Por: Mateus Araújo, Manuela Rached Pereira, Beatriz Gomes e Stella Borges
A advogada Janaina Reis Miron, irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi presa na tarde de hoje após ser identificada pelo sistema de câmeras de segurança do Smart Sampa, conforme boletim de ocorrência obtido pelo UOL.
O que aconteceu
Janaina, de 49 anos, foi presa dentro de uma UBS em Veleiros, na zona sul da capital, após ter sua imagem captada por câmeras do Smart Sampa. O sistema tem sido amplamente implementado e defendido pela Prefeitura de São Paulo no último ano como instrumento de identificação e captura de criminosos e foragidos (leia mais abaixo).
Contra ela havia dois mandados de prisão em aberto. Os processos pelos quais ela responde estão relacionados aos crimes de desacato a policiais e embriaguez ao volante, com pena de 1 ano e 3 meses, e lesão corporal praticada contra o filho menor de idade, cuja pena estipulada foi de 8 meses.
Em ambos os casos, ela foi condenada em julgamentos transitados em julgado para cumprir pena em regime aberto. Ou seja, as condenações eram definitivas e já não cabiam mais recursos à advogada (leia mais sobre as condenações abaixo).
SSP-SP diz que mandados de prisão foram cumpridos por uma equipe da PM. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que Janaina foi conduzida ao 11º Distrito Policial e que “outras informações devem ser solicitadas ao Poder Judiciário”.
Ela está detida no DP de Santo Amaro e a reportagem tenta localizar sua defesa. O texto será atualizado em caso de futuras manifestações.
Procurada, a Prefeitura de São Paulo disse que a prisão “está amparada em mandados judiciais”. Em nota, a administração afirmou ainda que a detenção “obedeceu ao rigor da lei e foi executada seguindo os critérios de identificação do Smart Sampa”.
UOL apurou que Janaina e o prefeito não se falam há mais de 15 anos. A informação é de uma fonte próxima à família de ambos ouvida pelo UOL sob condição de anonimato. Apesar da falta de contato, ela chegou a divulgar publicações favoráveis à reeleição do irmão nas eleições municipais de 2023.
Irmã de Nunes passava por tratamento médico para tratar de problemas decorrente de vício em álcool. A mesma fonte informou que Janaina havia ido buscar um medicamento na UBS antes de ser presa na tarde de hoje.
Condenada por maus tratos ao filho, embriaguez ao volante e desacato a PM
Janaina foi condenada por maus tratos contra o filho menor de idade, por episódio ocorrido em 2014. Segundo denúncia do Ministério Público paulista acessado pela reportagem, ela agrediu o filho, então com 11 anos, com mordidas em seu braço, puxões de cabelo, e batidas de sua cabeça contra a parede, além do arremesso de objetos, “causando-lhe lesões corporais de natureza leve descritas no exame de corpo de delito”. Apenas em julho de 2019 ela virou ré e começou a responder judicialmente pelo crime, pelo qual foi condenada em abril de 2024.
Segundo apurado, a denunciada fazia uso abusivo de bebidas alcoólicas e costumava agredir seus filhos. Na data dos fatos, sem razão aparente, Janaina passou a agredir seu filho após o regresso da criança da escola, por meio de mordidas, puxões de cabelo, batidas de sua cabeça contra a parede e arremesso de objetos contra seu corpo.MP-SP
Último mandado de prisão contra Janaina foi expedido em 11 de novembro de 2025. Ela, porém, estava sendo procurada pela Justiça desde a sua condenação, em 2024.
Ela também foi condenada por desacato e embriaguez ao volante, por episódio em 2022. A decisão judicial ao qual a reportagem teve acesso destaca que Janaína foi flagrada no dia 20 de outubro daquele ano, por volta das 0h20, na rodovia SP 209, na altura do km 2, conduzindo um carro Hyundai, modelo IX35, com “capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool”. Durante a abordagem, Janaína teria desacatado dois policiais militares. Ela foi denunciada em 1º de fevereiro de 2023.
Na ocasião, a advogada estava “ziguezagueando pela via”, demonstrou sinais de embriaguez e apresentou um documento do veículo e CNH vencidos, segundo PM que atendeu a ocorrência. Após ser informada pela agente policial que seria presa, a irmã de Nunes ficou “descontrolada”, ameaçou correr na rodovia, e afirmou que seu marido era capitão da polícia e poderia prejudicá-los de alguma forma, conforme consta no processo.
Sobre a acusação, Janaína disse à Justiça que não estava embriagada, mas sob efeito de medicação. Ainda segundo o processo ao qual o UOL teve acesso, ela contou ter iniciado um tratamento médico e psiquiátrico, ressaltando que havia dois pitbulls dentro do veículo dela e que seria perigosa a aproximação dos agentes.
Sobre o sistema SmartSampa
Smart Sampa é tido pela gestão Ricardo Nunes como uma das principais ações de governo. Em fevereiro do ano passado, a prefeitura inaugurou no centro da cidade um painel, chamado de “prisômetro”, para mostrar o número de prisões feitas pelo programa de monitoramento.
Sistema tem cerca de 30 mil equipamentos pela cidade e usa reconhecimento facial para flagrar crimes e suspeitos. Até o final do ano passado, segundo dados da gestão municipal, mais de 1,6 mil foragidos foram detidos com a ajuda do SmartSampa.
A ferramenta, no entanto, é alvo de críticas por erros de reconhecimento e contestações de efetividade. Um estudo realizado pelo Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) no ano passado avaliou o programa que o SmartSampa não impactou de forma significativa nos índices de segurança pública da capital (leia mais aqui).
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