Anadia/AL

6 de janeiro de 2026

Anadia/AL, 6 de janeiro de 2026

Banco Central pede bloqueio de R$ 11,5 bilhões ligados ao Master

Pedido ao MPF envolve fundos da Reag e suspeitas de gestão fraudulenta e desvio de recursos

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 3 de janeiro de 2026

vv

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O pedido, segundo a Folha de São Paulo  , integra uma segunda denúncia apresentada pelo órgão regulador após a identificação de novos indícios de irregularidades envolvendo operações realizadas com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

Pedido de bloqueio envolve fundos administrados pela Reag

De acordo com o Banco Central, os fatos investigados ocorreram entre julho de 2023 e julho de 2024, período anterior ao esquema de revenda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos inexistentes ao BRB (Banco de Brasília). Essa primeira denúncia embasou a prisão de Daniel Vorcaro em novembro do ano passado, embora ele tenha sido solto poucos dias depois.

As apurações apontam que o Master concedia empréstimos a empresas que, formalmente, não tinham ligação direta com o banco, mas que integrariam o mesmo esquema. Em vez de aplicar os recursos em suas atividades, essas empresas direcionavam o dinheiro para fundos de investimento administrados pela Reag.

Nos sistemas monitorados pelo Banco Central, os empréstimos apareciam como regulares, dentro dos limites das regras de Basileia, que estabelecem exigências mínimas de capital para instituições financeiras. No entanto, dentro dos fundos, gestores adquiriam ativos de baixa liquidez pagando valores muito superiores aos de mercado, registrando esses papéis de forma superavaliada no patrimônio dos fundos.

Esse mecanismo permitia que os recursos circulassem entre diferentes fundos até chegarem a veículos de investimento com titularidades atribuídas a laranjas ligados ao grupo Master. Um investigador explicou que o arranjo possibilitou retirar dinheiro “de dentro para fora do banco”, ampliando a liberdade de uso dos recursos e contornando restrições regulatórias.

Crise de liquidez e denúncias levaram à liquidação do Master

Com a deterioração da confiança no último trimestre de 2024, o Master passou a enfrentar dificuldades para captar novos recursos por meio de CDBs e problemas de liquidez para honrar dívidas antigas. Nesse contexto, segundo o Banco Central, a instituição passou a estruturar novos ativos a partir de carteiras de crédito consignado, posteriormente vendidas ao BRB.

No relatório enviado ao Tribunal de Contas da União no início desta semana, o Banco Central informou que a nova denúncia ao MPF se baseou em falhas graves de gestão, envolvendo inadequado gerenciamento de capital e risco, além de negócios sem garantia, liquidez e diversificação.

Relatório do BC embasa apuração em curso no TCU

A comunicação ao Ministério Público Federal ocorreu em 17 de novembro de 2025, na véspera da decretação da liquidação extrajudicial do banco Master. No documento encaminhado ao TCU, o Banco Central afirma:

“Em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação ao MPF por indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta. Tratava-se de operações estruturadas no montante de R$ 11,5 bilhões, que revelaram inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios sem garantia, liquidez, e diversificação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, que se encontram em fase de instrução”.

Entre os fundos citados na denúncia estão o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos administrados pela Reag. A empresa informou, em nota, que não teve acesso ao relatório do Banco Central e, por isso, não comentou a relação com o Banco Master.

ABN C/ Brasil 247

Galeria de Imagens