Anadia/AL

21 de setembro de 2026

Anadia/AL, 21 de setembro de 2026

Brasil produz 24,5 bilhões de ovos em apenas seis meses

Produção bate recorde histórico no primeiro semestre, enquanto custos de milho e farelo pressionam os avicultores

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 21 de setembro de 2026

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Foto: Embrapa - Paulo Lanzetta

Por: Beto Ribeiro
Vinte e quatro bilhões e meio de ovos. É difícil imaginar o tamanho desse número.

Se toda a produção brasileira do primeiro semestre de 2026 fosse dividida igualmente entre os cerca de 213 milhões de habitantes do país, seriam aproximadamente 115 ovos para cada brasileiro. Tudo isso produzido em apenas seis meses.

O número equivale ainda a mais de 134 milhões de ovos por dia, 5,6 milhões por hora ou cerca de 93 mil ovos por minuto.

Enquanto você lê esta reportagem, portanto, milhares de ovos entram nessa gigantesca engrenagem da avicultura brasileira.

Segundo levantamento do Cepea, da Esalq/USP, a partir dos dados do IBGE, o país produziu aproximadamente 24,5 bilhões de ovos destinados ao consumo entre janeiro e junho.

Mas existe outra história escondida dentro dessa montanha de ovos. Nunca se produziu tanto e, ao mesmo tempo, alimentar as galinhas ficou mais pesado no bolso do produtor.

Uma montanha de 2 bilhões de dúzias

Uma montanha de 2 bilhões de dúzias de ovos
Arte: Agro em Campo

No supermercado, normalmente encontramos ovos em embalagens de seis, dez, 12, 20 ou 30 unidades.

Na escala da produção nacional, porém, é preciso trocar de unidade.

Os 24,5 bilhões de ovos equivalem a aproximadamente 2,04 bilhões de dúzias.

E essa máquina funciona todos os dias.

As granjas precisam alimentar milhões de aves, controlar temperatura, iluminação, água, sanidade, classificação e transporte. Pequenas mudanças de produtividade multiplicadas por um plantel gigantesco podem representar milhões de ovos a mais ou a menos.

O resultado do primeiro semestre chama ainda mais atenção porque 2026 começou sem uma explosão imediata da produção.

Entre janeiro e março, foram produzidas 995,5 milhões de dúzias de ovos para consumo, volume ligeiramente inferior ao observado no mesmo período de 2025.

A aceleração veio depois.

Por que o Brasil está produzindo tanto ovo?

O recorde de 2026 não apareceu do nada.

Em 2025, a produção brasileira já havia alcançado aproximadamente 4,06 bilhões de dúzias de ovos para consumo, segundo o Cepea.

O ovo também conquistou um espaço importante na mesa do brasileiro. Além de ser versátil, ele funciona como uma das alternativas às demais proteínas animais quando carne bovina, suína ou de frango ficam mais caras.

Para o produtor, entretanto, existe uma equação menos visível para quem abre a geladeira pela manhã.

Antes de virar omelete, aquele ovo depende principalmente de duas grandes commodities agrícolas: milho e soja.

Dentro de um ovo também existe muito milho

Galinhas poedeiras em produção comercial de ovos no Brasil
Foto: Embrapa – Levino Bassi

Uma galinha não transforma apenas ração em ovo.

A ração representa justamente o principal custo da atividade. Estudos técnicos da Embrapa indicam que a alimentação pode responder por algo entre 60% e 70% do custo de produção.

E boa parte dessa dieta depende do milho e do farelo de soja.

O milho fornece principalmente energia. Já o farelo de soja entra como importante fonte de proteína.

Isso cria uma conexão curiosa entre mercados que, para o consumidor, parecem completamente diferentes.

Quando o milho encarece, o efeito não termina na lavoura. Ele atravessa a porteira, chega ao comedouro da galinha e pode acabar pressionando o custo daquele ovo comprado no supermercado.

Com o farelo de soja acontece algo semelhante.

O problema aparece quando a ração sobe mais que o ovo

É exatamente essa relação que começou a apertar.

Em agosto, cálculos do Cepea mostraram que o poder de compra do avicultor paulista em relação ao milho e ao farelo de soja caiu para o menor nível desde fevereiro, em termos reais.

Isso aconteceu mesmo com uma recuperação no preço dos ovos.

O motivo é simples: os principais ingredientes da alimentação das aves ficaram proporcionalmente mais caros.

Uma maneira interessante de enxergar essa conta é esquecer o real por alguns instantes e medir tudo em milho.

Em agosto, o valor recebido por uma caixa de ovos brancos permitia ao produtor comprar aproximadamente 128,5 quilos de milho.

No mês anterior, comprava mais.

Parece uma diferença pequena. Entretanto, em uma atividade que movimenta milhões de aves e toneladas de ração, pequenas variações acabam se multiplicando.

Produzir mais não significa necessariamente ganhar mais

Essa talvez seja a parte mais importante dos 24,5 bilhões.

Um recorde de produção é impressionante, mas não representa automaticamente um recorde de lucro.

A conta de uma granja inclui ração, energia, mão de obra, sanidade, equipamentos, transporte e outros custos. Além disso, quando muitos ovos chegam ao mercado ao mesmo tempo, a própria oferta pode pressionar os preços recebidos pelo produtor.

Por isso, o setor precisa equilibrar duas curvas.

De um lado está uma produção que atingiu níveis inéditos. Do outro estão os custos necessários para manter milhões de galinhas produzindo todos os dias.

E existe ainda uma terceira variável: o consumidor precisa absorver essa oferta.

134 milhões por dia e uma conta que não para

A dimensão da avicultura brasileira aparece melhor quando voltamos ao número inicial.

São, em média, mais de 134 milhões de ovos produzidos por dia durante o primeiro semestre.

Mas cada um deles carrega uma pequena parcela do preço do milho, da soja, da energia, da mão de obra e de toda a estrutura necessária para fazê-lo chegar inteiro até a cozinha.

O Brasil nunca havia produzido tantos ovos para consumo em um primeiro semestre.

Agora, o desafio é menos fácil de colocar em uma fotografia: fazer com que essa montanha de ovos também feche a conta de quem a produz.

*Agro em Campo

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