Por Dafne Ashton
Em participação no programa Bom Dia 247, o jornalista Breno Altman avaliou que o cenário político brasileiro passa por uma transformação significativa. De acordo com ele, a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a crescer de forma consistente, enquanto a direita, antes aparentemente unida, começa a se fragmentar diante de erros estratégicos e contradições internas. “O cenário mudou: Lula cresceu e a direita está se fragmentando”, afirmou o analista, ao comentar as últimas pesquisas de opinião que apontam não apenas uma melhora na avaliação do governo, mas também o fato de parte do eleitorado conservador já considerar justa a prisão de Jair Bolsonaro.
Altman lembrou que, até meados do primeiro semestre de 2025, o ambiente era adverso para o governo, com queda na popularidade e risco de estreitamento da vantagem de Lula sobre seus adversários. No entanto, uma virada ocorreu quando a base governista deixou de adotar a tática de conciliação e passou a apostar no enfrentamento direto contra o Congresso e os setores conservadores, após a derrota na votação sobre o aumento do IOF. Ao invés de recuar, o Planalto reagiu com um discurso centrado em justiça tributária, soberania nacional e na polarização entre pobres e ricos, o que teria recolocado o presidente na ofensiva. Esse movimento, segundo Altman, reposicionou a narrativa política e ampliou o apoio ao governo.
Esse enfraquecimento da direita abriu novas possibilidades para o campo governista. Altman observou que, no interior do PT, há hoje duas leituras distintas sobre como enfrentar as eleições de 2026. A primeira defende que o partido deveria aproveitar a fragilidade dos adversários para avançar com um programa mais à esquerda, priorizando alianças ideológicas e reforçando a identidade progressista. A segunda, predominante na atual direção do partido e comparada por Altman a uma estratégia defensiva típica do técnico Tite no futebol, propõe manter e até ampliar a frente ampla construída em 2022, atraindo setores do centrão e partidos de direita moderada para assegurar estabilidade eleitoral já no primeiro turno.
O jornalista ressaltou que ambas as alternativas têm riscos e vantagens. Uma frente amplíssima facilitaria a vitória em 2026, mas diluiria a identidade de esquerda do governo e reduziria as chances de ampliar a bancada progressista no Congresso. Já uma estratégia mais ofensiva poderia fortalecer a representação parlamentar da esquerda e consolidar uma agenda programática mais nítida, mas traria dificuldades imediatas na relação com o Legislativo e riscos de isolamento político.
Para Breno Altman, no entanto, o que já se desenha de forma clara é que Lula vive hoje uma situação de maior conforto político em comparação a meses atrás. Sua popularidade cresce, o governo recuperou a iniciativa e a direita, antes articulada, enfrenta divisões internas que fragilizam sua capacidade de oferecer uma candidatura competitiva em 2026. Esse novo quadro, segundo o analista, consolida a percepção de que o presidente tem condições sólidas para disputar a reeleição, enquanto seus adversários ainda buscam um rumo diante do isolamento do bolsonarismo e da dificuldade de construir uma frente conservadora unificada.
Redação com Brasil 247