Uma jovem de 23 anos foi morta a facadas na manhã de domingo (25), em frente à própria casa, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Wendi Kauane Jacinto de Paula estava dentro de um carro quando foi surpreendida pelo ex-companheiro, que teria esperado a chegada dela dentro do terreno da residência. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga o caso como feminicídio. Veja vídeo abaixo.

******

Em entrevista à Ric RECORD, o delegado Donizete Gordiano, responsável pela investigação, informou que o suspeito teria atacado Wendi com uma faca retirada da cozinha da casa dela. Após o crime, ele fugiu e teria procurado a irmã, a quem relatou ter feito uma “besteira”, conforme as informações repassadas pelo investigador.

O ataque aconteceu por volta das 5h20, na Rua Darvil José Caron. Wendi voltava de uma casa noturna em Curitiba e estava acompanhada de outro ex-companheiro, com quem mantinha uma relação de amizade. O homem havia oferecido carona à jovem depois de um desentendimento dela com o suspeito na balada.

Segundo o delegado, o suspeito chegou à residência antes de Wendi e ficou esperando. Quando o carro estacionou, ele saiu de surpresa e golpeou a jovem diversas vezes. O motorista conseguiu correr para pedir ajuda.

Wendi foi socorrida e encaminhada ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, mas não resistiu aos ferimentos.

Suspeito não aceitava fim do relacionamento, diz delegado

De acordo com a investigação, Wendi e o suspeito tiveram um relacionamento amoroso breve, há cerca de dois meses. Em agosto, a jovem teria dito que não queria continuar o namoro, mas aceitaria manter a amizade.

Conforme o delegado Donizete Gordiano, o homem teria reagido de maneira agressiva à decisão e quebrado o celular da vítima. Apesar disso, os dois continuaram mantendo contato.

Na noite anterior ao crime, Wendi estava com o suspeito e teria ido com ele a uma casa noturna na Avenida das Torres, em Curitiba. Durante a noite, os dois se desentenderam, e a jovem pediu ajuda aos seguranças do estabelecimento. O homem teria sido retirado do local.

Com medo de uma possível reação, Wendi pediu carona a outro ex-companheiro, com quem mantinha uma relação de amizade. Os dois seguiram para Campina Grande do Sul e pararam para fazer um lanche durante o trajeto.

Ao chegarem à residência, o motorista ainda estava com Wendi dentro do veículo quando o suspeito apareceu e iniciou o ataque.

Câmeras registraram fuga após ataque à jovem morta a facadas

Imagens de câmeras de segurança obtidas durante a investigação mostram o suspeito correndo após o crime. Segundo o delegado, ele teria saído de dentro do terreno da residência, onde estava escondido à espera da jovem.

O investigador também informou que a polícia recebeu informações de que o homem teria ido à casa da irmã depois do ataque. Conforme o relato dela à polícia, ele chegou ensanguentado, usando roupas diferentes das que apareciam nas imagens de segurança, e disse que havia feito uma besteira.

A diferença entre as roupas descritas pela irmã e as registradas pelas câmeras levantou a suspeita de que o homem teria trocado as peças durante a fuga. A polícia também apura o possível descarte da faca utilizada no crime.

A investigação segue para esclarecer todos os detalhes da ocorrência e localizar o suspeito.

Família afirma que jovem rejeitava relacionamento

Em entrevista à Banda B, familiares de Wendi disseram que ela já havia deixado claro que não queria manter um relacionamento amoroso com o homem apontado como autor do crime.

O primo da jovem, Carlos Henrique, relatou que ela chegou a comentar que considerava o suspeito perigoso e que havia explicado diretamente a ele que queria apenas amizade.

“Ela falou para ele na cara dele que não era para se iludir, porque ela nunca ia ficar com ele e nunca ia ter nada com ele. Só era amizade”

afirmou.

A avó da jovem, Elza, também relatou que o homem não aceitava a decisão da neta e teria passado a cercá-la. “Ele não queria só amizade. Ela não quis, e ele não aceitou o não”, disse.

A família cobra justiça e espera que o responsável seja localizado e responsabilizado. Wendi era mãe de duas crianças: um menino de cinco anos e uma menina que está prestes a completar dois anos.

“ A gente quer que a Justiça corra atrás e pegue ele, para ele não fazer mais vítimas”

afirmou a avó.

Delegado explica restrição para prisão durante período eleitoral

O delegado Donizete Gordiano informou à Ric RECORD que a polícia encaminhou ao Poder Judiciário questões relacionadas à prisão preventiva do suspeito.

Como o crime ocorreu no domingo de segundo turno das eleições, o investigador explicou que existe uma restrição legal à prisão de eleitores durante o período eleitoral, que se estende até 48 horas após o encerramento da votação, ressalvadas as exceções previstas em lei.

A regra não significa que o investigado esteja livre de responsabilização. A possibilidade de cumprimento de eventual mandado depende da situação jurídica e das condições legais aplicáveis ao caso.

Até a atualização das informações apresentadas pelo delegado na entrevista, o suspeito ainda não havia sido localizado.

Polícia Civil investiga feminicídio

Em nota enviada à Banda B, a Polícia Civil do Paraná informou que investiga a morte da jovem a facadas em Campina Grande do Sul. Inicialmente, o caso é tratado como feminicídio, com suspeita de motivação relacionada a ciúmes.

“A PCPR segue as diligências para esclarecer a dinâmica do caso e localizar o autor”, informou a corporação.

Wendi Kauane Jacinto de Paula foi sepultada na segunda-feira (26), no Cemitério Municipal São João Batista.

*Banda B