
Referência para a equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente argentino Javier Milei lançou nesta segunda-feira (19) um plano de demissão voluntária com o qual pretende eliminar mais 20 mil postos na administração pública, segundo a Folha de S. Paulo. No mesmo dia, o argentino ironizou as dificuldades para chegar ao fim do mês com dinheiro e classificou esse diagnóstico como uma “babaquice” promovida pelo kirchnerismo.
Durante um discurso na Argentina Oil & Gas Expo Patagonia, em Neuquén, Milei repetiu a afirmação de que dois terços dos argentinos ficam sem dinheiro antes de terminar o mês e questionou o que ela significa. “Se ficam realmente sem dinheiro no dia 20, podem me dizer como fazem para viver dez dias sem comer e sem beber?”, perguntou, em tradução do espanhol.
O presidente acusou adversários políticos e integrantes da imprensa de promover uma operação contra seu governo. Depois de perguntar se ninguém havia pensado no assunto, voltou a desqualificar a expressão: “A frase soa bonita, mas é uma babaquice do tamanho de uma casa”. Na sequência, atacou os “filhos da puta que foderam o país” e afirmou que os governos anteriores levavam a Argentina a Cuba, “com escala na Venezuela”.
A política econômica argentina foi apresentada como modelo pela equipe de Flavio Bolsonaro. Em setembro, a coordenadora Daniella Marques chamou Milei de “um ótimo exemplo” e afirmou que a campanha havia mapeado mais de mil normas para revogar, inspirada nas medidas de desregulamentação e redução de impostos adotadas pelo argentino.
O novo programa de desligamentos começará em 1º de novembro e ficará aberto por um mês. Os valores e as formas de pagamento serão definidos conforme a idade e o tempo de serviço dos trabalhadores. Quem aderir ficará impedido de retornar à administração pública por oito anos.
Segundo números divulgados em setembro pelo ministro de Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, o Estado nacional perdeu 77.500 empregos desde a chegada de Milei à Presidência, em dezembro de 2023, o equivalente a 21% dos postos. Os 20 mil desligamentos pretendidos agora são uma meta adicional, ainda dependente de adesões. A informalidade no mercado de trabalho argentino está em torno de 45%, após crescer três pontos percentuais em três anos, segundo a reportagem.
O governo apresenta o programa como uma forma de melhorar a distribuição dos recursos públicos. Sturzenegger afirmou que a gestão continua buscando maneiras de reduzir despesas para baixar impostos. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) anunciou uma marcha contra a iniciativa. “Não é desligamento voluntário, é demissão extorsiva”, declarou o secretário-geral do sindicato, Rodolfo Aguiar.
Fonte: DCM


















