🇧🇷 Por Henrique Rodrigues
O ano mal havia começado e em 2 de janeiro o cantor Gusttavo Lima, um notório bajulador de Jair Bolsonaro (PL), anunciou ao Brasil que se lançaria candidato à Presidência da República. Embora seja um sujeito sem qualquer cacoete político ou bagagem para tal função, é perfeitamente natural que um artista popular famosíssimo e com tamanha penetração no país tenha se tornado notícia após tal declaração. A partir daí, a coisa só cresceu nas semanas seguintes e a imprensa passou a reverberar a candidatura.
Algum tempo depois, passa a ser veiculado em todos os cantos que, a bem da verdade, o sertanejo seria uma espécie de balão de ensaio do governador goiano Ronaldo Caiado (UB), notório (e apressado) pré-candidato a presidente e que mantém uma amizade pra lá de íntima com Gusttavo Lima, a ponto de ter entrado num jatinho e literalmente atravessado meio mundo para comemorar o aniversário do cantor num iate de um bilhão de reais nas águas azuis do Mar Mediterrâneo da costa da Grécia, no ano passado. Os dois passam a aparecer juntos desde então e a dobradinha política começou a ficar óbvia.
De repente, em 19 de março, pouco mais de dois meses após “se colocar a serviço do Brasil”, o sertanejo declinou de tudo e confirmou a desistência. “Quero ressaltar aqui que não sou candidato a nenhum cargo político, em 2026 não serei candidato, nem mesmo sou filiado a qualquer partido. Manifestei sim meu interesse de ajudar o Brasil, meu objetivo é contribuir de outras formas, sem a necessidade de concorrer ou ser eleito para algum cargo público”, justificou.
O problema é que agora vem à tona a informação de que um encontro secreto pode ter tudo a ver com esse vai e volta no lançamento de uma candidatura improvável e deveras meio ridícula. A informação sobre o encontro dissimulado é do colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
Segundo reporta o jornalista, em 14 de março, portanto cinco dias antes do anúncio sobre a desistência de Gusttavo Lima de se candidatar ao Planalto, o cantor se reuniu às escondidas com Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa área discreta do Palácio dos Bandeirantes, a sede do Executivo paulista. Não houve fotos, nem postagens em redes sociais. O carioca que administra São Paulo, que põe absolutamente tudo em sua agenda oficial, também não fez menção alguma ao regabofe íntimo.
Com a revelação, uma série de perguntas ficam sem respostas, o que abre um leque imenso de possibilidades em relação às reais intenções dos movimentos feitos por Gusttavo Lima no tabuleiro político. Teria ele se lançado sozinho, só porque lhe deu na telha, candidato à Presidência? O movimento foi de fato uma jogadinha ensaiada com Caiado, mas diante da pressão de Bolsonaro ele desistiu? Será que o intérprete do lírico e poético “Tchê Tchererê Tchê Tchê” desde o início fez uma cortina de fumaça a mando do ex-presidente de extrema direita, a quem sempre venerou e paparicou? Enfim, é difícil cravar uma informação, mas a descoberta sobre o encontro fez crescer fortemente os rumores de que os dois estariam implicados numa espécie de complô que, ao fim e ao cabo, acabou por prejudicar o desesperado governador goiano que quer ser presidente.
🇧🇷 Redação com Revista Fórum
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