Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, e Bruno Allegretti,18, réus pelo estupro de uma menina de 17 anos em Copacabana, se apresentaram hoje à polícia. Ambos eram considerados foragidos desde que tiveram a prisão decretada pela Justiça do Rio de Janeiro.
O que aconteceu
Simonin chegou à 12ª DP (Copacabana), na zona sul do Rio, na manhã de hoje. Além dele, Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19, e João Gabriel Xavier Bertho, 19, se entregaram ontem. Um adolescente também foi apreendido.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti se entregou no início da tarde de hoje em Belford Roxo, na região metropolitana da capital. Ele era o último foragido pelo caso e se apresentou na 54ª DP, na Baixada Fluminense. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Vitor Hugo é filho de José Carlos Simonin, subsecretário de Governança, Compliance e Gestão do estado, que foi exonerado do cargo. A secretária Rosangela Gomes afirmou ter recebido as denúncias com indignação, e o governo estadual declarou repudiar o crime.
Todos os quatro réus responderão pelo crime de estupro, já o menor responderá por ato infracional análogo ao mesmo crime. Dois dos envolvidos já foram enviados para a cadeia pública de Benfica, onde devem aguardar o trâmite judicial.
Vitor chegou ao local acompanhado do advogado Ângelo Máximo. Imagens mostram que ele vestia uma camisa preta e um boné.
O defensor afirmou que Vitor Hugo nega que participou do crime. Ele disse que o réu confirmou que estava no apartamento, mas que não tem envolvimento no estupro. “‘Não participei de nada’, foi o que ele me disse”, explicou o advogado à imprensa na saída da delegacia.
Defensor disse que aguarda os resultados da prova técnica. “Temos que ver o lado do consentimento. Ela nega, ok, mas o meu cliente também nega. Nós não estávamos no apartamento para saber o que aconteceu, se ela foi agredida ou não. Quem vai dizer isso melhor pra gente é o laudo”, argumentou.
Vitor Hugo Oliveira Simonin foi apontado como agressor em outro caso, por uma segunda vítima. Jovem se apresentou à polícia depois da repercussão do caso e do pedido de prisão dos envolvidos. Ela disse que foi violentada por Vitor Hugo e outros homens que não conseguiu identificar. Outra adolescente relatou ter sido vítima de outro envolvido, Matheus Veríssimo Zoel Martins, que se entregou ontem à polícia.
O Colégio Pedro II, onde Vitor Hugo, e o suspeito menor de idade estudam, informou que eles foram expulsos da instituição. Em nota, o colégio afirmou que “procedeu com todas as ações necessárias, incluindo acolhimento à família da vítima”, que também estuda na escola, e que segue o regimento “para desligamento dos estudantes”.
Entenda o caso
Uma adolescente de 17 anos procurou a polícia com sua mãe, relatando ter sido violentada por cinco pessoas. O crime teria acontecido no dia 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana.
A jovem relatou que foi convidada por um adolescente com quem teria tido uma relação para se encontrarem. Ela foi ao encontro do adolescente, entrou no quarto do apartamento e passou a manter relações com ele.
Ela relatou que, durante o ato, outras quatro pessoas entraram no quarto. No momento, um adolescente disse aos outros envolvidos que tinha “desenrolado” para que eles participassem. Contudo, a jovem negou fazer sexo com eles.
A jovem disse à polícia que tentou sair da situação, mas que não conseguiu. Os homens a agrediram com puxões de cabelo e com golpes na região abdominal enquanto se revezavam nas agressões.
Momentos depois, já sangrando após as agressões, a vítima foi embora. Ela chegou a ser questionada se sua mãe a via sem roupas e disseram para não mostrar os hematomas e o sangramento. Horas após o ato, o adolescente enviou uma mensagem para a adolescente: “chegou bem kkkk”.
O que diz a defesa
João Gabriel nega o estupro. Ao UOL, a defesa do réu disse que “confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia. João Gabriel nega estupro e não teve sequer a oportunidade de ser ouvido pela polícia”.
O UOL tenta contato com a defesa dos réus. Havendo manifestação, este texto será atualizado.
Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.
Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.
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