Em comunicado, o governo somali manifestou apoio incondicional ao profissional e afirmou ter realizado esforços diplomáticos para tentar reverter a decisão das autoridades americanas.
Segundo a pasta, foram feitas intensas gestões junto ao governo dos Estados Unidos e à Fifa em busca de uma solução imediata para o caso. Apesar das negociações, informou o ministério, não foi possível obter um resultado favorável.
A polícia de fronteira dos Estados Unidos (CBP) informou à AFP que Artan teve a entrada negada após ser considerado “inadmissível” em razão de questões relacionadas à verificação de seus antecedentes. O árbitro desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami no sábado (6), vindo de Istambul.
Em nota, a Fifa ressaltou que não interfere em processos migratórios e que a concessão de vistos e a admissão em território nacional são prerrogativas exclusivas dos países anfitriões.
“O governo do país anfitrião determina, em última instância, quem recebe visto e quem é admitido em seu território”, afirmou a entidade.
O ministério dos Esportes da Somália declarou ter plena confiança na integridade, no profissionalismo e na contribuição de Artan para o desenvolvimento do futebol no país e no cenário internacional. O governo também sustenta que o árbitro possuía visto válido para entrar nos Estados Unidos.
Melhor árbitro de 2025 segundo a Confederação Africana
Aos 34 anos, Artan estava prestes a se tornar o primeiro somali a atuar em uma Copa do Mundo. Integrante do quadro de árbitros da Fifa desde 2018, ele apita regularmente na liga nacional da Somália e foi eleito o melhor árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.
Seu nome figurava entre os 52 árbitros selecionados para trabalhar no Mundial de 2026.
Procurada pela AFP, uma fonte do comitê de arbitragem da CAF lamentou o episódio, mas evitou comentar o mérito da decisão americana. Segundo a entidade, a escolha dos árbitros para a Copa do Mundo é de responsabilidade exclusiva da Fifa.
“País podre”, disse Trump sobre Somália
O caso ocorre em meio ao endurecimento da política migratória dos Estados Unidos em relação à Somália. No fim de novembro, o presidente Donald Trump classificou o país africano como um “país podre” e manifestou a intenção de encerrar proteções especiais que dificultam a deportação de cidadãos somalis.
Apesar de perder a oportunidade de participar do maior torneio do futebol mundial, Artan afirmou, em mensagem enviada à AFP, que permanece “de bom humor e concentrado nos próximos desafios”. O árbitro agradeceu o apoio recebido da Fifa e da CAF e desejou sucesso aos colegas escalados para a competição.
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história com 48 seleções e terá organização conjunta de Estados Unidos, Canadá e México. O torneio começa oficialmente nesta quinta-feira (11).
Redação com RFI

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