Anadia/AL

6 de novembro de 2026

Anadia/AL, 6 de novembro de 2026

Empresa de Willer Tomaz investigada pela PF repassou R$ 17 milhões a Virginia Fonseca

Repasses milionários feitos pela AMP Pay entre março e setembro de 2024 levantaram suspeitas do Coaf e da Polícia Federal

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 6 de novembro de 2026

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Imagem: Redes sociais/Divulgação

Por: Guilherme Levorato

Uma das empresas atribuídas ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas através de plataformas de apostas, realizou repasses expressivos à Talismã Digital, pertencente à influenciadora digital Virginia Fonseca, segundo informações divulgadas inicialmente pela Revista Piauí e confirmadas pela Folha de São Paulo. Conforme o material investigativo obtido pela corporação e enviado em relatório de inteligência ao Senado, as transações financeiras totalizaram R$ 17,7 milhões e ocorreram entre os meses de março e setembro de 2024. Durante o mesmo período, a influenciadora realizava campanhas publicitárias veiculadas em favor da casa de apostas Blaze, empresa na qual a PF apura indícios de atuação do próprio advogado investigado.

Movimentações financeiras da AMP Pay atraem atenção de órgãos de controle

A empresa responsável pelos repasses à firma de Virginia é a AMP Pay Marketing e Negócios. De acordo com os documentos anexados às investigações da Polícia Federal, o próprio Willer Tomaz declarou ser sócio ou acionista da instituição em mensagem de e-mail endereçada ao Magnum Bank, onde figurava como cliente ao longo de 2024. Devido a características específicas de sua estrutura operacional, a polícia classificou a companhia como suspeita de atuar como empresa de fachada e integrando o núcleo de primeira camada de pessoas jurídicas utilizadas pelo advogado para movimentar recursos financeiros.

As transferências efetuadas pela AMP Pay por meio de cinco remessas via Pix para a Talismã Digital foram inicialmente consideradas atípicas pelo Banco Santander. O alerta gerado pela instituição financeira foi formalmente comunicado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. O estranhamento por parte do sistema de monitoramento ocorreu em razão do enquadramento tributário da empresa remetente, registrada sob o regime do Simples Nacional, modalidade destinada exclusivamente a negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Dados obtidos na Receita Federal apontam que a AMP Pay possui um capital social estipulado em R$ 50 mil e está sediada em um pequeno espaço comercial localizado em um centro na cidade de Itajaí, em Santa Catarina. O objeto social declarado da empresa engloba atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, além de marketing direto. O empresário Guilherme Maciel consta como proprietário do negócio no registro oficial.

Defesa nega vínculo com advogado e aponta atuação como gateway de pagamentos

Questionado sobre as operações financeiras e a ligação societária investigada pelas autoridades, Guilherme Maciel declarou não conhecer e não manter qualquer tipo de relação com Willer Tomaz. O proprietário da AMP Pay afirmou que a empresa operou entre os anos de 2024 e 2025 de maneira regular e estritamente como um gateway de pagamentos. No entanto, o responsável pela empresa não detalhou quais serviços específicos teriam sido prestados por Virginia Fonseca à sua companhia, tampouco esclareceu se o endereço cadastrado correspondia à operação física real ou qual o quantitativo de funcionários empregados.

Por sua vez, a assessoria jurídica e de comunicação da influenciadora Virginia Fonseca declarou que os pagamentos recebidos corresponderam exclusivamente a campanhas publicitárias devidamente contratadas, embora tenha evitado especificar quais contratos exatos estariam contemplados. Os representantes da influenciadora também negaram qualquer proximidade com o advogado investigado, afirmando que o nome de Willer Tomaz não consta em nenhum contrato firmado por sua empresa e que ela nunca manteve contato ou tratativa direta com ele. Quanto às suspeitas sobre terceiros e a estrutura societária da AMP Pay, a assessoria pontuou que tais questionamentos devem ser direcionados estritamente aos responsáveis pelas respectivas empresas.

Envolvimento com apostas esportivas e conexões investigadas pela Polícia Federal

As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que plataformas de apostas online e instituições de pagamento podem ter sido instrumentalizadas para a circulação, ocultação e dissimulação de capitais. O esquema suspeito envolveria a realização de apostas sucessivas, aceitação de perdas calculadas e o posterior resgate de frações do montante investido. Nota técnica elaborada pelo Ministério da Fazenda revelou que Willer Tomaz foi o maior apostador individual em mercados de apostas em todo o território nacional durante o ano de 2025, movimentando a cifra recorde de R$ 5 bilhões. No mesmo período temporal, o advogado registrou saques superiores a R$ 200 milhões, sendo que a maior parcela dessa quantia circulou internamente nas próprias plataformas por meio de ganhos, novas apostas ou perdas operacionais.

A investigação também mapeou o uso de uma conta na fintech A55 pelo advogado para o envio de recursos direcionados à Blaze, transações classificadas como atípicas pela instituição. Relatórios policiais apontam ainda que a Foggo Entertainment Ltda., empresa encarregada da gestão operacional da Blaze, utilizou o mesmo endereço que já havia sido empregado por outras companhias vinculadas a Willer Tomaz e a seus ex-sócios. Para os investigadores, embora o cruzamento de endereços e dados cadastrais não comprove de forma isolada a existência de um controle oculto sobre a plataforma de apostas, o elemento fundamenta a necessidade de aprofundar a apuração sobre eventuais vínculos operacionais, comerciais ou societários.

Desdobramentos políticos e CPI das Bets

O caso ganhou repercussão institucional no âmbito do Congresso Nacional, resultando na convocação de Virginia Fonseca para prestar esclarecimentos na condição de testemunha perante a CPI das Bets, em abril de 2025. Na ocasião, a influenciadora foi questionada sobre os termos dos contratos de publicidade firmados com empresas do setor de apostas esportivas, em meio a suspeitas de que os apostadores eram atraídos por promessas de ganhos irreais. A relatora da comissão parlamentar de inquérito, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), chegou a apresentar uma proposta de indiciamento da influenciadora sob a acusação de publicidade enganosa e estelionato, mas a medida acabou rejeitada pelo colegiado.

Enquanto a investigação policial prossegue para esclarecer o fluxo de recursos entre a AMP Pay e a Talismã Digital, a situação jurídica do advogado Willer Tomaz permanece sob escrutínio das autoridades competentes. Willer Tomaz é apontado como amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado nas eleições presidenciais e que também figura como investigado no âmbito do mesmo inquérito policial que apura supostas práticas de lavagem de dinheiro. Procurado repetidas vezes pela imprensa para se manifestar sobre as acusações e sobre os repasses milionários identificados pelo Coaf e pela Polícia Federal, o advogado optou por não responder aos questionamentos, mantendo-se em silêncio diante das revelações trazidas a público pelo relatório de inteligência financeira encaminhado ao Senado Federal.

#Redação com Brasil 247

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