
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta madrugada que manteve uma conversa telefônica de mais de uma hora com o presidente da China, Xi Jinping, na qual ambos reafirmaram o compromisso de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países, ampliar a cooperação em setores de alta tecnologia e fortalecer a coordenação em temas centrais da agenda internacional.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que os dois líderes discutiram a implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento do Brasil e da China. Segundo o presidente, houve consenso sobre a necessidade de expandir a cooperação em áreas estratégicas como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Lula também destacou que o governo brasileiro permanece comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Nesse contexto, ele e Xi Jinping concordaram sobre a importância de acelerar as negociações para um acordo entre o Mercosul e a China, preservando as flexibilidades necessárias para os países do bloco sul-americano.
Comércio, turismo e integração
O presidente ressaltou ainda os resultados positivos do comércio bilateral, que segue em expansão, e destacou o impacto das jornadas culturais realizadas neste ano nos dois países, bem como do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração. Segundo Lula, essas iniciativas devem impulsionar tanto o fluxo de turistas quanto as oportunidades de negócios entre Brasil e China.
Paz e governança global
Na conversa, os dois chefes de Estado lamentaram a proliferação de conflitos ao redor do mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global, além das elevadas perdas humanas e materiais.
Ao tratar da crise no Oriente Médio, Brasil e China manifestaram preocupação com as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, consideradas prejudiciais para a economia mundial. Os dois líderes também expressaram profunda preocupação com a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza.
Em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia, Lula afirmou que houve entendimento de que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel relevante para a retomada das negociações em busca de uma solução diplomática para a guerra.
Os presidentes também criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder de forma adequada às principais crises internacionais e observaram que o próximo ou a próxima secretária-geral da ONU encontrará um cenário global especialmente complexo.
Coordenação entre Brasil e China
Ao final da conversa, Lula e Xi Jinping reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter estreita coordenação sobre os principais temas da agenda internacional, tanto no âmbito das Nações Unidas quanto do BRICS e de outros fóruns multilaterais.
Leia, abaixo, a íntegra da postagem do presidente Lula:
Mantive na noite deste domingo, 26 de julho, uma conversa telefônica de mais de uma hora de duração com o presidente da China, Xi Jinping.
Durante o telefonema, tratamos da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países. Reiteramos o propósito compartilhado de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Ressaltei que o nosso governo segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Coincidimos a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo MERCOSUL-China, que contemple as necessárias flexibilidades.
Destacamos também os bons resultados do comércio bilateral, bem como o impacto positivo das jornadas culturais em curso este ano nos dois países e do acordo para isenção de vistos de curta duração. Essas iniciativas vão ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio.
Ao discutir os principais desafios da agenda internacional, lamentamos a proliferação de conflitos ao redor do mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global, além das graves perdas humanas e materiais.
Ao abordar a crise no Oriente Médio, concordamos que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm efeitos nefastos sobre a economia mundial. Expressamos profunda preocupação com a continuidade da situação humanitária em Gaza.
Concordamos que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel relevante na retomada das negociações para o fim da Guerra na Ucrânia. Criticamos a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder adequadamente a essas crises e observamos que o próximo ou a próxima Secretária-Geral da ONU enfrentará um cenário internacional particularmente desafiador.
Redação com Brasil 247
















