Por Anne Silva
Entre Acre, Amazonas, Pará e Amapá, numa área que soma mais de 1.300.000 km² (75% localizada em território brasileiro), está uma formação anciã — datada em mais de 100 milhões de anos — que abastece os rios e a vida na América do Sul e equilibra o mundo.
O Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA), também conhecido como Aquífero Alter do Chão, é uma das maiores reservas de água doce subterrânea do planeta, com um volume de água tão significativo que poderia abastecer toda a população mundial por 250 anos.
Pelo menos 50% de toda a água doce disponível no Brasil está concentrada na região amazônica, em que, no entanto, residem só 5% da população nacional.

Créditos: Foto: Marcello Nicolato – divulgação
O SAGA, distribuído entre as bacias sedimentares dos rios Amazonas e Solimões, recebe o nome da região do Pará em que foi identificado pela primeira vez: Alter do Chão, cercada por praias de água doce formadas pelo rio Tapajós. Hoje, sabe-se que o Sistema Aquífero Alter do Chão integra o grande SAGA, num sistema hidrogeológico de zonas livres e confinadas.
O maior aquífero do mundo, que desbanca mesmo o Aquífero Guarani (também localizado em maior parte no território brasileiro, mas distribuído entre Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil), data da formação, entre o Quaternário e o Cretáceo, das bacias que compõem o cenário hidrográfico do norte do Brasil, e é considerado um recurso estratégico para a segurança hídrica e ambiental da região.
A Província Hidrogeológica Amazônica é a maior do Brasil, e ainda pouco estudada e utilizada em termos de suas reservas subterrâneas. As reservas estimadas atualmente somam cerca de 162.520 km³.
O Aquífero Guarani, antes considerado o maior do mundo (que abastece cidades como Ribeirão Preto – SP e Estrela – RS), tem volume de água estimado em 39.000 km³.
Já no norte africano, entre Líbia, Egito, Sudão e Chade, o grande aquífero de Nubian Sandstone, também considerado entre os maiores do mundo, ainda não alcança o SAGA: tem cerca de 150.000 km³.
A extensão do sistema e seu potencial hidrológico o assemelham a uma espécie de oceano subterrâneo, mais um para além do rio Hamza, um curso invisível de outro aquífero que corre junto ao Amazonas, mas em velocidades distintas e a quatro mil metros abaixo da superfície.
Hoje, o SAGA é utilizado apenas em regiões do vale amazônico, para abastecer pequenas populações locais — o que por vezes lhe rende o título de “subutilizado”.
Algumas iniciativas já estudaram a ideia de abastecer, com ele, regiões áridas e semiáridas que experimentam a seca do nordeste brasileiro, ou a produção agrícola e agropecuária da região, dado seu alto potencial hidrológico; mas a dificuldade técnica das obras de infraestrutura necessárias para desviar seu curso fala mais alto.
A maior reserva de água doce de que se tem conhecimento até hoje, o SAGA é, sem dúvidas, um patrimônio geoestratégico fundamental do Brasil e da Amazônia, e o avanço das crises climáticas deve torná-lo ainda mais valioso. Escondido no interior do norte brasileiro, é abastecido principalmente pelas chuvas, assim como o Hamza.
Seu ciclo hidrológico se conecta com toda a dinâmica amazônica: até 84% de todos os recursos hídricos dos rios são gerados no aquífero, que alimenta suas nascentes.
Redação com Revista Fórum
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