Anadia/AL

16 de junho de 2024

Anadia/AL, 16 de junho de 2024

Loja de armas de Arapiraca vendia munições de fuzil para criminosos faccionados, diz PF

Policiais militares que participavam do esquema tiravam parte do valor e devolviam o restante para o estabelecimento | 19:44 hs

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 27 de maio de 2024

vv2

Foto: Reprodução

Investigação da Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Fogo Amigo, aponta que a loja de armas Comercial Taurus, de Arapiraca, em Alagoas, usava policiais militares da Bahia para vender grande quantidade de munições, inclusive de fuzis, para criminosos faccionados. A informação foi repassada à GazetaWeb pelo delegado da PF Rodrigo Motta de Andrade.Motta explicou que, após a venda, os policiais militares tiravam parte do valor e devolviam o restante para o estabelecimento. “Em regra, o que a investigação constatou é que policiais militares compravam muitas munições nas lojas, em quantidade superior à que poderiam adquirir e vendiam com margem de lucro para integrantes de facções”, revelou.

Foi baseado nessa investigação que, na última sexta-feira (24), o juiz Eduardo Ferreira Padilha, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Juazeiro, na Bahia, negou pedido de liberdade para o dono da Comercial Taurus, o empresário Eraldo Luiz Rodrigues.

“Para dar baixa no sistema de controle do EB [Exército Brasileiro], os lojistas estavam usando dados de terceiros que podiam comprar essas munições. Ex.: Fulano, registrado como CAC, comprou 50 munições calibre .380 para a pistola que possui. Porém, pela norma vigente poderia comprar até 1000 munições. A loja vendia 950 munições para qualquer pessoa e lançava em nome de Fulano, que não tinha conhecimento do esquema criminoso”, detalhou o delegado.

A estimativa da PF é de que o grupo criminoso vendia uma média de 20 armas e 10 mil munições de variados calibres por mês. “Quanto aos valores envolvidos, a equipe de investigação ainda trabalha para quantificar. Todavia, vale informar que foram efetivados mais de R$ 7 milhões de bloqueio em contas dos investigados”, disse Andrade.

O delegado contou ainda que o esquema criminoso foi descoberto depois da deflagração de outra operação em junho de 2023. “A partir de celulares analisados foi possível identificar intermediário de venda de munição e armas para os faccionados que foram alvos da referida operação. Um investigado que trabalhou em uma loja de venda de armas e munições em Juazeiro/BA, e estava preso, procurou a Polícia Federal e o Ministério Público querendo fazer Acordo de Colaboração Premiada. O que foi feito e a trama criminosa foi descoberta com riqueza de detalhes.”

Rodrigo Motta pontuou que, a fim de esclarecer os fatos, foram quebrados, com autorização judicial, sigilo telefônico, telemático, análise de Relatório de Inteligência Financeira e outras técnicas de investigação.

*Redação com  Gazeta web

Galeria de Imagens