Os dados do Novo Caged referentes a junho, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego no dia 29 de julho, mostram três fotografias diferentes do mercado formal em Alagoas. No mês, o Estado teve saldo positivo de 2.773 empregos, com 16.539 admissões e 13.766 desligamentos. No acumulado de janeiro a junho, o saldo é negativo em 8.215 vagas, resultado de 99.590 contratações e 107.805 desligamentos.
Quando a análise é ampliada para os últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o cenário muda. Alagoas registrou 212.779 admissões e 195.504 desligamentos, com saldo positivo de 17.275 empregos com carteira assinada. A expansão relativa do estoque de empregos foi de 4,04%.
É esse recorte que ajuda a colocar em perspectiva o saldo negativo do primeiro semestre. O número de menos 8,2 mil vagas existe e é relevante, mas a leitura isolada de janeiro a junho desconsidera uma característica importante da economia alagoana: a sazonalidade.
Por isso, o dado anual permite uma leitura mais real da economia e do mercado de trabalho em qualque cidade ou estado. Em Alagoas, por exemplo, a cana pesa negativamente no primeiro semestre e positivamente no segundo, quando se trata de geração de empregos.
Uma parcela relevante dos desligamentos ocorre tradicionalmente nos primeiros meses do ano, quando termina a safra da cana-de-açúcar. Indústria e agropecuária reduzem contratos e voltam a ampliar as contratações com a preparação e o início da nova moagem, normalmente a partir do segundo semestre, principalmente setembro e outubro.
Por isso, o saldo dos últimos 12 meses oferece uma referência mais ampla para avaliar a trajetória do emprego formal no Estado. E, nesse recorte, Alagoas não perdeu empregos. Criou mais de 17 mil novas vagas e ampliou em 4% sua base de trabalhadores formais.
Junho já teve forte recuperação
O próprio resultado de junho reforça essa mudança. Todos os cinco grandes setores terminaram o mês no azul: serviços criaram 891 vagas; indústria, 762; agropecuária, 591; construção, 353; e comércio, 176. O estoque total chegou a 445.302 empregos formais.
Estoque de empregos em Alagoas
Serviços: 220.255
Comércio: 103.876
Indústria: 65.085
Construção: 38.558
Agropecuária: 17.528
Total: 445.302 empregos formais.
Entre os melhores do Nordeste
No acumulado dos últimos 12 meses, a Paraíba apresentou a maior expansão relativa do emprego formal no Nordeste, com 5,35%. Em seguida aparecem Piauí, com 5,22%; Pernambuco, 4,61%; Maranhão, 4,32%; Sergipe, 4,13%; e Alagoas, 4,04%.
Depois vêm Bahia, com 3,88%; Ceará, 3,50%; e Rio Grande do Norte, 1,85%. Parte desses números aparece diretamente na tabela oficial do Novo Caged.
No Brasil, Alagoas aparece na 9ª posição entre as 27 unidades da Federação em crescimento relativo do emprego formal no período. A comparação ajuda a dimensionar o resultado. O crescimento de 4,04% em Alagoas ficou praticamente alinhado à média nordestina, de 4,03%, e acima da média brasileira.
O saldo negativo do primeiro semestre, portanto, não deve ser ignorado. Mas também não pode ser tomado isoladamente como sinal de retração do mercado de trabalho. De janeiro a junho, Alagoas perdeu 8.215 vagas. Nos últimos 12 meses, criou 17.275 A diferença entre os dois números não é contradição. É, em boa parte, o efeito da sazonalidade sobre uma economia que ainda tem forte participação da cadeia sucroenergética.
Fonte: Jornal De Alagoas

















