Anadia/AL

23 de junho de 2026

Anadia/AL, 23 de junho de 2026

Lula e Mercadante recolocam o BNDES no centro da estratégia de desenvolvimento do Brasil

Aos 74 anos, banco volta a expandir crédito, impulsiona a reindustrialização, financia a transição ecológica e recupera protagonismo econômico.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 23 de junho de 2026

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Lula e Mercadante - (Foto: Ricardo Stuckert/PR )

Poucas instituições refletem tão claramente as mudanças de rumo da política econômica brasileira quanto o BNDES. Entre 2016 e 2022, durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o banco passou por um processo de redução de escala e de capacidade operacional.

O principal instrumento dessa política foi a devolução antecipada de recursos ao Tesouro Nacional. Nesse período, foram transferidos cerca de R$ 693 bilhões à União, entre principal, juros e amortizações extraordinárias. Somente em 2019, o valor devolvido chegou a R$ 100 bilhões.

A estratégia foi apresentada como parte do esforço de ajuste fiscal e redução da dívida pública. Na prática, porém, diminuiu a capacidade de financiamento de longo prazo da principal instituição de desenvolvimento do país. Paralelamente, consolidou-se a narrativa da suposta “caixa-preta” do BNDES.

Após anos de auditorias, investigações, CPIs e apurações conduzidas por órgãos de controle, não foi comprovada a existência do alegado esquema sistêmico de irregularidades que justificava a ofensiva política contra o banco.

A partir de 2023, com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e a nomeação de Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES, a orientação foi revertida. O banco voltou a priorizar o financiamento ao investimento produtivo, à indústria, à infraestrutura, à inovação e à transição ecológica.

A retomada do crédito

Os resultados dessa mudança aparecem de forma clara nos indicadores operacionais. Entre 2023 e 2025, as consultas por financiamentos cresceram 221%, as aprovações avançaram 164% e os desembolsos aumentaram 126% em comparação ao período de 2019 a 2021

Em 2024, o BNDES registrou o maior volume de aprovações e garantias de sua história: R$ 276,5 bilhões. Desse total, R$ 212,6 bilhões corresponderam a operações de crédito e R$ 62,3 bilhões a garantias. Em 2025, a carteira de crédito alcançou R$ 664 bilhões, o maior patamar desde 2016.

Os números indicam não apenas crescimento da atividade do banco, mas também recuperação de sua capacidade de induzir investimentos em setores estratégicos da economia.

O banco da reindustrialização

Uma das principais marcas da atual gestão é o alinhamento do BNDES à Nova Indústria Brasil, política industrial criada pelo governo Lula para fortalecer a capacidade produtiva nacional.

Até 2025, o banco havia aprovado cerca de R$ 220 bilhões em operações vinculadas ao programa. Considerando os diversos instrumentos de apoio mobilizados, os investimentos associados à política industrial ultrapassaram R$ 340 bilhões.

Os recursos foram direcionados para áreas consideradas estratégicas para a competitividade do país, como semicondutores, complexo industrial da saúde, biotecnologia, defesa, digitalização, transição energética e inovação tecnológica. Em 2024, pela primeira vez desde 2017, o volume de crédito aprovado para a indústria superou o destinado ao agronegócio, simbolizando a mudança de prioridades na política de financiamento.

Apoio às pequenas empresas

A expansão do crédito também alcançou as micro, pequenas e médias empresas, responsáveis pela maior parte dos empregos formais do país. Não é para menos, as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) representam mais de 97% dos negócios ativos no Brasil e são o principal motor de geração de empregos do país, responsáveis por criar entre 80% e 85% das novas vagas com carteira assinada. Na economia, o segmento responde por cerca de 26,5% a 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional

Somente em 2024, o BNDES aprovou R$ 92,4 bilhões para esse segmento. Trata-se de um dos maiores volumes já registrados pelo banco, reforçando o papel das pequenas empresas na estratégia de crescimento econômico e geração de renda.

Transição ecológica e economia verde

Outra frente de atuação fortalecida desde 2023 foi a agenda ambiental. O relançamento do Fundo Clima ampliou significativamente a capacidade de financiamento de projetos voltados à descarbonização da economia.

As aprovações com recursos do fundo chegaram a R$ 7,7 bilhões, superando o total acumulado nos oito anos anteriores. Os financiamentos contemplam projetos de energia limpa, mobilidade sustentável, indústria verde, inovação ambiental e recuperação de florestas nativas.

A estratégia busca posicionar o Brasil entre os protagonistas da transição energética global, utilizando as vantagens competitivas do país em energias renováveis e biodiversidade.

Os anúncios dos 74 anos do BNDES

As comemorações dos 74 anos do banco mostraram que a agenda de expansão está longe de se encerrar. Durante o evento, o presidente Lula anunciou mais R$ 140 bilhões para a Nova Indústria Brasil, elevando para R$ 507 bilhões o volume de recursos mobilizados pela política industrial.

O encontro também marcou a formalização de uma parceria entre BNDES e Petrobras para pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia de terras raras. Esses minerais são considerados estratégicos para a produção de baterias, equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias avançadas, setores centrais da nova economia global.

Na área ambiental, Petrobras e BNDES anunciaram ainda os vencedores do primeiro leilão do ProFloresta, iniciativa voltada à restauração ecológica da Amazônia. O programa combina preservação ambiental, recuperação florestal e desenvolvimento econômico sustentável em larga escala.

Uma mudança de paradigma

Ao completar 74 anos, o BNDES apresenta um perfil bastante diferente daquele observado no início da década. O banco ampliou o crédito, recuperou sua carteira de financiamentos, fortaleceu o apoio à indústria, expandiu o financiamento à inovação e passou a desempenhar papel relevante na transição ecológica.

Com Lula, o que observamos é uma mudança de concepção sobre o papel do desenvolvimento econômico. Enquanto a estratégia neoliberal predominante entre 2016 e 2022 priorizou a redução do tamanho do banco, a partir de 2023 o BNDES voltou a ser utilizado como instrumento de política pública para estimular investimento, produtividade e transformação estrutural da economia brasileira. Os resultados alcançados até agora comprovam que essa opção recolocou a instituição no centro da estratégia nacional de desenvolvimento.

* Brasil 247

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