O designer carioca Marcio Granatowicz, sócio da joalheria Art’G, é finalista da categoria Designer do Ano do Inhorgenta Awards 2026, premiação internacional considerada o “Oscar” da joalheria  mundial. É a primeira vez que um representante da América Latina é indicado ao prêmio.

Granatowicz concorre com o Anel Buquê, peça criada há 25 anos em homenagem à mãe e relançada em 2024 em versão remodelada. Ele disputa a final com Johannes Hundt e Sian Design, ambos da Alemanha.

É uma honra enorme estar entre os finalistas do Designer of the Year. Representar o Brasil neste prêmio global, que valoriza a excelência artesanal, é uma conquista que vai muito além de mim, é o reconhecimento de todo o trabalho da Art’G ao longo de mais de 40 anos”, afirma Marcio, em entrevista ao iG Deles.

A 52ª edição da premiação acontece de 20 a 23 de fevereiro de 2026, no Messe München Exhibition Center, em Munique, na Alemanha. A cerimônia de entrega é realizada neste sábado (21), no Bavaria Film Studios. O tema deste ano é “Excelência artesanal”, com foco em qualidade, precisão e inovação manual das peças.

Essa indicação é a primeira vez que alguém da América Latina está sendo indicado. São geralmente europeus que estão nessa categoria. Então, é uma honra mesmo conseguir furar de certa forma essa bolha“, comemora Granatowicz.

Anel de ouro com textura de veludo

O Anel Buquê se destacou pelo efeito descrito como “ouro que parece veludo”, característica que chamou atenção na avaliação presencial do júri.

A peça é composta por 14 discos côncavos de ouro 18K, cortados e moldados à mão, organizados em camadas que permitem leve movimento. Dois diamantes naturais funcionam como pontos de luz. O design combina acabamento fosco com áreas de alto polimento, criando contraste entre luz e sombra.

O modelo tem aro ajustável, pensado para acompanhar variações naturais do corpo, como o inchaço das mãos ao longo do dia. Segundo o designer, a inspiração veio da mãe.

Cada detalhe do Anel Buquê foi pensado para que ele pudesse ser usado com conforto por qualquer pessoa, e foi inspirado na minha mãe, cuja mão, por ser idosa, incha com facilidade. O aro ajustável e o design ergonômico refletem nosso compromisso com a joia como experiência, não apenas como objeto”, disse ao iG.

Seleção teve três etapas

A edição de 2026 da premiação foi estruturada em três fases eliminatórias. Na primeira, 148 designers de diversos países enviaram dossiês digitais. O comitê técnico fez a triagem com base em originalidade, autenticidade e relevância das criações.

Na segunda etapa, as peças aprovadas passaram por análise de um júri internacional formado por sete especialistas, entre eles a crítica e curadora Katerina Perez e o designer britânico Stephen Webster. Foram considerados três critérios principais, sendo inovação estética, habilidade manual e viabilidade comercial.

A fase final incluiu avaliação presencial das joias. Os jurados examinaram peso, ergonomia, conforto, acabamento, qualidade da cravação e construção das peças com o auxílio de lupas de alta precisão.

Trajetória do designer

A Art’G, onde o designer atua, começou em 1984 como iniciativa da mãe de Marcio, Minda Granatowicz, que decidiu criar as próprias peças diante da ausência de opções de design contemporâneo no mercado à época.

Marcio afirma que aprendeu o ofício desde cedo dentro da empresa. “Eu aprendi com ela desde muito cedo a criar. E então acabei seguindo o mesmo caminho da minha mãe como designer”, relembra.

Segundo ele, todas as peças são produzidas manualmente por artesãos experientes. “Há 41 anos, a Art’G faz joalheria artesanal e nós fazemos todas as nossas peças. Não é como se fosse uma manufatura, não é uma industrialização, não sai em massa. Tudo nosso é feito por artesãos.”

A programação do evento contará com apresentação da alemã Nazan Eckes e show da cantora Loi, conhecida pelo hit “Gold”.

A feira também registra aumento de expositores de países europeus e novas participações da Ásia e do Oriente Médio, ampliando o alcance internacional da iniciativa.

ABN C/ IG