Anadia/AL

7 de outubro de 2026

Anadia/AL, 7 de outubro de 2026

Lula rebate fala de Flávio Bolsonaro contra o fim da escala 6×1: “A máscara vai cair”

Presidenciável do PL reforçou posição contrária ao regime 5x2 e defendeu que trabalhadores sejam remunerados por horas trabalhadas.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 7 de outubro de 2026

Politica

Lula com placa pelo fim da escala 6x1 em Salvador e Flávio Bolsonaro com Rogério Marinho (Ricardo Stuckert / Vitor Salles / Divulgação das campanhas)

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta terça-feira (6) a declaração de Flávio Bolsonaro contrária ao fim da escala 6×1. O presidenciável do PL voltou a defender que os trabalhadores sejam remunerados por horas trabalhadas.

Em conversa com a imprensa, Lula afirmou que, com o avanço da discussão sobre a PEC que prevê o fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro terá de se posicionar e que sua “máscara vai cair”.

“Hoje, o Senado voltou a discutir uma mudança que pode fazer uma diferença enorme na vida de milhões de brasileiros e brasileiras: o fim da escala 6×1. E eu quero ver essa conquista sair do papel.

O que defendemos são 5 dias de trabalho e 2 dias de folga por semana, sem redução de salário. Porque o trabalhador e a trabalhadora querem melhorar de vida, mas também querem tempo para viver, descansar, cuidar da saúde e estar com a família.”

Em seguida, Lula voltou a defender o direito dos trabalhadores ao descanso e a mais tempo com suas famílias:

“Já Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha.

Quem trabalha já faz muito por este país. Está na hora de o país garantir a essas pessoas mais tempo para viver, com salário, direitos e dignidade.”

Flávio Bolsonaro critica fim da escala 6×1 e chama PEC de “oportunista”

Durante conversa com jornalistas nesta terça-feira (6), o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a criticar o fim da escala 6×1 e defendeu que os trabalhadores “escolham” a própria carga horária.

Além disso, Flávio Bolsonaro afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1 e propõe a adoção do modelo 5×2 é “oportunista”. Segundo ele, a proposta só foi colocada em pauta pelo presidente Lula por causa da eleição presidencial.

“Tenho proposta infinitamente melhor do que essa que está na mesa. Liberdade do trabalhador de escolher sua própria carga horária. Nossa proposta é dar liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme a sua possibilidade e necessidade. Quem quer trabalhar mais, vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, vai trabalhar menos.”

Campanha de Flávio se mobiliza para impedir fim da escala 6×1 no Senado

A ofensiva para impedir o avanço da PEC que acaba com a escala 6×1 passa diretamente pelo núcleo político da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Nesta terça-feira (6), aliados do candidato devem tentar adiar a votação ou esvaziar o plenário, enquanto Davi Alcolumbre mantém o início das discussões sobre a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho.

Um dos principais articuladores da resistência é Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio e líder da oposição no Senado. A atuação não começou agora. Em setembro, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que uma mobilização para esvaziar o plenário e impedir o avanço da mesma PEC havia sido articulada por Flávio Bolsonaro e pelo próprio Marinho.

A proposta reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, estabelece dois dias de repouso e proíbe redução salarial. O texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário. Marinho votou contra a PEC na CCJ.

Além da oposição ligada à campanha de Flávio, entidades empresariais dos setores de comércio, serviços e indústria passaram a pressionar senadores para que não compareçam à votação. A estratégia é impedir que o governo consiga o quórum necessário.

O cenário ficou mais favorável aos adversários da proposta depois das eleições de domingo. O PL ampliou sua presença no Senado e chegará a 2027 como a maior bancada da Casa. Marinho, além de comandar a campanha de Flávio, é apontado como um dos nomes do partido para disputar a presidência do Senado.

O governo Lula, por sua vez, mantém a tentativa de votar a mudança ainda nesta semana. Sem acordo para acelerar o rito, serão necessárias cinco sessões de discussão antes da primeira votação.

A disputa em torno da 6×1, portanto, passou a integrar também o embate político do segundo turno, com o grupo de Flávio atuando contra uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pela campanha de Lula.

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