O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou publicamente rapidez na liberação de recursos e na execução das obras do projeto do ‘SUS Inteligente’, durante evento oficial de anúncio da iniciativa, realizado nesta semana em Brasília. Em tom direto, o chefe do Executivo defendeu que a implantação da rede avance sem entraves burocráticos, sobretudo nas estruturas que já estão prontas para entrar em operação.
As declarações foram feitas durante o lançamento da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde, iniciativa apresentada pelo governo federal em parceria com o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos BRICS. Ao discursar, Lula dirigiu-se nominalmente a integrantes do governo e à presidente da instituição financeira, Dilma Rousseff, cobrando ações imediatas.
“Dilma, libere esse dinheiro logo. Segundo, Dario [secretário-executivo do Ministério da Fazenda], receba logo e libere logo. [Alexandre] Padilha [ministro da Saúde], execute a obra o mais rápido possível”, afirmou o presidente. Lula reconheceu que a construção do hospital inteligente em São Paulo será a etapa mais complexa do projeto, devido à necessidade de adaptações estruturais, mas destacou que outras frentes podem avançar de forma mais célere.
Segundo o presidente, parte significativa da rede já se encontra em condições de funcionamento. “Vai ter 14 UTIs espalhadas pelo Brasil, e elas já estão prontas, as ambulâncias estão prontas. Precisa apenas adaptá-las à realidade do hospital inteligente. E isso pode ser muito mais rápido”, disse. Ele ressaltou que a integração entre ambulâncias, UTIs e equipes médicas permitirá que informações clínicas cheguem antes mesmo da chegada do paciente ao hospital.
Durante o discurso, Lula relatou uma experiência pessoal para ilustrar as desigualdades no acesso à saúde de alta complexidade no país. O presidente contou que, mesmo estando em Brasília, precisou ser transferido com urgência para São Paulo após um problema de saúde. “Eu detectei que não estava bem e fui num dos melhores hospitais aqui em Brasília. Descobri que estava com excesso de líquido na cabeça. Imediatamente os médicos disseram que eu tinha que ir para São Paulo urgente”, afirmou.
Lula descreveu a demora no atendimento e o deslocamento como situações que evidenciam falhas estruturais. “Eu estava na capital do país e disseram que eu tinha que ir para São Paulo. Tive que esperar três horas na emergência e depois viajar mais uma hora e meia”, relatou. Segundo ele, a própria equipe médica demonstrou preocupação com os riscos enfrentados durante o trajeto. “Dois médicos estavam chorando, porque acharam que eu poderia ter entrado em coma dentro do avião”, disse.
Ao relacionar o episódio com a realidade da população, o presidente reforçou a urgência do projeto. “Se isso aconteceu com o presidente, imagina o coitado do povo”, afirmou. Lula defendeu que o SUS Inteligente represente um salto de qualidade no atendimento, especialmente para a população mais pobre, que depende exclusivamente do sistema público.
O presidente também destacou o papel do SUS durante a pandemia de Covid-19 e afirmou que o projeto ajuda a consolidar a legitimidade do sistema público de saúde. “O SUS conquistou uma legitimidade depois da apoteótica participação para salvar gente na pandemia”, disse. Segundo Lula, ao longo dos anos o sistema foi alvo de estigmatização. “O SUS era tratado de forma muito pejorativa. Só se mostrava a desgraça, a miséria, a morte”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a resistência histórica a grandes projetos públicos, baseada no argumento de custos elevados, contribuiu para atrasos e perdas humanas. “A gente nunca se perguntou quanto custou a gente não ter feito as coisas na hora em que deveria fazer. Quantas mortes esse país poderia ter evitado?”, questionou. Para Lula, o foco do governo deve ser garantir que a população mais vulnerável não seja excluída do acesso à tecnologia e à saúde de qualidade.
“Quem tem dinheiro, quando tem dúvida, pega um avião e vai para qualquer lugar do mundo. Mas o pobre não tem avião. Ele tem o ônibus. Ele tem o Samu”, afirmou. Ao defender o SUS Inteligente, o presidente concluiu que o projeto deve assegurar que os avanços tecnológicos cheguem a quem mais precisa, como parte central da estratégia de governo para reduzir desigualdades e fortalecer o sistema público de saúde.
ABN C/ Brasil 247

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