O ano político de 2026 começa, em Alagoas, sob um cenário que combina certezas pontuais, indefinições estratégicas e uma intensa movimentação de bastidores. Diferente de outros ciclos, o tabuleiro já está montado, mas as peças centrais ainda não se moveram por completo, o que torna o início do ano decisivo para a conformação das chapas majoritárias e proporcionais.
Entre as definições mais claras está a decisão do ministro Renan Filho de disputar o governo do Estado. A candidatura, já tratada como irreversível nos bastidores, reposiciona forças políticas, reorganiza alianças e impõe aos demais atores a necessidade de escolhas rápidas. Trata-se de um movimento que antecipa o debate eleitoral e reduz o espaço para especulações em torno do campo governista.
Também está definida a posição do governador Paulo Dantas, que seguirá no cargo até o fim do mandato. A decisão reforça o discurso de continuidade administrativa e dá previsibilidade à máquina estadual, ao mesmo tempo em que mantém o governo como ator central na articulação política. Com Paulo Dantas no comando até dezembro, a tendência é de que o Palácio República dos Palmares seja um polo permanente de negociações ao longo de todo o ano.
No campo das indefinições, o prefeito de Maceió, JHC, segue como o principal ponto de interrogação do processo eleitoral. A decisão sobre disputar ou não o governo permanece em aberto e condiciona movimentos de aliados e adversários. Enquanto o silêncio é mantido publicamente, os sinais enviados nos bastidores indicam cautela e avaliação criteriosa de cenários, especialmente no que diz respeito à montagem de palanques e à viabilidade de alianças.
Essa indefinição, longe de paralisar o jogo, tem funcionado como fator de pressão sobre os demais grupos políticos. Partidos aguardam uma sinalização mais clara para definir estratégias, enquanto lideranças regionais buscam se posicionar de forma a não fechar portas prematuramente. O tempo, neste caso, é um ativo que começa a se esgotar.
Paralelamente à disputa majoritária, os movimentos em torno das chapas proporcionais ganham cada vez mais peso. Deputados federais e estaduais em busca de reeleição intensificam articulações. A formação das chapas será determinante. A lógica é simples: mais do que nomes fortes isoladamente, o desempenho coletivo será decisivo, por isso além de puxadores de fotos os partidos precisam acertar também nos nomes dos “rabos” de chapa, .
Janeiro marca o início de uma fase mais intensa dessas articulações. Reuniões reservadas, conversas cruzadas e negociações partidárias passam a ocupar o centro da agenda política. Federações e partidos avaliam coeficientes eleitorais, calculam riscos e tentam montar chapas competitivas, equilibrando nomes consolidados e novas apostas.
Nesse processo, alianças improváveis começam a ser discutidas, não por afinidade ideológica, mas por necessidade matemática. A sobrevivência política de muitos projetos passa diretamente pela engenharia eleitoral, especialmente em um cenário de voto cada vez mais fragmentado e exigente.
O que se desenha, portanto, é um primeiro trimestre marcado por definições. Até 2 de abril, quando acaba o prazo de filiação e desincompatibilização todas as decisões mais importantes serão tomadas, a partir das grandes articulações iniciadas agora em janeiro.
Se 2025 foi o ano da acomodação e do ajuste fino, 2026 começa como o ano da decisão. Em Alagoas, o jogo já está em curso — e quem perder o timing pode pagar um preço alto mais adiante.
ABN C/ Blog do Edvaldo Junior

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