
● Por Thiago Gomes
A candidata ao governo de Alagoas Lenilda Luna (UP) foi entrevistada, nesta terça-feira (2), pela Central das Eleições Gazeta. Conduzida pelo jornalista Wyderlan Araújo, a entrevista teve duração de 30 minutos e foi exibida em plataforma multimídia pelos veículos da Organização Arnon de Mello (OAM). Lenilda defendeu o socialismo, estatização de serviços e desmilitarização da polícia como prioridades em seu eventual governo.
Ao falar sobre o que a população poderia esperar da gestão, a candidata afirmou que sua principal proposta é colocar o socialismo como modelo na plataforma de governo. Segundo ela, o programa da UP tem como princípio a representação dos trabalhadores e a organização popular para a conquista de direitos previstos na Constituição.
Lenilda também lamentou as limitações impostas pela cláusula de barreira, estabelecida em 2017. Como a UP não possui representação no Congresso Nacional, a legenda não participa do guia eleitoral nem das inserções no rádio e na televisão. Para ela, a legislação eleitoral é restritiva e reduz o espaço para que partidos como o seu apresentem suas propostas ao eleitorado.
● Planejamento econômico e estatização
Na entrevista, Lenilda fez críticas ao sistema capitalista, que classificou como baseado na concorrência e na busca pelo lucro. Como exemplo, citou a Braskem e a exploração de minério em Alagoas.
A candidata defendeu uma proposta de planificação da economia, com o objetivo de organizar a atividade econômica de acordo com as necessidades da sociedade, e não, prioritariamente em função do lucro. Segundo ela, o planejamento também deveria levar em consideração questões climáticas e ser construído com participação dos diferentes setores sociais, evitando prejuízos à população.
Entre as propostas apresentadas está a criação de indústrias estatais e a adoção de políticas de Estado que, segundo Lenilda, ultrapassem o período de um mandato. Ela defendeu ainda um orçamento voltado às necessidades da população, além de maior organização social e repartição dos lucros.
● Água e saneamento
Para o setor de saneamento, Lenilda propôs a anulação do contrato com a BRK e o retorno dos serviços de distribuição de água para a Casal. A candidata criticou o processo de privatização e a forma como ocorreu a outorga dos serviços na Grande Maceió.
Segundo ela, a população deveria ter sido consultada sobre a transferência dos serviços, por meio de um plebiscito. Lenilda também afirmou que uma parcela significativa da população não tem condições de arcar com as contas de água.
A proposta da UP prevê a estatização de serviços considerados essenciais, como saneamento básico, moradia, educação e saúde, sob direção do Estado, com planejamento e debate envolvendo os setores diretamente relacionados e a sociedade.
● Banco público e dívida dos usineiros
Lenilda também abordou o sistema financeiro e citou o antigo Produban, defendendo a criação de um banco público de desenvolvimento para auxiliar a população.
Ao tratar das dívidas dos usineiros, questionou por que empresários do setor conseguem obter perdão de dívidas e recuperação financeira enquanto a população sofre consequências quando deixa de pagar serviços básicos, que podem ser interrompidos em caso de inadimplência.
● Transporte público
Na área de mobilidade urbana, a candidata defendeu a criação de uma empresa pública de transporte. Ela lembrou que Maceió já contou com uma empresa pública do setor, posteriormente privatizada.
A proposta, segundo Lenilda, poderia ser ampliada para outros municípios, com o objetivo de garantir melhorias para os usuários do transporte urbano. Ela também defendeu uma gestão estatal com canais de participação popular, permitindo que a população seja ouvida na administração do serviço.
● Trabalho análogo à escravidão
Lenilda afirmou ser contrária ao trabalho análogo à escravidão e disse que a situação não pode ser normalizada no século 21.
Segundo a candidata, trabalhadores submetidos a condições desse tipo ficam sem direitos, horários definidos e indenização pelo período trabalhado. Para ela, proprietários de terras que submetam trabalhadores a essas condições deveriam perder a propriedade, que seria destinada à reforma agrária.
“Ninguém pode escravizar o trabalho de ninguém”, defendeu a candidata ao apresentar sua posição sobre o tema.
● Educação e saúde
Para a educação pública estadual, Lenilda propôs climatizar 100% das salas de aula e universalizar o acesso à internet. Antes disso, segundo ela, seria necessário realizar um diagnóstico de toda a rede estadual para identificar as necessidades das unidades.
Na saúde, a candidata defendeu a garantia de unidades equipadas, trabalhadores capacitados e condições que reduzam a exaustão dos profissionais. A proposta também prevê um levantamento minucioso da estrutura existente.
Lenilda afirmou ainda que pretende suspender contratos com organizações sociais e fundações privadas responsáveis pela gestão de equipamentos de saúde. Segundo ela, os profissionais poderiam ser incorporados à estrutura pública por meio de concursos.
A candidata também criticou desvios de recursos e casos de corrupção na área da saúde.
● Segurança e desmilitarização da polícia
Ao falar sobre segurança pública, Lenilda citou o caso do estudante Davi Silva, cujo processo envolvendo policiais condenados pelo desaparecimento tinha recurso em julgamento no Tribunal de Justiça, nesta terça-feira (2). No início da manhã, a assessoria do tribunal informou que o processo havia sido retirado de pauta.
A candidata defendeu uma discussão sobre a atual lógica de funcionamento da Polícia Militar e afirmou que a violência policial não pode ser tratada como algo normal.
Entre as propostas apresentadas está a desmilitarização das polícias e a adoção de uma concepção de segurança mais cidadã. Lenilda criticou a formação que, em sua avaliação, contribui para uma lógica de desumanização e afirmou que pretende discutir mudanças com os próprios policiais.
Segundo ela, o debate também deveria ser levado para uma discussão em âmbito nacional.
● Concursos públicos
Ao tratar da contratação de servidores, Lenilda defendeu a realização de concursos públicos e questionou as limitações impostas pelo arcabouço fiscal. Ela também criticou a destinação de parcela significativa do orçamento brasileiro para despesas financeiras e defendeu uma mudança na aplicação dos recursos públicos, com prioridade para as necessidades da população.

Redação C/ Gazeta Web

















