
● Por Thiago Gomes
A exatamente um mês do primeiro turno das eleições, o eleitorado alagoano ainda demonstra elevado grau de indecisão sobre quem escolher para o governo de Alagoas. Na pesquisa espontânea mais recente da Quaest, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, 65% afirmaram não saber em quem votar.
O levantamento revela alto índice de indecisão na espontânea e aponta para uma disputa ainda aberta entre os candidatos Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB).
No mesmo levantamento, Renan Filho aparece com 17% das intenções de voto espontâneas, seguido de perto por JHC, com 16%. Outros nomes somam 1%, enquanto 1% declarou voto em branco, nulo ou afirmou que não pretende votar.
Para o cientista político Ranulfo Paranhos, o expressivo percentual de indecisos revela um cenário de alta volatilidade eleitoral. Na avaliação dele, isso significa que existe uma grande janela de oportunidade para que os candidatos conquistem votos até os últimos momentos da campanha.
“Isso mostra que a eleição está em aberto e que uma parcela significativa do eleitorado ainda não foi conquistada pelas narrativas das campanhas, não foi conquistada pelos candidatos”, avalia.
Segundo Paranhos, o cenário também representa um alerta para as campanhas de Renan Filho e JHC. A disputa não está definida para nenhum dos lados e o resultado poderá ser decidido na reta final, a partir da capacidade de cada candidatura de transformar o eleitor indeciso em voto.
O cientista político aponta algumas razões para o comportamento do eleitor. Uma delas seria a atenção concentrada na disputa nacional, especialmente na eleição presidencial, que acaba ocupando espaço no debate político e pode deixar as questões locais em segundo plano.
Outro fator seria a dificuldade de parte do eleitorado em identificar propostas ou narrativas capazes de responder aos problemas mais imediatos do Estado, como emprego, economia, custo de vida, saúde e educação.
Paranhos também cita um possível distanciamento do eleitor em relação à política. Mais cético e menos disposto a aderir antecipadamente a uma candidatura, esse eleitor pode estar adotando uma postura de observação e deixando a decisão para as últimas semanas ou até para os últimos dias antes da votação.
Diante desse quadro, o cientista político ressalta que as campanhas precisam aumentar a presença junto ao eleitorado e tornar a comunicação mais direta.
“Um dos caminhos é intensificar a presença. Eu tenho que ir mais às ruas, eu tenho que ir mais nos interiores, eu tenho que capilarizar mais a minha imagem, eu tenho que me fazer presente”, afirma.
Para Paranhos, além da presença física, as candidaturas precisam simplificar o discurso e apresentar propostas que sejam compreensíveis e críveis para o eleitor. A disputa pelo voto, segundo ele, passa também pela capacidade de ocupar o espaço emocional do eleitor.
● Redação com Gazeta Web


















