Por: Diego Feijó de Abreu
A denúncia foi divulgada por Felipe nas redes sociais e relatada pelo portal Tribuna do Sertão. Vídeos da abordagem circulam no Instagram e provocaram acusações de repressão à livre manifestação. A polícia ainda não esclareceu publicamente o motivo da condução do porteiro.
Veja as imagens divulgadas pelo Jovens Pela Democracia:
O caso também foi divulgado pelo perfil Esquerda Maceió, que publicou imagens relacionadas à ocorrência.
Veja a publicação do Esquerda Maceió:
Bolsonarista teria ameaçado participantes do panelaço contra Flávio
O panelaço foi convocado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e ganhou as ruas durante a entrevista de Flávio Bolsonaro ao Jornal Nacional. Manifestações semelhantes foram registradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza e outras cidades.
Em Maceió, Felipe decidiu participar do protesto na frente do prédio onde mora. Levava uma panela e uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O porteiro também aderiu à manifestação, ao lado de moradores e vizinhos.
Segundo seu depoimento, um motorista que passava pelo local reagiu ao protesto com gestos obscenos, xingamentos e ameaças.
Felipe conta que continuou balançando a bandeira de Lula, enquanto o porteiro passou a bater na panela com mais força para abafar as provocações.
O homem, então, teria parado o carro e descido para confrontar os manifestantes.
“Veio em nossa direção chamando pra briga, dizendo que queria brigar, que queria resolver aquilo na porrada”, contou Felipe.
Segundo o morador, a situação piorou quando o motorista tentou escalar a parede do prédio. Os participantes do panelaço não teriam aceitado a provocação.
O próprio homem apontado como responsável pelas ameaças teria acionado a Polícia Militar.
PM leva porteiro que participava do protesto
A chegada dos policiais teve um desfecho que provocou indignação entre os moradores: o porteiro acabou conduzido pelos agentes.
Vídeo divulgado pelo perfil Jovens Pela Democracia mostra o trabalhador, vestido com uma camisa azul, cercado por policiais no interior do edifício. Um dos agentes conversa com ele enquanto outros acompanham a abordagem.
Felipe afirma que os policiais chegaram a tentar algemar o porteiro. Ao perceber a situação, subiu ao apartamento e usou o interfone para chamar outros moradores, pedindo que descessem e registrassem a ocorrência.
O vídeo foi compartilhado com denúncias de possível violação de direitos humanos e questionamentos sobre o tratamento dado ao trabalhador.
Morador denuncia ameaças e questiona atuação da polícia
Após o episódio, Felipe gravou um depoimento detalhando o que havia ocorrido. O relato foi feito durante a madrugada de sábado (17), quando ele já estava em casa.
O morador afirma que existem registros das ameaças e que procurou a polícia para formalizar uma ocorrência contra o motorista.
Ele também menciona a lavratura de um termo circunstanciado, mas não esclarece contra quem o documento foi registrado ou qual infração teria motivado o procedimento.
O ponto central da denúncia é o tratamento dado ao porteiro: segundo a testemunha, o trabalhador não ameaçou ninguém, apenas participou de um protesto político, mas acabou sendo levado pelos policiais.
Ainda não há confirmação independente de que o motorista tenha sido identificado ou responsabilizado pelas ameaças denunciadas.
Assista ao depoimento de Felipe Verlaine:
Liberdade de manifestação e falta de explicações
A condução do porteiro levanta questionamentos sobre a atuação da Polícia Militar durante manifestações políticas. A Constituição Federal garante a liberdade de expressão e o direito de reunião pacífica, direitos que não dependem da preferência partidária dos participantes.
O artigo 5º da Constituição assegura essas garantias e estabelece parâmetros para a atuação do poder público.
A polícia pode intervir diante de suspeitas de infração, mas a condução de qualquer pessoa precisa ter justificativa legal. Participar de um panelaço, por si só, não configura crime.
Também é necessário distinguir uma condução policial de uma prisão em flagrante. Embora publicações nas redes sociais afirmem que o porteiro foi preso, ainda não foi possível confirmar a formalização de uma prisão ou se o trabalhador permaneceu detido.
Até a conclusão desta reportagem, não foi localizada explicação oficial da Polícia Militar de Alagoas sobre os motivos da abordagem, a alegada tentativa de uso de algemas e o destino do trabalhador após ser levado pelos agentes.
O episódio ocorreu em meio à mobilização política para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
O panelaço de sexta-feira, convocado por Janones, aconteceu poucos dias depois das decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que restringiram temporariamente o funcionamento do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado.
O canal foi suspenso após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e voltou a funcionar após novas decisões e o cumprimento de exigências da Justiça Eleitoral.
O espaço segue aberto para manifestações da Polícia Militar de Alagoas, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e dos demais citados.
*Revista Forum
















