O jornalista Florestan Fernandes Júnior afirmou, durante o programa Boa Noite 247 desta segunda-feira (25), que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tenta se projetar como candidato à presidência em 2026 utilizando referências históricas que não condizem com sua trajetória política. O comentário foi feito ao analisar a declaração de Tarcísio, que buscou associar sua imagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK).
Segundo Florestan, a comparação não se sustenta: “Eu não entendo porque que o Tarcísio citou o JK. Que eu saiba, os ídolos da extrema direita são Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet e o coronel Ustra. Lembra do coronel Ustra, o torturador, que é o ídolo do Bolsonaro? Então eu acho que o Tarcísio não tem nada a ver com o Juscelino Kubitschek.”
Críticas à retórica desenvolvimentista
Tarcísio de Freitas tem buscado se apresentar como um político de perfil desenvolvimentista, recuperando o slogan “40 anos em 4”, em alusão ao famoso “50 anos em 5” de JK. No entanto, como destacou Florestan, o governador segue alinhado ao bolsonarismo e a setores da extrema direita, o que contradiz a imagem que tenta construir.
A memória de JK e a ditadura
Florestan lembrou que Juscelino Kubitschek foi perseguido durante a ditadura militar, teve seus direitos políticos cassados e chegou a ser preso em 1968 por participar da Frente Ampla, movimento de oposição ao regime. “Meu pai conviveu com ele no exílio, nos Estados Unidos, e contou coisas terríveis. A humilhação que ele foi submetido durante a ditadura militar é uma coisa inacreditável.”
O jornalista destacou ainda que, ao contrário de JK, Tarcísio integra um campo político que sempre apoiou rupturas institucionais e que hoje se ancora no legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Você pertence a esse setor das Forças Armadas que deixou o poder com a redemocratização, mas o Bolsonaro é daquela turma da tortura”, disse Florestan.
O culto a Bolsonaro e as distorções históricas
Florestan também ironizou declarações de líderes bolsonaristas, como Valdemar Costa Neto, que chegou a comparar Bolsonaro a Che Guevara. “Eles não têm um ídolo para chamar de seu, então precisam ir atrás do Che Guevara ou do JK. Mas não há paralelo possível.”
O comentário, feito no Boa Noite 247, reforça a crítica de que Tarcísio tenta se apropriar de símbolos democráticos e desenvolvimentistas da história brasileira, enquanto mantém laços estreitos com setores autoritários e figuras ligadas à repressão e ao retrocesso.
Redação com Brasil 247
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