Anadia/AL

24 de julho de 2026

Anadia/AL, 24 de julho de 2026

Cantora Kátia faz show no Rio com músicas românticas e, solteira, não desiste do amor: ‘Difícil encontrar’

Artista relembra dificuldades na época da escola por ser cega: 'Enfrentei muito preconceito'.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 24 de julho de 2026

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Cantora Kátia - Foto: Divulgação; Acervo O Globo

Por  Thomaz Rocha

Quem viveu nos anos 80, certamente, se lembra da cantora Kátia, figura presente em muitos programas de televisão da época. Era comum ouvir a voz da artista nas rádios, principalmente com a música “Qualquer jeito” (também conhecida como “Não está sendo fácil”), muito ouvida até hoje, inclusive como pano de fundo de vídeos nas redes sociais. A canção estará presente no “Romântica e tal”, show que a artista apresenta nesta sexta-feira (24) no Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33, na Cinelândia, Centro do Rio).

— Vou cantar as minhas canções românticas, e o “e tal” do nome do show se refere a músicas de artistas consagrados, dos anos 80 e 90. Eu procurei focar, além do meu repertório, em letras que as pessoas conhecem e que estão na boca do povo. Algumas delas do Roberto Carlos, claro, sempre! Não só porque é o meu padrinho, mas porque ele é exemplo para todo artista — conta Kátia ao EXTRA.

Com canções que falam de amor, a artista também se considera uma mulher romântica, apesar de solteira.

— Acho que hoje em dia o romantismo mudou de foco. A atual geração curte o romantismo de outra maneira. No entanto, as canções não perderam o romantismo. Só o vocabulário que mudou. No fundo, todo mundo fala de amor. Atualmente, estou solteira, mas a gente sempre procura um amor. É difícil encontrar o parceiro ideal, né? É complicado. É uma questão de dia, hora e lugar certo — afirma a cantora de 64 anos.

Cantora Kátia — Foto: Acervo O Globo
Cantora Kátia — Foto: Acervo O Globo

Carioca, Kátia atualmente mora próximo a Sorocaba, onde curte a tranquilidade de uma cidade do interior. Ela aproveita os momentos de folga para ouvir playlists de country, seu gênero favorito.

— Escuto muita música nacional, como Maiara & Maraisa, e cantores sertanejos de modo geral. Escutava muito Marília (Mendonça). Adorava as músicas dela. Me espelho muito nessas músicas country para compor. Dos novos cantores, ouço muito Ed Sheeran. As músicas dele são realmente muito bonitas — detalha.

Muitas bandas e cantores despontaram nos anos 70 e 80, inclusive Kátia, que relembra aquela época e analisa o cenário musical atual.

— Vivi a melhor era da música no mundo. Hoje não temos mais Michael Jackson, Beatles, Elvis Presley e tantos outros. Atualmente, as coisas são muito meteóricas e passam muito rápido. É difícil você assistir à carreira de um ídolo que dure, como o Roberto Carlos.

Cantora Kátia com Roberto Carlos — Foto: Acervo pessoal
Cantora Kátia com Roberto Carlos — Foto: Acervo pessoal

Kátia celebra parceria com cão-guia

Kátia nasceu deficiente visual por conta de seu parto prematuro. Ela conseguia enxergar a luz até os 16 anos, mas depois perdeu a visão de vez.

— Conforme o tempo vai passando, quando você não tem estímulo, o nervo vai atrofiando. Como o meu caso não era cirúrgico, aquela luz foi se perdendo com o tempo. Não tem cirurgia que me traga de volta a visão, mas hoje tenho muitas formas virtuais que eu uso, como óculos virtuais, inteligência artificial… — pontua.

Seu principal apoio tem sido Willy, seu cão-guia, que acompanha a artista há quatro anos. Na última quinta-feira, ela compartilhou uma imagem dentro do avião com o animal quando estava indo de São Paulo para o Rio, para se preparar para o show na capital fluminense.

— Ele é meu grande companheiro, um parceiro de vida, meus olhos. É parte de mim.

Cantora Kátia viaja de avião com cão-guia para show no Rio — Foto: reprodução/ instagram
Cantora Kátia viaja de avião com cão-guia para show no Rio — Foto: reprodução/ instagram

Segundo Kátia, dos anos 80 para os dias atuais, houve evolução no trato com os deficientes visuais.

— Houve um esclarecimento e uma evolução muito grande na inclusão. A partir dos anos 90, eu participei de projetos em que tivemos computadores. Hoje, temos recursos maravilhosos que nos proporcionam total independência. Por parte das pessoas, também melhorou muito. Eu estudava em escola normal, nos anos 70, e era duro porque enfrentei muito preconceito. Mas eu devo muito à minha família que lutou junto comigo para que eu não fosse segregada. Era difícil — relembra.

Foi o cantor Roberto Carlos que ouviu a voz potente de Kátia e lhe deu a oportunidade para cantar com ele. A artista foi investindo na música e ficou conhecida em todo Brasil, servindo como inspiração para muita gente.

— O meu trabalho abriu portas para muitos deficientes. Eu escutei muita gente dizer: “Olha, Kátia, graças a você, o meu trabalho pode ser escutado. Eu pude viver e sustentar minha família tocando num barzinho”. Hoje, o deficiente visual músico já tem um espaço maior. Me orgulho muito disso. Eu continuo trabalhando pela inclusão. Estou sempre aprendendo, estudando, tentando descobrir ferramentas que possam abrir mais portas. Eu gostaria de poder fazer mais enquanto cidadã, deficiente visual e artista — conta ela, que faz palestras motivacionais desde os anos 2000.

Kátia acredita que as redes sociais podem ser uma boa plataforma para sua voz ir mais longe.

— Precisamos divulgar a inclusão. Gosto de contar para as pessoas a minha história, tanto as coisas boas e as ruins pelas quais passei — avalia.

Também na internet, muitos memes aparecem com o rosto de Kátia e outras postagens que usam trechos das músicas da artista. Para ela, esse fenômeno tem o poder de renovar seu público.

— Muita gente nova escuta a música nessas postagens e curte. Tem criança de 6 anos que canta “não está sendo fácil”. É muito bacana! Nos meus shows, no país inteiro, a gente vê pessoas de 8 a 80. Muita gente jovem me escuta por causa dos pais — conta ela, que não se incomoda com os memes de mau gosto que fazem com seu rosto, ou expressões como “fazer a Kátia cega”:

— Encaro isso de uma forma tranquila. Tem pessoas que têm bom gosto, outras não têm. O que a gente vai fazer? Isso é o ser humano, né? Acho que a gente tem que tirar do ser humano o que ele tiver de bom e jogar fora o que há de ruim.

Cantora Kátia faz show no Rio — Foto: reprodução/ instagram
Cantora Kátia faz show no Rio — Foto: reprodução/ instagram

Redação com Extra – RJ

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