Anadia/AL

4 de agosto de 2026

Anadia/AL, 4 de agosto de 2026

Investidores processam Milei por corrupção milionária com criptomoedas

Grupo de cerca de 30 vítimas do caso $Libra prepara ação civil contra o presidente argentino, Karina Milei e empresários ligados ao lançamento da criptomoeda após fracasso de tentativa de acordo.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 4 de agosto de 2026

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Milei desponta em escândalo de corrupção na Argentina - Crédito: Brasil 247 / Dall-E

Um grupo de aproximadamente 30 investidores que afirma ter sido prejudicado pelo escândalo da criptomoeda $Libra ingressará com uma ação civil contra o presidente da Argentina, Javier Milei, sua irmã Karina Milei, o empresário Mauricio Novelli e outros envolvidos no caso. A decisão foi tomada após o fracasso de uma tentativa de mediação extrajudicial e ocorre paralelamente ao andamento da investigação criminal sobre o episódio.

Os investidores buscam obter reparação financeira pelos prejuízos sofridos e também fortalecer sua posição jurídica para participar diretamente da ação penal que apura possíveis crimes relacionados ao lançamento da criptomoeda.

Perícias apontam envolvimento de Milei e Karina

Segundo os advogados das vítimas, perícias reunidas durante a investigação confirmam que Javier Milei e sua irmã Karina participaram da articulação que antecedeu o lançamento da $Libra.

A criptomoeda foi divulgada como uma iniciativa destinada a financiar pequenas empresas e estimular investimentos na economia argentina. Entretanto, de acordo com a acusação, a operação beneficiou principalmente seus criadores e operadores, enquanto milhares de investidores sofreram perdas após o colapso do ativo.

Os advogados sustentam que houve um esquema organizado para impulsionar artificialmente o valor da criptomoeda antes da venda em massa dos ativos pelos idealizadores do projeto.

Juiz excluiu investidores da ação penal

Os investidores também contestam uma decisão judicial que os retirou da condição de partes na investigação criminal.

O magistrado responsável pelo caso entendeu que os compradores assumiram voluntariamente os riscos inerentes ao mercado de criptoativos e, portanto, não poderiam ser considerados vítimas de fraude apenas pelo fato de terem registrado prejuízos financeiros.

A decisão provocou forte reação entre os advogados dos investidores, que afirmam existir elementos suficientes para caracterizar um esquema criminoso de manipulação do mercado.

Câmara Federal analisará recurso

No próximo dia 10 de agosto, a Câmara Federal deverá analisar o recurso apresentado pelos investidores para que eles sejam reintegrados ao processo criminal.

Os advogados pretendem demonstrar que a $Libra não pode ser tratada como uma simples “memecoin”, mas sim como um ativo de investimento estruturado para captar recursos do público mediante informações supostamente enganosas.

Segundo a defesa das vítimas, a operação foi concebida para beneficiar um grupo restrito de pessoas em detrimento dos investidores.

Mediação terminou sem acordo

Em maio, representantes dos investidores participaram de uma audiência de mediação realizada por videoconferência.

Durante a reunião, Mauricio Novelli e um de seus sócios negaram a existência de qualquer fraude e afirmaram desconhecer irregularidades na operação.

Também foram discutidas possibilidades de compensação financeira aos investidores, mas nenhuma proposta foi aceita pelas partes, levando ao ajuizamento da ação civil.

Transferências de US$ 5 milhões são investigadas

As investigações também revelaram movimentações financeiras realizadas antes do lançamento da criptomoeda.

Segundo documentos incorporados ao processo, o empresário Hayden Davis teria transferido cerca de US$ 5 milhões para intermediários ligados a Mauricio Novelli e a uma empresa financeira sediada em Vicente López, na província de Buenos Aires.

Essas operações passaram a integrar uma das principais linhas de investigação do Ministério Público.

Pagamentos a Milei e Karina são apurados

Os investigadores também analisam mensagens, registros financeiros e movimentações patrimoniais que indicariam uma relação estreita entre Hayden Davis, Mauricio Novelli, Javier Milei e Karina Milei.

De acordo com a investigação, parte dos recursos movimentados antes do lançamento da $Libra teria sido utilizada para pagamentos destinados ao presidente argentino e à sua irmã.

Esses elementos ainda estão sendo analisados pela Justiça, que busca verificar a origem dos recursos e sua eventual conexão com a promoção da criptomoeda.

Caso ainda aguarda avanço na Justiça

Apesar do volume de documentos reunidos ao longo da investigação, até o momento nenhum dos principais envolvidos foi chamado para prestar depoimento na condição de investigado.

A demora tem sido alvo de críticas por parte dos investidores e de seus representantes legais, que cobram maior celeridade da Justiça argentina diante da gravidade das acusações.

O escândalo da $Libra tornou-se um dos maiores desafios políticos enfrentados por Javier Milei desde o início de seu governo e segue produzindo repercussões tanto no campo judicial quanto no cenário político argentino.

Redação com Brasil 247

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