam de outras regiões durante a guerra.

A operação militar israelense iniciada ali em maio de 2024 deslocou mais de 800 mil pessoas, segundo a ONU. Atualmente, quase toda Rafah está sob controle israelense, com exceção da área ocidental de Mawasi Rafah, impedindo o retorno de moradores às suas casas.

Em alerta divulgado em 29 de setembro, o observatório afirmou que a expansão das áreas controladas por Israel consolidava o deslocamento forçado e privava palestinos do acesso a moradias e terras, sem garantias de retorno.

Administração enfraquecida e perda de segurança

A guerra também desestruturou a administração civil e os mecanismos de segurança de Gaza, governada pelo Hamas desde 2007. Em julho, o grupo anunciou que transferiria os poderes administrativos ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, órgão tecnocrático palestino criado no âmbito do plano para o pós-guerra. A transição ainda não ocorreu.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos registrou pelo menos 12 ataques israelenses contra a polícia entre janeiro e maio de 2026. As ações deixaram 53 mortos, incluindo 35 policiais.

Segundo a ONU, os ataques a instituições da administração pública contribuíram para a desordem e prejudicaram a proteção dos civis. O Centro Palestino para os Direitos Humanos também relacionou o enfraquecimento das forças policiais e de segurança ao avanço de sequestros, ataques a propriedades e saques de ajuda humanitária.

* Brasil 247

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