Anadia/AL

6 de abril de 2026

Anadia/AL, 6 de abril de 2026

Dona da marca de postos Petrobrás privatizada lidera boicote às medidas do governo para baixar preço do diesel

Vibra Energia, que assumiu o controle da BR Distribuidora com a privatização iniciada com Temer e concluída com Bolsonaro, foi autuada por aumentar preço do diesel na bomba em mais de R$ 1. Empresa, Ipiranga e Raízen não assinaram acordo para subvenção proposto pelo governo.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 6 de abril de 2026

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Posto da marca Petrobrás e toneis da Vibra (Agência Brasil / Reprodução)

Por Plinio Teodoro

Herdeira das marcas de postos Petrobrás e da BR Mania, rede de lojas de conveniências atrelada ao antigo empreendimento estatal, a Vibra Energia lidera com as petrolíferas Ipiranga e Raízen – que opera os postos Shell no Brasil, em uma sociedade comanda pela Cosan – o boicote às medidas já anunciadas pelo governo Lula para frear o aumento do preço do Diesel, que vem sendo pressionado pelo aumento da tensão com a guerra declarada por Donald Trump, dos EUA, e Benjamin Netanyahu, do governo sionista de Israel, contra o Irã.

As três distribuidoras, que não aderiram ao plano de subvenção do diesel proposto pelo governo, foram notificadas pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, por elevação de preços do combustível sem justa causa.

Maior empresa do setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes, presente nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal com mais de 8.350 postos de serviços licenciado a bandeira Petrobras, Vibra Energia foi autuada no fim de março por elevar em 35 vezes o preço do diesel. Enquanto o aumento no período foi de R$ 0,03 por litro, os postos da empresa elevaram em R$ 1,06, com forte indício de prática abusiva, segundo a Agência Nacional do Petróleo.

Dados da ANP mostram que a Vibra comprou diesel por cerca de R$ 4,81 por litro no fim de fevereiro e passou a pagar cerca de R$ 4,84 em meados de março. No entanto, ao vender esse mesmo produto, o preço saiu de cerca de R$ 5,38 para R$ 6,45 por litro.

Em nota, a empresa afirma que o aumento do preço é “influenciada por múltiplos fatores, como diferentes fontes de suprimento, incluindo importações, custos logísticos, variações cambiais e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência” e ressalta que “análises que consideram apenas uma parcela desses componentes não refletem integralmente a formação de preços, especialmente em um contexto de volatilidade internacional”.

Ao não aderirem à proposta, cujo prazo expirou em 31 de março, Vibra, Ipiranga (controlado pelo grupo Ultrapar, com fundos de investimento como a BlackRock entre os acionistas) e Raízen pressionam o governo para anúncio de novas medidas para beneficiar especialmente a importação do combustível, seguindo as variações do mercado.

Caso o governo não aja contra os efeitos da guerra no preço do diesel, o ajuste vai promover um efeito em cascata na inflação, como já ocorre na Europa, especialmente nos preços dos supermercados.

Privatização

Fundada em 1971 como subsidiária da Petrobras para regular o mercado de distribuição de combustíveis, a BR Distribuidora foi alvo de um levante privatista a partir de 2017, no governo golpista de Michel Temer (MDB) e passou a ser controlada integralmente pela iniciativa privada em 2021, na gestão Jair Bolsonaro (PL), quando a Petrobras vendeu a fatia final da participação, em 37,% das ações, em oferta na Bolsa de Valores.

O processo de privatização mascarado, via mercado de capitais, é chamado de follow-ons, quando a companhia estatal começa a se desfazer das ações que a fazem sócia majoritária.

No caso da BR Distribuidora, a Petrobras começou, em 2017, com a venda de 28,75%. A justificativa do governo Temer é que a Petrobras precisava reduzir dívida, nunca comprovada, e sair de atividades fora do “core”, focando exclusivamente em exploração e produção de petróleo.

Em 2019, já com Paulo Guedes como “super” ministro da Economia, a Petrobras reduz participação de cerca de 70% para 37,5%, perdendo o controle acionário.

Dois anos depois, a Petrobras se desfez totalmente das ações e o grupo Sammabaia – do ex-deputado tucano Ronaldo Cezar Coelho, irmão o ex-árbitro de futebol Arnaldo Cezar Coelho – ficou com a maior fatia acionária, de cerca de 8%. As ações foram pulverizadas para fundos de empresas como a Dynamo, Lazard e BlackRock.

A BR Distribuidora, então, mudou o nome para Vibra Energia, que assumiu o controle dos postos de combustíveis e licenciou as marcas Petrobras e BR Mania. Como contrapartida, a Petrobras assumiu compromisso de não entrar novamente no mercado de distribuição e de postos até 2029.

Atualmente, a maior acionista da Vibra é a Nova Futura, com 12,5% das ações. A corretora e seu dono, João da Silva Ferreira Neto, além de sete outras pessoas estão sendo processados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em um caso que apura possíveis operações fraudulentas no mercado financeiro.

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Conhecido pelos projetos privatistas, como o da CPFL em São Paulo, Wilson Pinto Ferreira Júnior assumiu a presidência da empresa, que herdou a maior rede de postos do Brasil.

Após conduzir a transição, Ferreira Junior assumiu, em 2022, o comando da Eletrobras, outra empresa privatizada a toque de caixa por Paulo Guedes e Adolfo Sachsida no governo Bolsonaro.

Em 2023, com o governo Lula, Ferreira Junior deixou a presidência da Eletrobras um dia antes de um apagão que atingiu as cinco regiões do país.

No ano seguinte, foi contratado como novo presidente do Conselho da Matrix Energia, empresa que usa a estrutura da Eletrobras para se consolidar como uma das maiores comercializadoras “independentes” de energia. De origem italiana, a Matrix é um dos maiores traders globais do setor energético no mundo.

Fonte: Revista Fórum

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