Anadia/AL

22 de junho de 2024

Anadia/AL, 22 de junho de 2024

Como fica Maceió? História e Cultura estão sendo recuperados no Pinheiro e Região

Recuperação | 09:33 hs

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 3 de junho de 2024

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Reprodução

Cada bairro de Maceió, uma história. Igrejas, escols, prédios públicos e até residenciais ajudam a contar o passado dos locais afetados pela instabilidade do solo. Por isso, os imóveis de valor histórico identificados pelo Município no Mutange, Bebedouro e Bom Parto não apenas ficaram de fora do processo de demolição como estão sendo preservados.

Os trabalhos são derivados do Termo de Acordo Socioambiental assinado em 2020 pelo Ministério Público Federal (MPF) e a Braskem, com a participação do Ministério Público Estadual (MPE) e adesão do Município de Maceió.

A reportagem da TV Pajuçara e do TNH1 foram conhecer o que está sendo feito para preservar o passado desses bairros ricos em arquitetura e movimentos culturais.

No total, foram identificados 37 imóveis de valor histórico, entre eles o prédio da Sociedade Nossa Senhora do Bom Conselho, a Paróquia de Santo Antônio de Pádua, o Colégio Municipal Braga Neto e a Casa de Saúde Miguel Couto.

No mapeamento, iniciado em 2021, o estilo arquitetônico desses importantes imóveis foi catalogado em fotos e imagens digitais com escaneamento a laser de alta precisão.

“Toda e qualquer intervenção em imóveis de valor histórico requer conhecimento de aspectos técnicos para garantir que não haja nenhum tipo de intervenção que possa comprometer a estrutura. Por exemplo, a preservação de uma azulejaria, de algum tipo de elemento que denota uma característica arquitetônica”, afirma Pedro Herculano, Gerente de Estratégia e Planejamento da Braskem.

As ações de manutenção e preservação da integridade física começaram no final de 2022. Atualmente, 21 imóveis possuem alvará para as obras. Em todos eles, os trabalhos já foram concluídos.

►►►PRESERVAÇÃO – TRABALHO DE ESPECIALISTAS DESCOBRINDO RELÍQUIAS

Nesse trabalho com o patrimônio histórico nos bairros afetados, muita história vem sendo recuperada e outras até sendo descobertas.

Na Igreja de Santo Antônio de Pádua, edificação do século 19 que fica em frente à Praça Lucena Maranhão, em Bebedouro, o trabalho minucioso dos especialistas em patrimônio revelou uma arte que até então só era conhecida nas igrejas da Catedral e dos Martírios.

“Quando a gente chegou na parte superior da igreja, no chamado frontão, e fez a retirada da camada de tinta, foram encontrados elementos conhecidos como ‘embrechados’, peças cerâmicas que faziam uma composição como um mosaico. São poucas igrejas de Maceió que têm esse tipo de elemento”, explica Daniela Acioly, coordenadora de Recuperação de Imóveis.

Pertinho da Igreja de Santo Antônio de Pádua, o Solar Nunes, também do século 19, passou por um trabalho delicado de recuperação. A casa serviu de residência do senhor Jacinto José de Nunes Leite, apontado por fontes históricas orais como o fundador do bairro, e provavelmente, é um dos primeiros da localidade. O imóvel recebeu reforço estrutural no telhado e na fachada.

“Foi uma das obras de maior duração devido à delicadeza. Por ser um dos imóveis mais antigos, o Solar Nunes tem várias técnicas construtivas”, avalia Daniela Acioly.

►►►GRUPO CULTURAL PRESERVADO, COCO DE RODA REVIVER VAI REPRESENTAR ALAGOAS NO CATAR

No acordo assinado com órgãos públicos em 2020, a Braskem também firmou compromisso com o apoio às manifestações culturais da região.

O compromisso com a cultura local inclui a criação de um programa de suporte para aquisição de bens ou serviços para grupos culturais que atuavam nos bairros afetados pela instabilidade do solo. O programa atende grupos envolvidos com o patrimônio cultural imaterial.

Essa iniciativa já chegou para o Coco de Roda Reviver. Com 24 anos de história, criado em 2000 por um grupo de coroinhas da Igreja de Santo Antônio, em Bebedouro, o Reviver se prepara para representar Alagoas em um festival no Catar.

“Essa ajuda fez com que nosso grupo tivesse estrutura para sobreviver. Não fosse isso, acho que a gente nem existiria mais”, afirma Roberto Calheiros, presidente do grupo.

Com a subsidência do solo no bairro de Bebedouro, os artistas tiveram que procurar outro lugar para os ensaios, deixando a tradicional Praça Lucena Maranhão, onde também se apresentavam.

“No começo foi difícil. Mas tínhamos o foco de não deixar o grupo morrer, independentemente de onde a gente se localizasse. Estamos no Ouro Preto, mas carregamos o nome do bairro de Bebedouro”, fala Calheiros, orgulhoso.

Também já receberam incentivo os grupos tradicionais Junina Pé de Serra de Bebedouro, Coco Los Coquitos, Coco Estrela de Alagoas e Coco Pisa na Fulô.

►►► ASSISTA TAMBÉM À REPORTAGEM COMPLETA DA TV PAJUÇARA

Divulgada em multiplataforma, a série “Como fica Maceió?” com oito episódios também pode ser conferida no programa Fique Alerta, da TV Pajuçara. Mas se você não acompanhou, pode conferir aqui, na íntegra: Assista:

*Redação com TNH1

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