
Com mais de 243 mil espectadores e cerca de R$ 5,35 milhões arrecadados nos primeiros 11 dias em cartaz, ‘Se Eu Fosse Você 3’ marca o retorno de uma das franquias mais populares do cinema brasileiro, que levou quase 10 milhões de pessoas às salas com os dois primeiros filmes. Lançada no início de outubro, a nova comédia traz uma mudança importante: desta vez, é Cleo Pires quem assume o protagonismo da troca de corpos que consagrou sua mãe, Gloria Pires, ao lado de Tony Ramos. Na pele de Bia, filha de Helena e Cláudio, Cleo contracena com Rafael Infante, intérprete de Aquiles, seu marido na ficção. Ao interpretar uma mulher adulta que precisa lidar com os desafios do casamento e da convivência, a atriz reconhece na personagem questões que também fazem parte do próprio amadurecimento. “A Bia traz uma reflexão de que amadurecer não é ter tudo resolvido, é aprender a lidar com o que não está linear também. Identifico nela a vontade de fazer dar certo e a dificuldade de se escutar no meio disso, que é algo que venho cada vez mais prestando atenção e priorizando. Hoje consigo diminuir os ruídos melhor, me atentar ao que de fato me faz bem”, analisa Cleo.
Fora das telas, Cleo conhece ainda os desafios de construir a própria identidade em meio às expectativas e aos julgamentos alheios. Filha de Glória Pires e Fábio Jr., cresceu cercada de referências artísticas e conviveu com comparações familiares desde o início da carreira. Embora nunca tenha se incomodado com essa associação, reconhece que, ao longo da trajetória, buscou conquistar seu espaço e ser reconhecida pelo próprio trabalho:
Nunca me incomodei com comparações porque tenho orgulho de onde venho. Mas é claro que, como tempo, quis que o meu trabalho falasse por si. Construí a minha identidade escolha por escolha, errando e acertando, mas sempre fiel ao que eu sentia – Cleo Pires

(Foto: Reprodução/Instagram)
Por trás da imagem pública de mulher forte, independente e segura de suas escolhas, Cleo, aos 44 anos, admite que nem sempre foi fácil lidar com a exposição e as expectativas dos outros. Em entrevista exclusiva, ela fala sobre aspectos menos conhecidos de sua personalidade, os conflitos que marcaram essa jornada e o processo de aprendizado que transformou a maneira como passou a se enxergar e a estabelecer limites nas relações. “Existem muitas fragilidades, sou um ser humano como qualquer outro. Sempre fui mais tímida, até mesmo hoje em dia. Precisei aprender a contornar isso. Durante muitos anos tive uma relação complicada com a minha própria imagem e que moldou muito a forma como eu me via e como permitia que outras pessoas me tratassem. Com terapia e uma rede de acolhimento muito boa, aprendi a ter um carinho maior comigo mesma, a ter mais paciência e amor com as minhas vulnerabilidades. E entender que tudo bem também estar mais frágil em algum momento”, divide.

(Foto: Reprodução/Instagram)
A exposição também trouxe cobranças que ultrapassaram sua atuação profissional. Ao refletir sobre os julgamentos que mais a afetaram ao longo do tempo, Cleo questiona a maneira como a aparência feminina é constantemente submetida à avaliação. E nesse processo de amadurecimento, conta que encontrou na vida longe da cidade uma importante fonte de equilíbrio. Há cerca de dois anos, vive com o marido, o empresário Leandro D’Lucca, em um sítio no sul de Minas Gerais, onde adotou uma rotina mais próxima da natureza:
Eu já passei, e ainda passo, por tanta coisa que é difícil escolher um só julgamento. No geral, quando envolvia meu corpo era algo que me atravessava mais dolorido. As pessoas fazem do corpo da mulher um lugar público, passível de comentários e opiniões. Agora isso já não me afeta tanto, muito porque consegui manter uma relação mais saudável com as redes sociais, não fico mais tão ativa como era antes e consigo me blindar de uma maneira mais eficaz. Também faço terapia há muitos anos. Ir para o sítio, onde moro agora, é fundamental para mim. Aprendi que estar rodeada por natureza, mexer na terra, plantar, cuidar dos meus animais, me estabiliza de novo – Cleo Pires

(Foto: Fagner Soares)
Com uma trajetória que transita entre atuação, música e outras formas de expressão, Cleo não pretende limitar suas escolhas profissionais a um único caminho: quer manter a liberdade de experimentar. Entre os planos para o futuro, revela o desejo de se aventurar em um território ainda inexplorado em sua carreira: o teatro. E fala do que a atrai nas escolhas: “O projeto tem que fazer sentido para mim, seja ele musical ou artístico. Seja a personagem, a história ou o momento em que me encontro. Pretendo seguir fazendo o que amo, independente do segmento. Não procuro ficar definindo muito os projetos, porque isso pode ser limitador. Penso muito em fazer teatro, é um segmento que nunca me desafiei antes e tenho sentido cada vez mais essa vontade de experimentar. Vamos ver o que o futuro me reserva!”, diz Cleo, ao revelar a vontade de explorar um caminho artístico, que diferentemente dela, sua mãe, Glória Pires, não demonstrou interesse em percorrer.
Amor, família e a liberdade de ser quem é
O reencontro com Glória Pires em ‘Se Eu Fosse Você 3’’ também permite a Cleo dividir a cena com alguém que conhece em duas dimensões: como mãe e colega de profissão. Ao falar sobre características da Glória atriz, destaca sua postura nos bastidores e a influência que teve em sua formação pessoal. “Ela é uma profissional extremamente generosa. Tem um cuidado e respeito pelo ofício muito grande, mas principalmente por todos no set que fazem aquilo acontecer”. E acrescenta:
Como mãe, foi muito sábia em saber como me conduzir nos momentos de maior dificuldade. Ela nunca tentou me moldar da forma como achava que seria o ideal, eu tive muita liberdade para ser quem eu sou. Não acho que seja algo fácil de se fazer, mas minha mãe soube administrar isso com maestria – Gloria Pires

Gloria e Cleo Pires estão em ‘Se Eu Fosse Você 3’: mãe e filha na vida e na ficção (Foto: Divulgação)
A autonomia e a clareza de fazer as próprias escolhas também se reflete na maneira como Cleo compreende o amor. Casada com Leandro D’Lucca desde 2021, a atriz reflete sobre o que mudou em sua percepção dos relacionamentos com a maturidade e sobre a parceria que construiu na vida pessoal.
Aprendi que amor é escolha e construção diária, precisa de manutenção, de atenção. É conversa e paciência, não só intensidade. Quando era mais nova, achava que amor era sentir muito, tanto o bom quanto o ruim. Hoje, sei que é saber ficar quando nos faz bem e trabalhar para manter essa sincronia. Gosto de pensar que estou sempre vivendo o meu melhor momento, então hoje com mais maturidade e tendo encontrado o parceiro certo, estou muito feliz – Cleo Pires
E, se a franquia ‘Se Eu Fosse Você’ parte da possibilidade de experimentar a vida de outra pessoa, Cleo encerra a conversa com uma resposta bem-humorada. Questionada sobre com quem gostaria de trocar de lugar por um dia, surpreende ao escolher o pai, Fábio Jr.: “Escolheria o meu pai Fábio, pra saber como é ser o homem mais gato do país (risos)”.

Rafael Infante, Cleo Pires, Gloria Pires e Tony Ramos falam sobre o filme ‘Se Eu Fosse Você 3’ (Foto: Divulgação)
*Heloisa Tolipan


















