
Por Laís Gouveia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (17) para uma agenda oficial na Ásia com foco na ampliação de mercados, fortalecimento de parcerias estratégicas e reposicionamento do Brasil em meio à reorganização geopolítica global. As informações foram publicadas pela CNN Brasil.
Às vésperas do início do período eleitoral, o Palácio do Planalto trata a missão como uma das mais relevantes ofensivas comerciais da atual gestão na região. O roteiro inclui Índia e Coreia do Sul, com compromissos voltados à diplomacia política, cooperação tecnológica, abertura de mercados agropecuários e atração de investimentos em setores considerados estratégicos.
A primeira etapa ocorre na Índia, a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. Além de reuniões bilaterais, Lula participa da Cúpula de Inteligência Artificial nos dias 19 e 20. O Brasil deverá copresidir, ao lado do Japão, um grupo de trabalho dedicado ao debate sobre inteligência artificial segura e confiável, tema que ganhou centralidade nas disputas tecnológicas globais.
No campo diplomático, o Itamaraty avalia que o atual contexto internacional ampliou o peso político da relação entre Brasil e Índia. O governo brasileiro vê o país asiático como parceiro-chave entre as grandes economias emergentes e aliado na defesa do multilateralismo, da reforma do Conselho de Segurança da ONU e de posições comuns sobre soberania e conflitos internacionais, incluindo a situação em Gaza.
Paralelamente à agenda política, o componente econômico é considerado central na viagem. O Planalto pretende usar o peso institucional da visita presidencial para impulsionar negociações comerciais e industriais, ampliar o acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia e reforçar a inserção brasileira em cadeias globais de valor ligadas a minerais críticos, tecnologia e alimentos.
O agronegócio figura como um dos principais eixos da aproximação bilateral. A equipe brasileira trabalha para avançar no acesso ao mercado indiano, incluindo a possibilidade de estruturar cotas para exportação de feijão guandu e iniciar tratativas sobre as tarifas indianas que chegam a cerca de 100% para cortes de frango — barreira que praticamente inviabiliza a entrada do produto brasileiro no país.
Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, o objetivo é estabelecer mecanismos que garantam maior previsibilidade nas relações comerciais com a Índia, mercado considerado prioritário pelo tamanho da demanda interna e pela instabilidade da produção agrícola local.
A agenda prevê ainda a assinatura de cerca de oito atos bilaterais, incluindo uma declaração sobre parceria digital e um memorando de entendimento sobre minerais críticos e terras raras. O governo classifica o documento como um acordo-guarda-chuva que poderá abrir caminho para cooperações industriais futuras, especialmente em setores ligados à transição energética e à indústria de alta tecnologia.
Lula também participará do Fórum Empresarial promovido pela Apex-Brasil, em Nova Délhi, e inaugurará o escritório da agência na capital indiana. O encontro reunirá representantes dos setores de agronegócio, alimentos, tecnologia, mineração, aeronáutica e indústria, com discussões sobre segurança alimentar, inovação agrícola, transição energética e cadeias produtivas estratégicas.
A viagem ocorre após uma intensificação do diálogo bilateral nos últimos anos, que incluiu a visita de Modi ao Brasil em 2025 e uma missão multissetorial liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin à Índia, acompanhada por representantes do governo e do setor privado. Integrantes do governo classificam a atual agenda asiática como a mais robusta ofensiva comercial da gestão petista na região.
Após a etapa indiana, o presidente segue para a Coreia do Sul. Em Seul, Lula terá reunião com o presidente Lee Jae-myung e participará do Fórum Empresarial Brasil-Coreia.O governo brasileiro pretende aproveitar o encontro para abrir novas frentes de cooperação, atrair investimentos e avançar na abertura de mercados agropecuários, especialmente para carnes bovina e suína, além de produtos de maior valor agregado.
O retorno ao Brasil está previsto para o dia 24. Nos bastidores, a expectativa é que os resultados da missão possam consolidar novos acordos comerciais e reforçar o protagonismo brasileiro em temas estratégicos num cenário internacional marcado por disputas tecnológicas, rearranjos produtivos e crescente competição por recursos naturais.
* ABN C/ Brasil 247

















