Por: Mônica Bergamo
O brasileiro-palestino Walid Khaled Abdallah, de 17 anos, morreu neste domingo (23) na prisão de Megiddo, em Israel.
O governo brasileiro já questionou Israel sobre as circunstâncias da morte. A suspeita é de que houve negligência médica.
Walid foi preso em setembro do ano passado na Cisjordânia, onde vivia, sob a acusação de agredir soldados israelenses.
A família de Walid está em choque, de acordo com fontes da diplomacia brasileira.
O chefe do escritório do Brasil em Ramallah, João Marcelo Soares, já esteve com os familiares. O pai de Walid é brasileiro.
Além de questionar o governo israelense, a diplomacia brasileira está auxiliando a família a receber o corpo de Walid para fazer o funeral.
Atualmente cerca de 6.000 palestinos de origem brasileira vivem na Cisjordânia.
De acordo com relatos obtidos pela coluna, a rotina é de tensão e humilhação, com revistas rotineiras de soldados israelenses e restrições para se locomover dentro do território.
Logo após o inicio do conflito, a coluna entrevistou uma brasileira palestina que vive na cidade de Ramallah há quase 30 anos. Ela pediu para não ser identificada por medo de retaliações.
“Só vindo à Cisjordânia, a Gaza, só vendo com os próprios olhos para entender a causa Palestina. Eu moro em Ramallah, e por razões de trabalho preciso ir a diferentes cidades. Há check points [pontos de controle] na Cisjordânia toda. Até mesmo para visitar parentes no vilarejo de Koformalek, terra natal dos meus pais, a 15 minutos de Ramallah, eu tenho que passar por eles”, disse então. “Muitas vezes estão fechados com portões de ferro ou blocos de cimento. E você tem que esperar até seis horas dentro do carro para conseguir ser revistado e ultrapassar essa barreira.”
Números oficiais da Autoridade Palestina afirmam que 63 prisioneiros palestinos já morreram em prisões de Israel.
De acordo com informações publicadas pela Fepal (Federação Árabe Palestina do Brasil) sobre a morte, a prisão onde Walid estava é “notória pelo uso de tortura com choques elétricos, espancamentos, privação de comida e até uso de cachorros”.
O conflito voltou a se intensificar na semana passada.
O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu quebrou a trégua com o Hamas na Faixa de Gaza e voltou a bombardear o território palestino. Israel diz que retomou suas operações militares para forçar o grupo terrorista a libertar os reféns que mantém em Gaza, inclusive ameaçando anexar a região.
Nos ataques mais recentes, Israel matou pelo menos 21 palestinos, disseram as autoridades de saúde nesta segunda (24). Ao mesmo tempo, as forças israelenses operavam em Rafah, perto da fronteira com o Egito, escalando uma nova ofensiva aérea e terrestre nessa última semana.
Autoridades palestinas divulgaram no domingo (23) que o número de mortos desde o início do conflito matou mais de 50 mil palestinos. Israel lançou sua ofensiva em Gaza depois que terroristas do Hamas invadiram o sul do país em 7 de outubro de 2023, matando 1.200 pessoas, principalmente civis, e fazendo mais de 250 reféns, de acordo com contagens israelenses.
O governo brasileiro realizou, desde o início da guerra, uma série de viagens de repatriação de cidadãos. Segundo dados do Itamaraty, ao menos 1.560 brasileiros e familiares próximos foram retirados da região.
ABN C/ Folha.Uol