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O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus aliados estão tentando impedir o avanço do fim da escala 6×1, uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso Nacional. Segundo Guimarães, a oposição evita assumir publicamente sua posição contrária à mudança por temer o desgaste eleitoral junto aos trabalhadores.
Segundo Guimarães, as reuniões para organizar as votações têm sido praticamente diárias. O objetivo é superar a tentativa de obstrução da oposição e garantir que as propostas avancem antes que o calendário eleitoral passe a dominar os trabalhos do Congresso.
● “Flávio Bolsonaro e sua turma” são contra, diz Guimarães
De acordo com o líder governista, Flávio Bolsonaro e parlamentares de seu grupo político trabalham contra o fim da escala 6×1, mas procuram evitar uma manifestação pública explícita contra a proposta.
Guimarães avalia que a razão é eleitoral: assumir abertamente uma posição contrária à redução da jornada poderia gerar forte desgaste diante de uma pauta que conta com amplo apoio entre os trabalhadores.
Para o líder governista, portanto, existe uma diferença entre o discurso público da oposição e sua movimentação nos bastidores do Congresso.
● Governo tenta vencer obstrução
Guimarães afirmou que o governo está mobilizado para superar a resistência e garantir a votação. Segundo ele, caso a oposição consiga impedir a deliberação, protagonizará uma “presepada”.
O petista também avaliou que uma eventual tentativa de bloquear a proposta poderá representar um “tiro no pé” para Flávio Bolsonaro, justamente porque colocará em evidência quem está trabalhando contra uma mudança reivindicada por grande parcela da sociedade.
A proposta defendida pelo governo prevê uma jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial, substituindo progressivamente o modelo em que milhões de brasileiros trabalham seis dias para descansar apenas um.
● Guimarães promete apontar responsáveis
O líder governista afirmou ainda que, se a obstrução impedir ou adiar a votação, o PT e seus aliados deixarão claro para a sociedade quais parlamentares foram responsáveis por travar a proposta.
Na avaliação do governo, o debate sobre o fim da escala 6×1 permite estabelecer uma diferença clara entre dois projetos para o mundo do trabalho: de um lado, a defesa da redução da jornada e da melhoria da qualidade de vida; de outro, a resistência à mudança do atual modelo.
O tema ganhou ainda mais força depois que Lula passou a defendê-lo diretamente. O presidente sustenta que o trabalhador precisa ter mais tempo para descansar, conviver com a família e viver.
● Relatório de Omar Aziz é aguardado
Segundo Guimarães, o governo também aguarda a apresentação do relatório do senador Omar Aziz na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A expectativa é de que o parecer permita acelerar a tramitação e preparar o caminho para a votação.
A proposta já passou pela Câmara dos Deputados e agora depende do avanço no Senado. A expectativa dos governistas é concluir essa etapa na próxima semana.
A articulação ocorre também após Lula se reunir diretamente com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir as pautas consideradas prioritárias para o país.
● Fim da escala 6×1 vira uma das principais bandeiras de Lula
Lula classificou o fim da escala 6×1 como uma questão “de muito interesse da sociedade brasileira” e vem aumentando sua participação pessoal nas negociações para viabilizar a mudança.
Nesta quinta-feira, o presidente voltou ao tema nas redes sociais e afirmou que a medida representará uma transformação histórica na vida dos brasileiros.
“O fim da escala 6×1 será uma conquista histórica dos trabalhadores. É mais tempo para descansar, cuidar da família e viver”, afirmou Lula.
A declaração reforça a intenção do governo de transformar a redução da jornada em uma de suas principais bandeiras sociais.
Para Guimarães, a tentativa de impedir a votação poderá cobrar um preço político elevado de Flávio Bolsonaro e seus aliados. Caso a obstrução se confirme, o governo pretende levar o debate diretamente à sociedade e mostrar quem trabalhou pela aprovação e quem atuou para impedir uma mudança que pode representar mais tempo livre e melhor qualidade de vida para milhões de trabalhadores brasileiros.
Redação com Brasil 247
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