Anadia/AL

22 de fevereiro de 2026

Anadia/AL, 22 de fevereiro de 2026

Garotinho afirma que André Esteves é a fonte de Malu Gaspar

O editor da Revista Fórum, Renato Rovai, já havia antecipado essa informação a partir de apurações realizadas com diferentes fontes que atuam no mercado financeiro; André Esteves negou.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 22 de fevereiro de 2026

B.3

- André Esteves e Anthony Garotinho - Câmara dos Deputados/Montagem

Por Julinho Bittencourt

O ex-governador Anthony Garotinho afirmou durante entrevista ao canal Na Lata, da jornalista Antônia Fontenelle, que o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, é a fonte da jornalista do Globo, Malu Gaspar, sobre o caso do Banco Master.

No dia 25/12 do ano passado o editor da Revista Fórum, Renato Rovai, já havia antecipado essa informação a partir de apurações realizadas com diferentes fontes que atuam no mercado financeiro. Na época, André Esteves negou em entrevista a Reinaldo Azevedo (leia mais abaixo).

“Por que ele tá passando essas informações pra Malu Gaspar?” começou Garotinho. “Ele que ia comprar o Master. Fez uma ‘due diligência’. Levantou tudo, virou pro Vorcaro e falou: ‘eu te compro por um real e assumo sua dívida’”. Vorcaro, segundo Garotinho, teria respondido: “não, eu não vou sair com uma mão na frente e outra atrás. Não tenho dinheiro, mas eu tenho ativos”, completou.

“Bom, porque que ele quis comprar?” prossegue o ex-governador. Porque ele tinha na mão um compromisso de compra dos ativos do Banco Nacional. Só que o Vorcaro foi nos herdeiros do Banco Nacional e disse o seguinte: ‘eu compro’. E deu-se uma briga entre os dois, Vorcaro e Esteves. Um banqueiro famoso chamou os dois e falou: ‘olha, vamos acabar com essa briga aqui.

Você fica com a metade e ele fica com a metade’. O que é a metade? Metade de que se o banco tá falido? Metade do prejuízo fiscal. Porque o banco pode abater do imposto de renda pode abater o imposto de renda o prejuízo fiscal. Sabe quanto é o prejuízo fiscal do Banco Nacional? É R$ 31 bilhões. Sabe quanto eles iam pagar imposto de renda? Nunca. Ia abatendo o prejuízo que eles compraram a preço de banana”, afirmou.

Garotinho prossegue: “sabe o que o André Esteves fez? Apertou a mão do Vorcaro, que é um bandido, não resta dúvida, e disse que o negócio estava fechado. Quando o Vorcaro vira as costas, o André Esteves diz: ‘até dezembro eu mato ele’, no sentido figurado, acabar com ele. E aí começou a guerra. Vamos raciocinar minimamente. Quem é que podia saber que o Lewandowski ganhava R$ 250 mil no escritório do filho dele, quem podia saber? Ou o Vorcaro, ou o Lewandowski ou quem fez a diligência pra comprar. E quem fez foi o BTG.

Quem podia saber que o Guido Mantega recebia R$ 1 milhão de salário? O Guido ia contar isso pra alguém? Ligar pra Malu Gaspar e dizer ‘olha, eu recebo um milhão’? Não. Quem sabe foi quem fez a diligência e viu todas as despesas. Você acha mesmo que foi a Polícia Federal que vazou aquele contrato imoral da mulher do Alexandre de Moraes? Nada. Foi o André Esteves.

Agora, ele fez isso por quê? Porque ele queria tombar o outro cara. O que todo mundo ia pensar? ‘Eu não falei, quem falou foi o Vorcaro, então eu vou ferrar o Vorcaro’. Só que o Vorcaro é muito malandro. Isso é briga de bandido, não tem santo nenhum aí, tô falando aqui como jornalista. Não tem santo nenhum nessa história”, encerrou.

André Esteves negou

O jornalista Reinaldo Azevedo perguntou ao banqueiro André Esteves se ele pretendia derrubar o ministro Alexandre de Moraes. A entrevista foi publicada no dia 29 de dezembro na coluna do jornalista no UOL. A resposta do banqueiro foi a seguinte:

“Reinaldo, por que eu faria isso? Com que propósito? O que eu ganharia tentando derrubar um ministro do Supremo? Em que isso tudo poderia ser útil para mim, paras as instituições, para o Brasil?”

Reinaldo insistiu:

“Você sabe que, nesses ambientes, muitos atribuem a você o vazamento do contrato e o boato de que o ministro fez pressão para o BC não liquidar o Master”.

A resposta:

“Obviamente não vazei coisa nenhuma porque não tinha acesso privilegiado a documentos sigilosos. Acho, sim, que a decisão do Banco Central foi correta, mas nunca soube ou afirmei que o ministro Alexandre tivesse feito pressão. E também é preciso considerar uma coisa: se eu for acreditar em tudo o que dizem por aí, não vou ter tempo de fazer mais nada. Eu mesmo estou lhe dizendo que existe uma campanha orquestrada contra mim para me atribuir o que não fiz”.

Relembre as denúncias de Malu Gaspar
Reportagens publicadas em dezembro de 2025 pela jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, colocaram o chamado “Caso Banco Master” no centro de uma crise que atingiu o sistema financeiro e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). As revelações provocaram forte repercussão política e institucional e motivaram respostas públicas de autoridades e empresários citados nas matérias.

Entre os principais pontos divulgados pela jornalista estava a existência de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à esposa do ministro Alexandre de Moraes. A informação levantou questionamentos sobre possível conflito de interesses, embora não houvesse, à época, decisão judicial apontando irregularidade.

As reportagens também mencionaram uma suposta pressão de Moraes sobre Gabriel Galípolo, então indicado à presidência do Banco Central, para favorecer interesses do Banco Master em processos relacionados à instituição financeira. Além disso, foram relatados episódios de proximidade entre ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo viagens e encontros em Brasília.

Outro trecho das publicações comparava a atuação de Moraes e de Dias Toffoli à do ex-juiz Sergio Moro, sugerindo que ministros estariam agindo de forma excessivamente centralizadora em casos envolvendo o sistema financeiro.

Recuo parcial

Após a repercussão das reportagens e declarações do banqueiro André Esteves ao jornalista Reinaldo Azevedo, Malu Gaspar publicou nova coluna em 29 de dezembro de 2025. No texto, a jornalista recuou da afirmação de que teria havido pressão direta de Alexandre de Moraes sobre Gabriel Galípolo no caso envolvendo o Banco Master.

Ela reconheceu que não houve investida direta do ministro nesse sentido, mas manteve críticas à falta de transparência nas relações entre integrantes do Judiciário e a instituição financeira.

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